Nas Canchas da Libertadores #3

  • por Lucas Sousa
  • 18 Dias atrás

A Libertadores 2018 chegou a sua terceira semana e teve confrontos importantes para os caminhos dos grupos. O Palmeiras conseguiu sua segunda vitória e vai para os confrontos diretos contra o Boca Juniors em vantagem. O Boca, por sua vez, alcançou sua primeira vitória e não deixou o Verdão se isolar na ponta. No Mineirão, Cruzeiro e Vasco empataram e seguem três pontos atrás dos líderes do grupo E.

Palmeiras 2 x 0 Alianza Lima – Estruturando o modelo de jogo

Um jogo de Libertadores entre duas decisões contra o maior rival. Três partidas grandes em oito dias. A primeira sequência de compromissos importantes em um curto espaço de tempo, o primeiro teste para a gestão de elenco de Roger Machado em 2018. Para a estreia em casa na Libertadores, o treinador alviverde mudou cinco nomes no 11 inicial em relação à final Paulista. Do banco vieram mais três jogadores que não estiveram no gramado do Itaquerão três dias antes, totalizando 19 atletas utilizados em dois jogos.

As modificações serviram para descansar uns, dar minutos de jogo a outros e testar alternativas. Tudo isso dentro de um modelo de jogo que Roger vem construindo desde a pré-temporada. Por isso o Palmeiras não teve mudanças drásticas na forma de jogar, mesmo tendo mudado meio time. Saem os jogadores, mas a ideia central permanece. A forte pressão sobre a saída de bola rival, um dos principais elementos do jogo palmeirense em 2018, esteve bem presente e a partir disso o Palmeiras impôs seu jogo contra o Alianza Lima. Iniciando num ritmo muito forte, da forma que agrada seu treinador, o Verdão pressionava, roubava e acelerava. Com 10 minutos o placar já marcava 1 a 0.

Os peruanos não diminuíam os espaços, muito menos conseguiam conter as investidas alviverdes. O principal caminho era o lado direito da defesa, onde o lateral José Cotrina foi superado durante os 90 minutos. Por ali Keno esteve incontrolável com seus dribles, além de oferecer movimentos para arrastar o defensor adversário e abrir espaços para quem vinha de trás. Soou óbvio quando o Palmeiras chegou ao segundo gol justamente por este setor. O Alianza Lima não ofereceu grande resistência, muito menos levou perigo a meta de Jaílson, o que não diminui a vitória tranquila do time paulista.

De positivo, a estruturação das ideias de Roger Machado, que vão ganhando corpo com o decorrer da temporada, e algumas boas exibições individuais: Antônio Carlos, cortando as poucas chegadas peruanas e protegendo seu pedaço de campo; Lucas Lima, participando da saída de bola, distribuindo e atacando espaços; Moisés, distribuindo de trás com Felipe Melo e chegando à frente, se infiltrando por fora, não entre os zagueiros. O asterisco fica por conta da falta de letalidade. O Palmeiras criou para golear, finalizou 20 vezes e perdeu várias chances. Não fez falta contra o Alianza, mas é preciso acertar o pé nos próximos duelos contra o Boca Juniors.

Cruzeiro 0 x 0 Vasco – Sensações distintas

Em termos de tabela, o empate no Mineirão não foi um desastre para Cruzeiro e Vasco, já que Universidad de Chile e Racing também empataram. Os brasileiros seguem a três pontos dos rivais, tendo duas partidas seguidas contra eles para fazerem sua parte e se colocarem na disputa para a reta final. No entanto, mineiros e cariocas saíram de campo com sensações bem diferentes. O Vasco, brasileiro menos badalado da Libertadores, deu mostras de que pode ser bastante competitivo; o Cruzeiro, com um trabalho de anos e muito investimento, precisa evoluir.

