Quando o Milan de Kaká conquistou a Europa

  • por José Eduardo Volpini
  • 3 Meses atrás

O domínio de Messi e Ronaldo provavelmente vai continuar mais um ano. CR7 ajudou o Real Madrid no Campeonato Espanhol e na Liga dos Campeões, sendo o favorito para o FIFA THE BEST e a Bola de Ouro. A primeira vez dos dois no top-3 aconteceu em 2007, mas em um contexto diferente. O favorito nas premiações (FIFA, France Football) era Kaká. O brasileiro, que atualmente defende o Orlando City, fez uma temporada fantástica com o Milan. Sobretudo, deitou e rolou na competição europeia, decisiva para a escolha. Relembre o sétimo troféu da Champions conquistado pelos italianos, e a participação do brasileiro nesse título.

Para entendermos como foi, precisamos voltar um pouco na história. Na temporada 2005/2006, o Campeonato Italiano enfrentava uma crise gravíssima devido ao Calciocaos. No final da temporada, foi decidido que a Juventus seria rebaixada, perderia dois títulos italianos e que o Milan, com uma perda de pontos menor, teria que disputar as eliminatórias para Champions. Se passasse, entraria na fase de grupos. Foi o momento em que diversos nomes importantes saíram da Bota: Cannavaro, Thuram, Zambrotta e Emerson optaram pela Espanha. Shevchenko, Inglaterra. Stam e Rui Costa, em situações diferentes dos demais, foram para os países onde iniciaram a carreira. O Milan foi para o mercado e não fez grandes investimentos. Trouxe a então promessa francesa Gourcuff e Ricardo Oliveira, que havia feito boa temporada no Bétis. Ou seja, o clube iria para 2006/07 com um time mais fraco que o da temporada anterior.

No Calcio, mesmo sem a Juve, era difícil imaginar que o time conseguisse vencer o torneio. A Inter havia fechado com Ibrahimovic e Vieira, tinha Crespo e Adriano como opções. A Roma de Totti corria por fora. Na Europa, a situação parecia ainda mais improvável. O time acabara de perder o último artilheiro da Liga para o Chelsea de Mourinho; com Shevchenko e Ballack, o clube londrino prometia ainda mais. O Barcelona chegava forte com o trio Ronaldinho-Messi-Eto’o. Eram as expectativas antes do início dos jogos – não que tudo tenha saído como se esperava para os clubes.
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O Milan não teve muito tempo para descansar. No começo de agosto, já lutava para ir à fase de grupos da UEFA Champions League. Contra o Estrela Vermelha, avançou com duas vitórias e, no sorteio, caiu no grupo junto a AEK Atenas, Anderlecht e Lille. Kaká marcou 5 gols em 5 jogos, inclusive um hat-trick contra o Anderlecht.

Nas oitavas de final, o time não teve facilidade. No primeiro jogo, na Escócia, o time não saiu do 0 x 0 contra o Celtic. Na volta, o placar se manteve durante os 90 minutos. Com isso, veio a prorrogação. Vale ressaltar que a equipe italiana tinha uma dedicação grande na defesa, aumentando a responsabilidade de Kaká em levar a bola até o ataque. E foi exatamente isso que ele fez. Em uma arrancada incrível, o craque brasileiro colocou a bola no fundo da rede e partiu para o abraço. 1×0 e classificação para a próxima fase.

O adversário das quartas seria o Bayern, do então treinador Ottmar Hitzfeld. O clube alemão havia eliminado o Real Madrid no confronto anterior. Prometia ser mais uma eliminatória difícil. Desta vez o primeiro jogo foi em Milão, e muito complicado. Um 2×2 polêmico, com destaque para o zagueiro artilheiro Van Buyten e um pênalti discutível marcado para a equipe da casa e convertido por Kaká. Na Allianz Arena, o Milan contou com o poder decisivo de Seedorf e Inzaghi e avançou, vencendo por 2×0.

