Independiente e Racing: rivais de três brasileiros na Libertadores

  • por Michel Corbacho
  • 1 month atrás

Os gigantes de Avellaneda, Racing e Independiente, voltam a enfrentar clubes brasileiros em confrontos válidos por competições sul-americanas. Desta vez, as equipes de Coudet e Holan medirão esforços com o Vasco e Corinthians, respectivamente.

O Racing estreou na Copa Libertadores diante de um brasileiro, quando bateu o Cruzeiro no Cilindro de Avellaneda por 4 a 2. Destaque para Lautaro Martínez que marcou um hat-trick ou tripletaautor de três gols – na partida.

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O Independiente vai receber o Corinthians no Libertadores da América pela terceira rodada do Grupo G. O Corinthians lidera com quatro pontos, um a mais que o Independiente, que vai tentar superar a equipe brasileira e assumir isoladamente a liderança.

Ariel Holan e a manutenção de um estilo no Independiente

Apesar de perder algumas peças importantes, a exemplos do ex-capitão Nicolás Tagliafico e Ezequiel Barco, o Rojo consegue manter um estilo. Com a venda desses dois jogadores o Rojo colocou nos cofres algo em torno de 20 milhões de dólares (R$ 65 milhões). Assim, Ariel Holan pôde solicitar por alguns reforços que se encaixam no seu padrão de jogo.

Após se desprender dos seus principais jogadores, o Independiente voltou ao mercado e conseguiu bons reforços. Dois destes, com valores históricos para os cofres do clube: Silvio Romero e Fernando Gaibor, ambos contratados por 4,2 milhões de dólares.

Na Superliga Argentina o Independiente segue no pelotão de cima em perseguição ao líder Boca Juniors. Ariel Holan garante que a sua equipe ainda luta pelo título da competição, apesar do foco ser a Libertadores.

Atuando na maioria das vezes no 4-2-3-1, o Independiente busca manter a posse e pressionar aos adversários em seu mando de campo. O Rojo busca um estilo de jogo com protagonismo, rápidas trocas de passes e transição defesa-ataque com muita velocidade.

O Independiente atua no melhor estilo argentino. Em troca de passes com dinamismo, velocidade e qualidade técnica, alguns baixinhos bons de bola e uma defesa frágil nas jogadas aéreas. A variação tática é uma das principais características desta equipe. Por contar com jogadores polifuncionais, o técnico do Independiente varia a sua equipe taticamente conforme o decorrer das partidas.

Bustos, Meza e Gaibor são destaques no Independiente

Fabrício Bustos, Fernando Gaibor e Maxi Meza são os destaques do Independiente. Bustos pode atuar por toda faixa do lado direito e tem a companhia de Maxi Meza, que quando atua pelo setor, aumenta a força ofensiva do Rojo na direita.

Abaixo, o mapa de calor do lateral-direito Fabrício Bustos, um dos destaques da equipe de Ariel Holan, convocado para a seleção Argentina por Sampaoli, fundamental na composição ofensiva do Independiente.

No meio, Fernando Gaibor controla o jogo e oferece qualidade nos passes em favor da equipe de Holan. Gaibor é um jogador que atua como volante, mas tem muita qualidade para chegar mais a frente e finalizar bem de fora da área.

O Independiente deve ir a campo para enfrentar o Corinthians com Campaña; Bustos, Alan Franco, Figal, Gastón Silva; Torito Rodríguez, Nico Domingo; Maxi Meza, Fernando Gaibor (Leandro Fernández), Benítez; Gigliotti.

O Racing e a evolução sob o comando de Coudet

O Racing estreou bem diante do Cruzeiro e arrancou um empate contra a La U, no Chile. A equipe argentina dirigida por Coudet lidera o Grupo E com quatro pontos, três a mais do que o Vasco, adversário da próxima rodada pela competição.

Com a recente chegada do técnico, o Racing passou de uma fase complicada dentro das quatro linhas, assume protagonismo na Superliga Argentina, cresce o futebol apresentado em campo e se aproxima das primeiras colocações da competição.

A organização tática da equipe do Racing evoluiu de maneira incontestável desde a chegada de Coudet. A equipe atua em um 4-1-3-2 com bastante movimentação ofensiva, dinamismo dos homens de frente, além do trunfo em jogadas aéreas.

