Nas Canchas da Libertadores #8

  • por Lucas Sousa
  • 24 Dias atrás

Chegamos a última rodada da fase de grupos da Libertadores 2018. No Mineirão, o Cruzeiro derrotou o Racing e completou sua reação no grupo E terminando na liderança. Estudiantes e Nacional travaram um duelo pela segunda vaga do grupo F, que terminou nas mãos dos argentinos após muito esforço. No grupo G, o Corinthians, já classificado, recebeu um Millonarios ainda sonhando com as oitavas para a estreia de Osmar Loss.

Cruzeiro 2 x 1 Racing – 10 minutos para a liderança

O Cruzeiro precisava vencer o Racing para terminar o grupo E em primeiro lugar. Com 10 minutos de partida, o placar do Mineirão já marcava 2 a 0 para os mandantes. Mais uma vez Mano Menezes apostou por um ritmo altíssimo no início de uma partida decisiva. E, de novo, deu certo.

Com muitos homens no campo de ataque, o Cruzeiro pressionava a saída de bola argentina, forçava erros, recuperava no território rival e acelerava. Num desses roubos, Sassá perdeu cara-a-cara com Musso. Alguns minutos mais tarde, Lucas Silva interceptou o passe de Solari na intermediária argentina e finalizou para o segundo gol. Foram 10 minutos dominantes da equipe mineira, impondo seu ritmo, expondo as debilidades da saída rival e agredindo em direção ao gol. O Racing não conseguia lidar com a velocidade da partida, muito menos controlá-la.

A vantagem fez com o que o Cruzeiro recuasse. A partir dos 15 minutos até os 90, os argentinos tiveram a posse, terminando o jogo com 65% do tempo com a bola nos seus pés. Passado o golpe inicial, o Racing mostrou seu jogo. Cardozo e González comandando a posse desde trás, Solari e Centurión movendo por dentro, Lautaro Martínez dando profundidade ao ataque e Lisandro López conectando todo o time.

O time de Eduardo Coudet acumulava peças pelo centro buscando aproximações e atraindo a atenção do adversário, para então acionar os laterais que chegavam pelas beiradas. Lisandro esteve ótimo em tudo isso: buscava a bola, juntava o time, tabelava e abria para o lateral que estava chegando. Robinho e Arrascaeta estavam dispersos na recomposição, permitindo que o Racing levasse perigo com essas jogadas de lado e marcasse seu único gol no jogo.

Para a segunda etapa, o Cruzeiro consertou essa defesa das beiradas e reduziu o impacto da posse argentina. O time de Mano Menezes não controlava a partida, mas já não sofria como no primeiro tempo, quando o empate dos visitantes parou na trave de Fábio. Dedé, como tem sido costume, foi fundamental para o bloqueio cruzeirense funcionar e Arrascaeta conduziu ótimos contra-ataques aproveitando os latifúndios deixados pelo Racing. No entanto, em nenhum dos extremos o Cruzeiro mostrou contundência. Não matou nas chances que teve e deu oportunidade para o rival empatar. É algo a se observar para as oitavas.

 

Estudiantes 3 x 1 Nacional – Classificação na raça

A Libertadores tem algumas peculiaridades que a torna diferente de dos outros torneios. Uma delas é a propensão a reviravoltas. Um time pode cair do topo para o fundo do poço muito rapidamente, assim como pode se reerguer em alguns minutos. O Estudiantes começou a rodada como lanterna do grupo F, comandado por um treinador interino e com Otero, importante peça ofensiva voltando de lesão, no banco. Para piorar, levou um gol aos 4 minutos. E terminou como classificado às oitavas.

Ainda brigando pela liderança do grupo, o Nacional começou num ritmo muito alto. Pressionava a saída de bola pincharrata, forçava a ligação direta, recuperava e atacava rápido. A lenta zaga argentina sofria demais, especialmente nos cruzamentos rasteiros. Os uruguaios poderiam ter chegado ao segundo gol assim, mas definiam mal. Com a vantagem, o Decano se recolheu para o seu campo e deixou o Estudiantes ter a bola. O time do interino Leandro Benítez baseava seu jogo em lançamentos, disputa pela segunda bola e chegada dos laterais ao campo ofensivo.

Pavone apareceu bem neste cenário como receptor de bolas longas e permitindo a sua equipe reter a posse na frente. Ainda assim, o Estudiantes criava pouco. Com pouca elaboração e muitas bolas longas, batia na parede e não furava. A situação só mudou na segunda etapa, com a entrada do atacante Otero no lugar do volante Gómez. A modificação trouxe Lucas Rodríguez para o centro do campo e os mandantes passaram a circular melhor a bola. O camisa 9 oferecia jogo entrelinhas, conduzia o time ao ataque e fazia inversões para acionar as subidas dos laterais. Num desses lances, Sánchez cruzou para Melano virar o jogo.

O Nacional, entre defender a vantagem e tentar matar o jogo, não fez um nem outro. Não conseguia sair em contra-ataque e explorar a lentidão dos zagueiros argentinos em campo aberto, tampouco era uma rocha defendendo sua área. De tanto juntar homens no campo ofensivo e forçar a bola na direção da área do Decano, a equipe argentina conseguiu um pênalti aos 42 do segundo tempo. O 3 a 1 premiou uma equipe valente, embora desorganizada, que foi em busca da classificação improvável e heroica. O Nacional, que não soube proteger sua vantagem e controlar a partida, vai ter que se contentar com a Sul-americana.

Corinthians 0 x 1 Millonarios – Um novo início

Fábio Carille deixou o Corinthians na terça-feira à noite. Na quinta, Osmar Loss dirigia sua primeira partida como treinador corintiano, logo numa noite de Libertadores. O Timão já estava classificado, mas disputava uma melhor colocação entre os primeiros colocados. Já o Millonarios não poderia sequer empatar para tentar alcançar as oitavas, porque também dependia do resultado de Independiente e Deportivo Lara.

Com pouco tempo de trabalho, Loss optou pelo lógico e seguiu na linha de Carille. Levou a campo o 4-2-4 lançado pelo ex-treinador, com Jádson e Rodriguinho por dentro e Pedrinho e Romero pelas beiradas. O que se viu de diferente, e talvez possa ser uma mudança planejada pelo novo técnico, foi o ritmo dos ataques. O Corinthians foi muito vertical no terço ofensivo, sempre buscando definir as jogadas imprimindo muita velocidade.

Essa nova postura mostrou seus prós e contras. Diante de um adversário que marca com encaixes e perseguições mais longas, ou seja, com jogadores deixando suas posições para pressionar o rival, surgem os espaços que essa velocidade precisa. Por outro lado, quando a equipe não consegue definir a jogada, fica suscetível aos contra-ataques, já que os homens de trás não têm tempo para se adiantar e compactar a equipe. Isso também foi sentido diante dos colombianos. Com jogadores muito físicos, os visitantes buscavam o contato, roubavam a bola e contra-atacavam, já que havia muito espaço para isso.

Apesar da derrota, o Corinthians criou mais que o Millonarios. Teve a bola por 64% do tempo e finalizou 20 vezes, sete na direção do gol de Faríñez, desempenho que corrobora para a manutenção da ideia inicial. Para manter o nível competitivo do período Carille, Osmar Loss precisa, principalmente, polir os movimentos do seu ataque e ajustar a transição defensiva. Ainda assim, foram 90 minutos produtivos e que mostraram ideia promissoras para o desenrolar do ano.

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.