O Cruzeiro teve 10 ou 15 minutos em que foi dominante e realmente perigoso. Começou muito forte, acelerando e agredindo a defesa vascaína. Poderia ter feito 1 a 0 se tivesse caprichado mais na definição dos ataques. Depois que o Vasco se acertou, o Cruzeiro pouco fez. Wellington e Desábato impediam que os mineiros jogassem pelo centro, tirando Thiago Neves e Robinho das regiões mais perigosas do campo. Embora Mano Menezes tenha optado por ter um quarteto ofensivo mais móvel sem um centroavante, sua equipe nunca chegou a ter dinâmica nos últimos metros do campo.

Diferente do Vasco, que conseguia achar Riascos nas costas dos volantes e completar passes na intermediária de ataque. Paulinho foi aparecendo como principal direcionador do jogo vascaíno neste setor, conectando os homens de frente com os de trás e fazendo os ataques fluírem com mais velocidade. A contusão do garoto tirou muito da produção ofensiva do time de Zé Ricardo, que seguiu muito consistentes defensivamente.

Com o passar do tempo o Cruzeiro foi se resumindo a ataques pela esquerda, explorando o setor de Rafael Galhardo, elo mais frágil da defesa carioca. Terminou a partida com 39 cruzamentos, recorde do time nesta temporada, segundo dados do Footstas. O Vasco suportou bem o jogo aéreo com o criticado Paulão sendo responsável por cortar várias bolas alçadas na área.

O empate no Mineirão mostrou um Vasco defendendo bem sua área e ameaçando a partir das individualidades de Paulinho e Riascos, que vão se mostrando como fundamentais para este time. Uma equipe limitada, mas que pode competir contra os mais fortes, pelo menos quando não precisar tomar a iniciativa da partida. Ao Cruzeiro, falta repertório para enfrentar esse tipo de adversário. É preciso saber como criar espaços quando o oponente não os dá, e isso os comandados de Mano Menezes não souberam fazer.

Boca Juniors 1 x 0 Junior Barranquilla – Apenas o suficiente

O Boca Juniors soma mais de 260 partidas em Libertadores e só saiu da Bombonera derrotado 11 vezes, a última em março de 2013, para o Nacional. A estatística comprova a prática de que é dificílimo bater o Boca em sua casa. Alexis Mendoza, treinador do Junior Barranquilla, tinha um plano para esse desafio: controlar o ritmo da partida a partir da posse de bola. Para isso, Mendoza foi à campo num 4-3-2-1. Cantillo, Pico e Arias formavam um trio de meio-campistas, Teo Gutiérrez e Chará jogavam atrás do centroavante Ruíz.

Acumulando jogadores pelo centro, o time colombiano poderia ter linhas de passe e cadenciar a partida ao seu jeito. E funcionou bem com a conexão Cantillo-Chará. O primeiro participando ativamente da circulação de bola e acionando o segundo nas costas do meio-campo xeneize. Faltou a participação de Gutiérrez e Ruíz para transformar essa posse em ofensiva em situações de gol.

Por outro lado, o time colombiano sofreu quando não tinha a bola. Com Chará e Gutiérrez por dentro os laterais argentinos tinham espaço para fazer a saída e o Boca baseou todo seu jogo a partir dos lados. Aproximava o trio de meio-campistas do lateral e conseguia trocar passes para superar as linhas rivais, contando com um excelente Pablo Pérez comandando essa circulação com passes curtos e inversões. Assim o Boca Juniors iniciava a construção do ataque pela direita e invertia para finalizar no lado esquerdo, onde Pavón aguardava a bola bem aberto, pronto para a jogada individual, como no único gol da partida.

O Junior não teve resposta para isso e viu o Boca mandar no primeiro tempo. Só melhorou na segunda etapa, quando deixou a cadência de lado e foi mais objetivo com a posse. Conseguia acionar seus homens mais avançados e chegar na intermediária ofensiva, ameaçando os donos da casa. Os visitantes tiveram períodos de superioridade e poderiam ter empatado caso tivesse mais poder de conclusão na frente. O Boca demonstrou problemas para controlar a vantagem e esteve suscetível a ataques por fora, sendo sustentado pela boa partida de Goltz e Magallán no centro da defesa. Uma vitória magra, quase no limite, mas fundamental para não ver o Palmeiras disparar na liderança do grupo.

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.