Um trio para comandar o Flamengo

  • por Lucas Sousa
  • 2 Meses atrás

Gols, assistências e passes para finalização são algumas das métricas mais relevantes para avaliar o desempenho ofensivo dos jogadores. No Flamengo, elas são lideradas por três colunas da equipe: Lucas Paquetá é o goleador, Éverton Ribeiro se posta como garçom e Diego é quem mais coloca seus companheiros em condições de finalizar. O trio é o coração do rubro negro, quem bombeia o jogo para o resto do organismo vivo que é um time de futebol.

As ideias de Mauricio Barbieri para o Flamengo passam por aproximar seus três melhores jogadores e entregar a direção da equipe para eles. Com Paquetá, Diego e Éverton, os cariocas misturam elementos que produzem uma circulação de bola consistente, fluída e frutífera.

Lucas Paquetá impressiona pela postura, entrega e valentia que esbanja aos seus 20 anos. Um jogador que usa muito bem seu corpo para esconder a bola do adversário, girar e fugir da pressão. Costuma levar alguns puxões de orelha por abusar da sua qualidade em zonas perigosas, mas não se inibe com os erros, naturais para um jogador tão jovem, e não para de tentar. Assume responsabilidades (e riscos) na saída de bola flamenguista, buscando superar os rivais pelos dribles, passes ou movimentações inteligentes, e ainda chega na área para definir os ataques. Além de tudo isso, é bastante voluntarioso para defender. Corre, pressiona, dá carrinho… Falta a maturidade de quem tem dois anos de profissional para saber os momentos corretos de se lançar na direção da bola ou simplesmente guardar o espaço, mas o talento e a vontade já estão lá.

A experiência que falta ao camisa 11 está bem ao seu lado. Diego, aos 33 anos, vai se moldando à sua função no Flamengo. Não joga tão avançado como na temporada passada e nem produz tantos gols em relação ao último ano. Também porque tem em Paquetá (mais protagonista) e É. Ribeiro (mais adaptado) companheiros para dividir o peso ofensivo da equipe. Agora, Diego é o municiador do time, recebe a bola mais recuado e distribui. Passes curtos, passes longos, enfiadas de bola, inversões. Está de frente para o campo, tem visão ampla para encontrar quem está livre, seja perto ou longe. Se não tem os holofotes de outrora, carrega responsabilidades fundamentais para o time não estagnar.

Éverton Ribeiro completa o trio oferecendo uma dinâmica diferente. Mais à frente em relação aos outros dois, o camisa 7 oferece muito na definição das jogadas. Chutes de fora da área, cruzamentos, passes que rasgam a defesa ou dribles em direção ao gol, Éverton é uma ameaça constante quando está nos últimos metros do campo com seus variados recursos. Também é excelente em aproximações e tabelas, o que faz dele uma peça importante na construção dos ataques rubro negros. Deixa a ponta, recua e circula pelo centro do campo buscando a bola e se juntado a Paquetá e Diego para tirar o time da inércia. Tem uma capacidade destacável de superar as linhas de marcação do oponente com passes ou recebendo e dando sequência rapidamente, garantindo fluidez à circulação de bola carioca.

A partir deste trio, o jogo do Flamengo se desenvolve. No vídeo abaixo, falamos sobre a conexão dos três no sistema flamenguista, como outras peças se somam a isso e também sobre as pedras no caminho desta proposta. Confira:

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.