Nas Canchas da Libertadores #4

  • por Lucas Sousa
  • 4 Meses atrás

Nesta quarta semana de Libertadores o Grêmio foi até Assunção e empatou com Cerro Porteño, líder do grupo A da Libertadores 2018. Já o Corinthians conseguiu uma grande vitória contra o Independiente, na Argentina, e encaminhou sua classificação para a próxima fase. Também em Avellaneda, o Vasco foi atropelado pelo Racing por 4 a 0 e está em situação complicada para chegar às oitavas.

Cerro Porteño 0 x 0 Grêmio – Renato assumindo o controle

Maicon e Arthur formam a dupla de volantes de mais controle no Brasil. Passes curtos, ritmo, movimentações inteligentes e linhas de passe constantes, com os dois a proposta do Grêmio de ditar o ritmo da partida fica mais fácil. Em Assunção, Maicon foi poupado e Jaílson esteve alinhado com Arthur. Contra um Cerro Porteño que gosta da posse, isso representou menos controle para os gremistas e um primeiro tempo perigoso para o tricolor.

A começar pelo trabalho de Candia sobre Arthur, que não deixava o camisa 29 conduzir sua equipe como de costume. Nos primeiros 45 minutos, o volante gremista esteve muito restrito ao início das jogadas, trocando passes com os zagueiros. Também porque o Cerro cortava essa conexão entre os encarregados da saída de bola e os quatro homens de frente. O Grêmio precisou forçar o jogo em bolas longas para Jael, que não garantiu muitos avanços. Somente Éverton, a partir de conduções e individualidades, era uma ameaça.

Do outro lado, os paraguaios tinham mais espaço para jogar. Com Palau organizando o time desde trás, os donos da casa chegavam próximo do gol de Marcelo Grohe. Rodrigo Rojas e Candia conseguiam receber entre as linhas gremistas e Churín era o pivô que permitia seus companheiros atacarem de frente. Embora o primeiro tempo tenha terminado com a posse dividida, o Cerro finalizou oito vezes contra três.

No segundo tempo o Grêmio era menos tolerante com a posse rival. Diminui os espaços no seu campo, pressionou a circulação e impediu as chegadas à sua área. A partir disso os gaúchos foram ganhando a direção da partida e passava a ameaçar nos contra-ataques. Do banco, Renato Gaúcho colocou mais lenha. Primeiro com Michel no lugar de Cícero, alterando para o 4-3-3 e negando ainda mais jogo para os meio-campistas adversários. E depois trocando Arthur por Alisson e Jael por Thonny Anderson, dando mais velocidade aos contra-ataques.

O Cerro Porteño não teve repostas às mudanças no Grêmio. Seus ataques eram menos elaborados e mais decididos nos cruzamentos, onde Geromel era dominante cortando tudo. Os comandados de Renato tiveram ainda mais chances de contra-atacar e poderiam ter chegado ao gol assim. Neste cenário mais caótico e aberto, Luan poderia ter definido a partida com suas leituras de espaço e chegada na área. Mas fica de muito positivo a consistente partida gremista sem dois dos seus pilares (Maicon e Luan) e as ótimas mexidas de Renato Gaúcho.

Independiente 0 x 1 Corinthians – Vitória ao estilo Corinthians

O Independiente tem bem definida sua forma de atacar. Adianta seus quatro jogadores de frente e os abastece a partir da linha defensiva e dos volantes. Este segundo grupo troca passes, roda a bola e espera o melhor momento para dar um passe vertical e armar o ataque. E quando isso acontece, os rojos são muito rápidos. Aceleram o jogo com triangulações rápidas, ataques ao espaço e jogadas individuais.

Acontece que o Corinthians também tem bem consolidado seu jeito de defender: por zona, mais recuado e formando um bloco com as linhas próximas. Os argentinos não tinham grandes espaços por onde poderiam correr, sendo contidos pelo bloco corintiano. Dessa forma o time de Fábio Carille conseguia cortar a conexão entre os dois setores do Independiente e, aproveitando do espaço entre eles, iniciar contra-ataques. E Rodriguinho brilhou nestas transições. Foi excelente com movimentos de apoio para receber e conectar Romero e Clayson por fora, tirando o time de trás e armando as saídas.

Sem tantas opções por dentro, os argentinos chegavam com triangulações por fora, sempre com a presença dos laterais. Bustos esteve bem nesses apoios, tabelando e fazendo ultrapassagens. Assim vieram as melhores chances dos donos da casa, que até poderiam ter chegado ao gol atacando desde os lados. Mas o Corinthians resistiu bem, especialmente com Balbuena, que cortava todas as bolas que cruzavam sua região.

Os corintianos seguiram sólidos até o fim e chegaram a vitória com Jádson. Rodriguinho bloqueou o zagueiro como se estivesse numa partida de basquete e o camisa 10 concluiu de cabeça. Vitória fundamental para o Corinthians, que abre três pontos de vantagem na liderança do grupo e recebe em casa os dois principais adversários no segundo turno. Principalmente, vitória ao estilo Corinthians, com solidez defensiva e objetividade na frente.

Racing 4 x 0 Vasco – O algo a mais da Libertadores

Zé Ricardo conhece a fragilidade da sua defesa. Seus zagueiros não são paredões no mano-a-mano e muito menos têm leitura na proteção dos espaços. Os laterais também não oferecem grande proteção e concedem a linha de fundo ao adversário com alguma facilidade. Diante disso, um adversário como o Racing representa um tormento para o Vasco. Porque o time de Eduardo Coudet é pura objetividade, busca ser profundo a todo instante, forçar a bola em cima dos defensores e não para de martelar nisso enquanto não soar o apito final.

Dado este cenário, Zé Ricardo apostou em guardar a área para tirar a profundidade do ataque argentino. Largou o 4-2-3-1 e reforçou a entrada da área com Bruno Silva por trás dos titulares Wellington e Desábato. Assim os pontas poderiam voltar até o fim com o lateral adversário, mantendo a linha defensiva organizada, e o time continuaria com a proteção por dentro. Na prática, o Vasco se defendia no 6-3-1.

O cruz-maltino nunca conseguiu lidar com as conduções de Saravia para cima de Henrique e Evander, o que rendeu dois pênaltis aos locais, mas sobreviveu aos 30 minutos iniciais no ambiente hostil de Avellaneda. Aos poucos foi se apegando mais à posse, trocando passes e chegando ao campo adversário. Aproveitava dos espaços cedidos pelo Racing, conseguia mover os defensores e criava oportunidades de finalização. Mas parou num dos principais problemas do time: a definição dos ataques. O time vascaíno até chega próximo ao gol adversário, só que não transforma isso em gols. E o Racing cobrou caro. Marcou duas vezes em sequência quando o Vasco vivia seu melhor momento na partida e o tirou completamente do jogo.

A partir daí não teve mais disputa. Só o Racing jogou e castigou o Vasco com sua profundidade. Zaracho marcou o terceiro em um contra-ataque rápido e Saravia sofreu mais um pênalti depois de ganhar a linha de fundo, agora com Lisandro López indo às redes. Ao Vasco falta esse “algo a mais” para competir nas noites grandes: concretizar quando tem chance, manter a concentração durante todo o jogo e não se desestabilizar mentalmente após um golpe.

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.