Entretanto, devido algumas ausências Coudet deve iniciar a partida em um 4-1-3-2 com Santiago Solari pela direita que entra por Neri Cardozo, lesionado. Nery Domínguez fará a função de “primeiro volante” com uma linha de três a sua frente, formada por Solari, Zaracho e Ricky Centurión. Mais a frente, Lautaro Martínez, destaque da equipe, atuará ao lado de Licha López.

Setor ofensivo é o destaque do Racing de Coudet

Quando a equipe tem a posse e chega ao campo de ataque, faz muito bem e com velocidade pelos lados do campo. As constantes movimentações de Ricky Centurión e Matías Zaracho pelo setor confundem a defesa adversária e dificulta a marcação dos homens que geram o jogo para o setor ofensivo.

Na frente, a dupla de ataque também demonstram movimentações. Lautaro Martínez se infiltra na área, tipicamente como um centroavante, enquanto Licha López, que faz o papel de “falso 9” abre muito os espaços no miolo defensivo adversário, ora caindo pela direita, ora pela esquerda, para que Martínez consiga mais espaços e melhor posicionamento para finalizar.

Como demonstra a imagem acima, na vitória do Racing por 4 a 0 diante do Huracán válida pela Superliga Argentina. Na ocasião, podemos perceber a movimentação de Lisandro López, que mesmo dentro da área, abre pelo flanco esquerdo e busca o passe para Lautaro Martínez, que já se infiltra na área praticamente no “mano a mano” com um dos zagueiros do Globo.

É importante citar que o Racing chega, além da movimentação, com quantidade de jogadores no setor de ataque. Na imagem, conseguimos perceber também a progressão de Matías Zaracho, que inicia como um extremo pela direita, mas afunila bastante para pisar na área adversária.

Outro flagra que demonstra a movimentação de Lisandro López, que sai da referência entre os zagueiros, flutua pelos lados (na imagem pelo lado esquerdo) para que Lautaro Martínez se infiltre como um centroavante.

Além da movimentação de Licha López, destacamos as chegadas de Cardozo e Zaracho na linha ofensiva. Em tempos atuais, Cardozo se aproxima pelo centro, Zaracho pela direita e ainda conta com Centurión, o extremo esquerdo da equipe de Coudet.

Já destacamos que a movimentação dos homens de ataque é o principal trunfo do Racing e neste flagra, no gol de Centurión diante do Lanús, podemos notar avanço em velocidade de Zaracho pela direita que procura Lautaro Martínez no centro da área, porém a bola chega até Centurión, que invade a área por trás da marcação do defensor e empurra a bola para o fundo das redes.

Porém, o sistema defensivo do Racing ainda não transmite confiança

O sistema ofensivo do Racing demonstra muita qualidade, porém a defesa ainda não está com a mesma organização. Alexis Soto pelo lado esquerdo é um ponto fraco na marcação da equipe. Em busca de uma melhora no setor, Coudet pode optar por Gonzalo Piovi, mas seguro no quesito defensivo.

No flagra acima, o Lanús avança com os seus alas e a “pelota” sai da esquerda, cruza toda a área, até chegar ao ala direito, que encontra espaços nas costas do lateral-esquerdo Alexis Soto para se infiltrar e finalizar.

O Racing se defende em um 4-4-1-1 com a recomposição dos homens de lado. Por dentro, como uma dupla de volantes (na Argentina se chama “doble 5”) e tenta forçar na marcação com Nery Domínguez, único volante com mais características defensiva da equipe, ao lado de outro que possui mais qualidade ofensiva e menos poder de marcação.

O Racing tem muito do que exige a Copa Libertadores, porém não é tudo! A equipe de Coudet carece de uma força física no meio de campo, o que enfraquece o poder de marcação da equipe no setor.

O trabalho de Eduardo Coudet a partir de então é conseguir encontrar um equilíbrio entre o seu eficiente setor ofensivo e o sistema defensivo, que ainda apresenta falhas imperdoáveis para chegar longe em uma competição de Libertadores da América.

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Apaixonado por futebol, em especial, o praticado na América do Sul. Analista de Desempenho no Táticas Bahia, Colunista no Doentes Por Futebol e Comentarista Esportivo na Rádio Football Total. Contato: [email protected]