Os espaços para Arthur no Barcelona

  • por Lucas Sousa
  • 2 Meses atrás

Arthur é uma das maiores revelações do futebol brasileiro na última década. Não só pelo talento evidente que demonstra a cada toque, mas porque ele é diferente dos outros. Um meio-campista completo, com ímpeto para defender, inteligência para entender o jogo e técnica para executar a demanda.

Sua ida para o Barcelona é tão desafiadora quanto oportuna. Apesar de assumir uma das maiores equipes da América do Sul com autoridade, a distância para os maiores clubes do mundo ainda é grande. Por outro lado, Arthur chega ao Camp Nou em uma época em que o time não só dará espaço para ele, como também precisará dos seus atributos para competir ao longo da temporada.

Na última temporada, Ernesto Valverde comandou o Barça ao título espanhol quase invicto (perdeu na penúltima rodada). Tão constante quanto a campanha foi o estilo de jogo catalão. Na sua temporada de estreia no banco blaugrana, Valverde se baseou em dois princípios: controle e Lionel Messi.

O primeiro se desenhava a partir de uma troca de passes cadenciada, de modo que o time estava sempre junto na hora de atacar. Quando a bola era perdida, os jogadores estavam agrupados e prontos para recuperarem a posse rapidamente. Assim o Barcelona 17/18 se caracterizou por um time de ritmo mais baixo e pouca verticalidade na posse. Quem trocava a marcha da equipe era Messi. Aguardando a bola nas costas dos volantes rivais, onde se sente mais confortável e é mais letal, o camisa 10 recebia e acelerava os ataques com as companhias de Suárez (jogando com o argentino por dentro) e Alba (sempre chegando ao ataque pela esquerda).

O Barcelona de Ernesto Valverde e a solidez defensiva

Defensivamente, Valverde seguiu com suas premissas de pressionar a saída de bola adversária. Muitos jogadores no campo ofensivo, encaixes sobre o rival e intensidade para recuperar a posse nas redondezas do gol oponente.  Aliado a isso, a já dita pressão pós-perda, o “perde e pressiona” que secava os contra-ataques rivais e os mantinha longe da área catalã (somente dois dos 36 gols sofridos pelo Barça foram em contra-ataques).

Arthur é um jogador que pode agregar em todas estas fases. Apesar de baixo (1,72m), usa muito bem seu corpo, esconde a bola e dificilmente é desarmado, um atributo fundamental para equipes que querem manter a posse. Tem paciência para circular a bola e tirar a velocidade do jogo nos momentos de cadencia, mas também é capaz de achar os companheiros (leia-se Messi) entre as linhas de marcação rival com um passe mais objetivo.  Não é desesperado para defender, sabe diminuir os espaços para depois tentar o bote, artifício importante para o estilo de pressão utilizado pelo Barcelona. Algo que vai ter que se acostumar é a esperar a bola. No Grêmio, tinha liberdade para se aproximar de quem tinha a pelota, já o Barça pratica um jogo mais estruturado onde a bola vai até os jogadores.

Diante disso, fica evidente que Arthur será peça importante no elenco barcelonista, ainda que não seja titular. No vídeo abaixo analisamos as posições que o brasileiro pode ocupar no Barça, como Philippe Coutinho influencia na sua utilização e o rótulo de “novo Iniesta”.

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.