Nas Canchas da Libertadores #7

  • por Lucas Sousa
  • 1 month atrás

Penúltima semana da fase de grupos da Libertadores 2018. No Equador, o Delfín derrotou  o Atlético Nacional e esquentou a briga pelas primeiras posições do grupo B. O Flamengo venceu o Emelec, se garantiu nas oitavas e agora vai brigar pela liderança na última rodada. Pelo grupo C, Libertad e Atlético Tucumán empataram e avançaram de fase.

Delfín 1 x 0 Atlético Nacional – Vitória na força

Delfín e Atlético Nacional estavam em situações opostas para a quinta rodada do grupo B. Os equatorianos jogavam a vida, podendo ser eliminados em caso de uma derrota. Já os colombianos chegavam com a possibilidade de selar a liderança da chave. O cenário fez o treinador Jorge Almirón escalar um Atlético sem alguns dos principais nomes, como Alexis Henríquez, Vladimir Hernández, Macnelly Torres e Dayron Moreno (estes últimos sequer viajaram para o Equador).

Em campo, os verdolagas nunca chegaram a ter uma exibição completa. Tinham uma boa saída de bola, como é natural das equipes de Almirón, mas não tinham continuidade no campo ofensivo. As recepções de Rentería as costas dos volantes não juntavam o time no ataque, tampouco as individualidades dos pontas apareciam como fator de desequilíbrio.

Muito por conta do grandioso trabalho defensivo dos mandantes. O Delfín sufocava os ataques verdes com muita pressão e força física. Nos duelos pelo espaço, os equatorianos usavam o corpo para se impor, dificultar o domínio de bola adversário e afastar o Nacional do seu campo. Perlaza foi o principal nome nesse sentido: pressionava, trombava e destruía.

O gol de Chicaiza acentuou esse cenário. Na segunda etapa, o Delfín não quis saber da posse e se concentrou em defender a vantagem. Ramírez comandou o Nacional na ocupação do campo de ataque, mas foi pouco. Os visitantes não conseguiam transpor a barreira levantada pelos homens de Fabian Bustos. Com 70% de posse no segundo tempo, os verdolagas chutaram 12 vezes, apenas uma na direção do gol de Ortiz. O jogo colombiano ficou reduzido a uma posse em forma de U, que roda de um lado para o outro e não fura a defesa, como sintetizou Almirón ao final do jogo: “Nos faltou profundidade. Creio que abusamos do jogo pelo meio, precisamos fortalecer outros recursos de ataque”.

Flamengo 2  x 0 Emelec – Acelerando para as oitavas

Mauricio Barbieri vai firmando suas ideias no Flamengo. Em 10 jogos apenas uma derrota, justamente quando não alinhou seu onze ideal. Com o que tem de melhor, o treinador rubro-negro mostra um norte, uma estrutura sobre a qual pode construir um time condizente com o elenco que tem. Na quarta de Libertadores, quando garantiu sua passagem às oitavas, o Flamengo mostrou suas armas e fragilidades.

A proposta de Barbieri é um time com bastante fluidez e verticalidade. Para isso, tem três jogadores mais fixos, que jogam a partir de suas posições, e outros três bem soltos, livres para interagir com o jogo e buscar a bola. Os três primeiros são Cuéllar, responsável pelo primeiro passe na saída de bola; Vinicius Junior, sempre bem aberto pela esquerda e buscando movimentos de profundidade; e Henrique Dourado, mais ligado à recepção de bolas longas e definição. Os três últimos são Lucas Paquetá, que tem muitas responsabilidades para levar o time à frente; Éverton Ribeiro, um ponta armador bastante ativo na construção; e Diego, o meio-campista com menos peso na elaboração e mais próximo do centroavante.

Essas movimentações, no entanto, ainda não estão perfeitamente ajustadas. Muitas vezes o Flamengo se separa, dificultando o jogo curto e acelerando demais a posse. Não por acaso os melhores momentos do time carioca contra o Emelec surgiram em transições, quando os jogadores encontravam mais espaços e podiam se conectar melhor. Por outro lado, isso expôs as debilidades de um sistema que privilegia tantos movimentos. O Flamengo concede espaços para o oponente contra-atacar e ainda demora para se recompor, tendo defendido com apenas seis jogadores (linha defensiva, Cuéllar e Paquetá) diversas vezes.

Para as oitavas, é importante que o Flamengo saiba dosar a velocidade da partida, controlar o ritmo com a posse. Diante do Emelec, foi veloz o tempo todo, agredindo e deixando ser agredido. Contra adversários mais fatais em jogos de mata-mata, muitas vezes isso é a diferença entre a vitória e a derrota.

Libertad 0 x 0 Atlético Tucumán – Sem riscos

O Atlético Tucumán foi até o estádio Nicolás Leoz em busca de um ponto histórico. Se não perdesse para o Libertad, garantiria a sua primeira participação nas oitavas de final de Libertadores em todos seus 115 de vida. A liderança era possível, mas “apenas” com uma vitória por seis gols de diferença. Em caso de derrota, poderia perder a segunda colocação para o Peñarol se os uruguaios vencessem o The Strongest (o que aconteceu). Diante disso, o plano do Tucumán foi se fechar para assegurar o pontinho do empate, já que a vitória não faria diferença em termos de classificação.

Para o Libertad, a única coisa em jogo era a possibilidade de terminar a fase de grupos como a segunda melhor equipe geral. Isso lhe daria a vantagem de decidir em casa qualquer confronto até a final, exceto contra o Palmeiras. Curiosamente, a vitória interessava mais ao time classificado do que aos que ainda jogavam pela vaga na próxima fase. Por todo esse cenário e pelo fator casa, o Libertad teve a iniciativa da partida.

Aldo Bobadilla montou seu Libertad no 4-4-2. Com Óscar Cardozo (1,93m) e Salcedo (1,83m) dentro da área, o time privilegiou as jogadas pelos lados, na tentativa de conseguir boas posições para cruzamentos. Para isso, Riveros fazia a saída de bola com os zagueiros, liberando os laterais para se juntarem aos pontas mais à frente. Este movimento esvaziava o centro do campo, onde só ficava Aquino, e direcionava o time mandante ao jogo por fora.

O Tucumán esteve bem preparado para se defender contra essas investidas. Juntava quatro homens no lado da bola (lateral, zagueiro, volante e ponta) e conseguia a superioridade numérica contra os três paraguaios (lateral, ponta e atacante) que lhe garantiu segurança durante os 90 minutos. Nem mesmo a expulsão do goleiro Sánchez, aos 39 do primeiro tempo, provocou mudanças drásticas no cenário da partida.

Enquanto o Libertad insistia no seu jogo pelas beiradas, Patrón seguia cortando as bolas lançadas para Bareiro e controlando o lado mais forte do adversário. Se as bolas chegassem à área, lá estava García cortando tudo. Apesar da massacrante posse de 72% na segunda etapa, o Libertad finalizou apenas sete vezes, demonstrando pouco interesse pela vitória. No final das contas, as duas equipes saíram satisfeitas com o ponto que levaram.

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.