Em mais um passe de mágica, o adeus de Philippe Coutinho

Imagem destacada: Camilo Carvalho

Vivemos em tempos que os sentimentos estão cada dia mais líquidos e superficiais. Amor e ódio são sentimentos cada vez mais interligados. A linha que os separa é tênue por demais e em fração de segundos pode ser rompida. Vivemos tempos em que tudo parece efêmero, corriqueiro e momentâneo. Inclusive, o sentir. Aquilo que outrora era um jardim florido, num piscar de olhos, pode se tornar uma trilha de espinhos. Basta um dos dois decidir romper e seguir sozinho por outros caminhos. Ao decidir ir, ele deixou inúmeros corações feridos. O sonho da eternidade agora se resume a meras lembranças, deixando aquele gostinho de que poderia ter sido mais. É aí que aquilo que era luz se torna trevas. A paz se converte em caos e o mais puro dos sentimentos dá espaço para o maior dos ressentimentos. O coração do torcedor é egoísta, é incompreensível, é insano.

Mas quem é que não sofre ao perder um grande amor? Nem o mais insensível dos homens consegue se manter alegre, puro e completo quando uma linda história de amor chega ao fim. O amante, hora confuso, hora frustrado, tenta se conformar e se encher de esperança. Vai confiando na premissa de que enquanto um coração apaixonado pulsar e bombear sangue vermelho, o Liverpool nunca caminhará sozinho. Pois ídolos vem e vão, mas a grandeza do clube é eterna.

O futebol inglês perde um pouco do seu brilho e magia. O Liverpool perde um pouco da sua alegria. Philippe vai, mas a história e as lembranças ficam! Como se esquecer daqueles arremates esplendorosos de fora da área? Majestoso e real, até a bola o obedecia, realizando fielmente todos os trajetos que o pequeno príncipe a ordenava. A redonda, ficava ali, rendida aos pés dele, sentindo-se privilegiada por poder ser acariciada pelas chuteiras número trinta e oito. Elegante, divino, impecável, único!

 

Sentimentos controvertidos perturbam aqueles que o amam. Afinal, nunca é fácil dizer adeus. O amor de outrora, se tornara ressentimento hoje, mas é preciso seguir em frente! O camisa 10 cativou a torcida e se tornou o grande símbolo da reconstrução do gigante que vinha adormecendo. Mas tudo se supera. Para quem perdeu Gerrard e Suárez recentemente, isso chega a ser clichê. A vida é isso, tudo vai, tudo passa, tudo é fase.

E a vida segue…

É em momentos como esse que vemos o quão grandioso é o futebol. Capaz de despertar em nós o mais sublime de todos os sentimentos. E de fazer com que personagens sejam eternizados nas nossas mentes e nos nossos corações. O conceito de futebol e paixão estão intimamente ligados, assim como amor e ódio estão. Cabe agora recomeçar, na certeza de que grandes amores também chegam ao fim. E às vezes não há tempo sequer para um último adeus. Finais doem, mas recomeços curam. Aos que acreditam na tese de que só se pode substituir um amor com outro, Mohamed Salah surge como excelente postulante.  De antemão já vos digo, ninguém é insubstituível. O Liverpool é maior que isso!

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Filipy é um jovem advogado do interior de Pernambuco. Católico por amor e convicção, tem 23 anos, vive e respira futebol, inclusive, já furou encontro com a própria namorada para jogar descalço nos sórdidos gramados sertanejos. É no esporte bretão que ele encontra o seu maior refúgio nas tardes negras de sábado. (Colunista - Manchester United Brasil)