15 destaques alternativos da Copa

  • por Lucas Sousa
  • 10 Dias atrás

O sonho da Copa do Mundo 2018 já acabou para a maioria dos jogadores que foram à Rússia. Uns nem entraram em campo, outros passaram despercebidos, mas alguns fizeram um belo Mundial, mesmo não chegando tão longe, e merecem destaque por isso. Por isso, listamos aqui 15 destaques “alternativos” da Copa.

Esta não é uma relação dos melhores jogadores que já deixaram a Rússia, mas sim uma relação de nomes pouco badalados que brilharam independente do resultado de suas seleções. Ou seja, nada de Cristiano Ronaldo, Messi e companhia, aqui é uma oportunidade para dar luz a alguns jogadores mais desconhecidos que fizeram bonito no Mundial.

Abdullah Otayf (Arábia Saudita)

Quando Juan Antonio Pizzi assumiu a Arábia Saudita trouxe algumas mudanças profundas no estilo de jogo da equipe. A proposta por um jogo mais ofensivo, pautado na posse de bola, deu grande peso para alguns jogadores. O principal deles talvez tenha sido o volante Otayf.  Sendo o primeiro homem do meio-campo saudita, o camisa 14 foi o responsável por ordenar a circulação de bola dos asiáticos. Demonstrou ter bom passe, capacidade para superar a pressão adversária e cuidar da transição defensiva.

Nordin Amrabat (Marrocos)

O Marrocos tem um belo grupo de meio-campistas habilidosos. Seu treinador Hervé Renard não hesitou em juntar estes nomes e propor um estilo de passes curtos e velocidade. Mas foi um lateral/ponta que foi o destaque marroquino da Copa. Aos 31 anos, o multifuncional Amrabt viveu alguns dos melhores dias de sua carreira. Se aproveitando da mobilidade no centro do campo, ele voava pelo lado direito, sempre oferecendo uma via de ataque e profundidade pela beirada.

Alireza Beiranvand (Irã)

A vida de Alireza Beiranvand é daquelas que merece um livro. Vindo de uma família nômade, ele fugiu de casa, varreu praça pública e dormiu na rua para alcançar o sonho de jogar futebol. Não só alcançou o topo ao disputar uma Copa do Mundo como fez uma belíssima competição. Defendendo a seleção que mais foi pressionada pelos adversários, Beiranvand só foi vazado duas vezes, sendo um gol contra e um chutaço de Quaresma. De quebra, ainda defendeu um pênalti de Cristiano Ronaldo.

Trent Sainsbury (Austrália)

A Austrália ficou próxima de conseguir de repetir o feito de 2006 e alcançar as oitavas de final. Apesar de sair como último colocado do grupo C, os Socceroos jogaram bem e foram competitivos contra todos os adversários da chave. Um dos destaques foi o zagueiro Sainsbury. Mostrou ter bom senso de colocação e, principalmente, uma ótima capacidade para sair jogando. Causou grandes problemas para a França fazendo a saída de bola com qualidade e conectando os meio-campistas da equipe.

André Carrillo (Peru)

A seleção peruana teve uma dolorida eliminação na primeira fase do Mundial. Apresentou um futebol que tinha totais condições de integrar o grupo dos 16 países que disputaram as oitavas, mas pecou demais na finalização e acabou ficando na metade que voltou para casa mais cedo. Um dos destaques da campanha foi o ponta Carrillo. Jogador bastante agressivo com a bola, buscando acelerar com dribles e arrancadas, o camisa 18 teve grande importância nos ataques andinos. Era quem provocava desequilíbrios na defesa rival e ameaçava com sua velocidade.

Andreas Christensen (Dinamarca)

Aos 22 anos, Christensen estreou muito bem em Copas. Mostrou toda sua capacidade defensiva formando uma boa dupla de zaga com Kjaer, como também revelou sua versatilidade ao fazer duas partidas como volante. Em todas, demonstrou ótima capacidade para defender os espaços e proteger sua área. Foi muito bem contra Griezmann, controlando um dos principais jogadores que enfrentou.

Wilfred Ndidi (Nigéria)

A Argentina ficou muito próxima de sair ainda na fase de grupos e, se isso acontecesse, o volante Ndidi teria grande participação eliminação. Diante dos argentinos, o nigeriano foi excelente fechando o centro do campo e tirando a tranquilidade dos já nervosos sul-americanos. Ele é uma máquina pressionando o adversário e recuperando bolas para sua equipe. Não à toa terminou a fase de grupos como o líder em desarmes e interceptações, o que ilustra bem suas virtudes.