Na semifinal, o encontro que muitos apostavam ser a decisão do prêmio de melhor do mundo daquele ano: o camisa 22 do Milan contra Cristiano Ronaldo. Na teoria, o Manchester United era favorito. O time estava voando na Premier League e contava com um elenco mais jovem, além de ter mostrado sua força com um placar de 7×1 diante da Roma na fase anterior.

Em Old Trafford, um jogo de tirar o fôlego. O português colocou os Red Devils na frente logo no início. Kaká não esperou muito para responder: Seedorf fez o toque e o brasileiro entrou com velocidade na área, tocando no canto de van der Sar, mas não parou por aí. Em um dos gols mais bonitos da carreira do jogador, recebeu a bola e, com um toque de cabeça, tirou dois marcadores da jogada, ficando livre para finalizar: 2×1 no placar. Os gols fora de casa davam uma boa condição para a equipe visitante no jogo de volta. Por isso, o United fez o possível para reverter o placar e ir a Milão com alguma vantagem. Rooney foi o principal nome para que isso acontecesse: marcou dois, um no finalzinho, e vitória para os ingleses por 3×2.

No San Siro, o Milan brilhou. Logo aos 10 minutos, Kaká acerta o pé e marca seu décimo gol na competição. Seedorf, outro nome muito importante na temporada, também marca no primeiro tempo. Uma exibição que não deu chances para o United. Para finalizar, Gilardino aproveita o rápido contra-ataque no segundo tempo e sai cara-a-cara com van der Sar. O golpe final: 3×0.

O último jogo da temporada colocava o time novamente contra o Liverpool de Benítez. Dois anos antes, em uma das melhores finais da história, Kaká havia sido o destaque no primeiro tempo e o Milan colocado uma vantagem de três gols. Porém, o time inglês se recuperou na segunda parte, levou para a prorrogação e conquistou nos pênaltis a Liga. Era a chance do troco. Os dois times continuavam com grande parte do elenco e a promessa era de jogo equilibrado. E assim foi. No final do primeiro tempo, o camisa 22 sofre uma falta. Na cobrança, Pirlo cobra e Inzaghi desvia. O time italiano sai na frente, 1×0. O Liverpool tenta o empate na etapa final, mas é num contra-ataque do Milan que o segundo gol acontece. Kaká dá passe perfeito para Inzaghi, o homem da partida, sacramentar mais um título europeu para o Milan. Foi o sétimo e último título europeu da equipe.

Na Supercopa, tradicional confronto do vencedor da Champions contra o vencedor da Copa da UEFA, o Milan encarou o Sevilla e venceu por 3×1. Renato abriu o placar, mas Inzaghi, Jankulovski e Kaká viraram para os italianos. A partida aconteceu dias após a perda de Antonio Puerta, atleta do clube espanhol.

No final do ano, a coroação completa. Em mais uma revanche (o Milan havia perdido o Mundial de 2003 para o Boca Juniors), Kaká e Inzaghi mostraram entrosamento e superaram os argentinos por 4×2.

O brasileiro levou o Prêmio de Melhor do Mundo e a Bola de Ouro daquele ano. Messi ficou em segundo na votação da FIFA e Cristiano, em segundo na votação da France Football.

VÍDEOS

Milan 1×0 Estrela Vermelha – Vídeo

Estrela Vermelha 1×2 Milan – Vídeo

Milan 3×0 AEK – Vídeo

Lille 0x0 Milan – Vídeo

Anderlecht 0x1 Milan – Vídeo

Milan 4×1 Anderlecht – Vídeo

AEK 1×0 Milan – Vídeo

Milan 0x2 Lille – Vídeo

Celtic 0x0 Milan – Vídeo

Milan 1×0 Celtic – Vídeo

Milan 2×2 Bayern – Vídeo

Bayern 0x2 Milan – Vídeo

Manchester United 3×2 Milan – Vídeo

Milan 3×0 Manchester United – Vídeo

Milan 2×1 Liverpool – Vídeo

Milan 3×1 Sevilla – Vídeo

Boca Juniors 2×4 Milan – Vídeo

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