Gylfi Sigurdsson (Islândia)

A estreante Islândia contava com seu jogador mais importante para fazer bonito na sua primeira Copa do Mundo. E ele não decepcionou. Gylfi Sigurdsson fez uma competição espetacular, entregando tudo aquilo que seu time precisava. Acelerava ou cadenciava de acordo com o momento, servia os companheiros e chegava para finalizar os ataques. Em resumo, a cada toque na bola do camisa 10 o time islandês parecia melhorar. Se não tivessem perdido tantas chances claras diante da Croácia, estariam nas oitavas. Ainda assim Sigurdsson merece estar entre os melhores meio-campistas desta fase.

Bryan Ruiz (Costa Rica)

A Costa Rica não apresentou grandes novidades entre os seus convocados para a Copa. No ciclo para o novo Mundial não surgiu nenhum “novo Campbell” e os Ticos foram para a Rússia com os mesmos destaques de 2014, evidentemente quatro anos mais velhos. Ainda que sem a capacidade física de antes, Bryan Ruiz mostrou sua qualidade. Ao melhor estilo “quem corre é a bola”, o camisa 10 costarriquenho distribuiu os ataques centro-americanos com ótimos passes e puxadas de contra-ataque. Em relação ao apresentado no Brasil, foi pouco, mas era o que dava para fazer.

Aleksandar Mitrovic (Sérvia)

A Sérvia tem a maior média de altura desta Copa do Mundo: 1,86m. Isso explica muito da opção por um estilo de jogo direto, buscando bolas longas e cruzamentos. Mitrovic, o centroavante da equipe e três centímetros superior à média, foi uma peça fundamental para que o jogo sérvio se estabelecesse. A partir da sua imposição física, o camisa 9 foi um tormento para os zagueiros adversários e criou diversas oportunidades de gol a partir dos cabeceios.

Héctor Herrera (México)

Apesar de cair nas oitavas (como sempre), a seleção mexicana apresentou um bom futebol na Rússia. Na fase de grupos, fez duas excelentes partidas, contra Alemanha e Coreia do Sul, jogando de formas distintas. Contra os alemães, venceu a partir dos contra-ataques, contra os sul-coreanos, uma grande vitória a partir da posse de bola. Nos dois cenários, Herrera foi incrível. Um leão roubando a bola, o volante mexicano destruiu inúmeras investidas rivais e iniciou contra-ataques para seu time. Mostrou uma excelente combinação de combatividade e qualidade técnica, elementos fundamentais para o México moldar seu estilo de jogo.

Jo Hyun-Woo (Coreia do Sul)

Se a Coreia do Sul caiu na primeira fase não foi por culpa do seu goleiro. Pelo contrário, Jo manteve os asiáticos vivos por muito mais tempo em todas as partidas. Arqueiro de muita elasticidade, reflexo e, porque não, excentricidade, o sul-coreano foi um dos melhores da posição na primeira fase da Copa. Mostrou ser bem seguro para sair cortando cruzamentos, rápido para reagir aos chutes e plástico para realizar defesas. No fim das contas, a seleção de Son Heung-Min foi a seleção de Jo Hyun-Woo.

Idrissa Gueye (Senegal)

A frustrante eliminação de Senegal, fora pelo critério de número de cartões, não deveria manchar a bela participação da equipe na Rússia. A melhor seleção do continente africano mostrou uma grande virtude defensiva, sendo capaz de alternar momentos defendendo no seu próprio campo e fases pressionando a saída de bola adversária. O volante Gueye foi ótimo nos dois casos. Com uma grande capacidade para pressionar o oponente, encaixotá-lo e recuperar a bola, ele puxou o meio-campo de Senegal no trabalho defensivo. Especialmente contra a Colômbia, quando o time sul-americano não conseguiu jogar, Gueye brilhou. E com um pouco mais de sorte (e disciplina) estaria no mata-mata do Mundial.

Juan Quintero (Colômbia)

A Colômbia não teve James Rodríguez nas melhores condições físicas, mas viu outro meia canhoto brilhar nos gramados russos: Juan Fernando Quintero. Baixinho, habilidoso e muito criativo, o meia colombiano fez um torneio maravilhoso. Colocou a bola em baixo do braço quando James não esteve em campo e orquestrou os ataques cafeteros a partir da sua canhota. Brindou a audiência com passes inesperados e momentos que, seguramente, ficarão como alguns dos melhores desta Copa do Mundo.

Gaku Shibasaki (Japão)

A seleção japonesa trocou de técnico a pouco mais de dois meses da estreia na Copa 2018. As dúvidas sobre um elenco que já não era dos melhores só cresceram, mas foram desfeitas quando a equipe entrou em campo. Comandado pelo volante Shibasaki, o Japão mostrou seu futebol de troca de passes e quase chegou às quartas. Seu camisa 7 foi o principal destaque: assumiu a saída de bola, comandou a circulação dos passes e foi a engrenagem que fez o time japonês andar. Um desempenho marcante de um meio-campista para ficar de olho na próxima temporada.

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.