Richarlison: o passado, o momento e o futuro em conversa com o DPF

  • por Doentes por Futebol
  • 10 Dias atrás

Em grande fase, atacante valoriza momento e manda mensagem ao seu “eu criança”: “ele fez muito bem em nunca ter desistido”

Por Eryck Gomes

Maryland, dia 11 de setembro de 2018: o estádio é o imponente FedEx Field, casa do Washington Redskins, do futebol americano. Lá, um jovem de 21 anos ganha a primeira chance como titular da Seleção Brasileira. Bastaram 54 minutos para finalizar duas vezes, marcar dois gols e sofrer um pênalti – além de duas danças do pombo. O adversário, El Salvador, passa longe de representar um primor técnico, mas isso pouco importa para quem conseguiu realizar o sonho que a maioria das crianças brasileiras carrega: vestir a camisa amarelinha – que, na oportunidade, foi azul. A trajetória meteórica de Richarlison começou há três anos, após muito empenho do pequeno Rick, apelido de criança. E, se depender desse garoto, muitas conquistas ainda virão.

Na estreia como profissional, com 18 anos, em julho de 2015, também teve gol. Naquela oportunidade, o América-MG venceu o Mogi Mirim por 3 a 1, em partida válida pela 10ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B. Desde então, o garoto não parou de evoluir. Chegou ao Fluminense em 2016 e acumulou 19 gols e cinco assistências em 67 partidas – após 129 finalizações. Como todo grande jogador que desponta no Brasil, rumou para Europa. Requisitado pelo técnico Marco Silva, debutou em seu primeiro ano com o Watford e mudou de time junto com o comandante na atual temporada. A nova casa é o Everton, e o início não poderia ser melhor: três jogos e três gols. A moral com o treinador português – e com a torcida do clube inglês – só aumenta.

– É muito legal esse carinho todo [do torcedor], não imaginava que seria assim. Mas isso também é uma responsabilidade a mais pra mim, preciso manter o trabalho pesado e render nos jogos. É uma das formas que tenho para retribuir. O Marco Silva é um grande treinador e a atenção que ele tem com todo mundo é muito legal. Foi ele que me trouxe para a Inglaterra no ano passado, agora mostrou que confia no meu trabalho e quis a minha contratação também aqui no Everton. Sou muito grato pela confiança e me dou muito bem com ele. É um cara preocupado com os detalhes do jogo e tem me ensinado muita coisa.

Apesar das notáveis conquistas, há um longo caminho a ser trilhado pela frente. Neste sentido, Richarlison reconhece que tem se desenvolvido muito, como pessoa e dentro de campo. Chegar à Premier League é uma conquista que merece ser cultivada.

– Eu sempre procurei evoluir o meu jogo. Quando cheguei ao profissional, sabia que para conquistar meu espaço precisaria treinar mais do que os outros, estar acima em alguns aspectos. Foi isso que busquei desde o início e esse esforço sempre valeu a pena. As coisas vão acontecendo e dá pra perceber um pouco de evolução todos os dias. Agora, é um sonho que estou realizando. Era uma vontade minha vir jogar a Premier League. No ano passado, mesmo com outras propostas muito boas escolhi vir para o Watford e, agora, dou continuidade a esse trabalho aqui no Everton. Estou muito feliz e só posso retribuir essa benção trabalhando e fazendo o meu melhor, para estar sempre ajudando minha equipe e meus companheiros.

Posicionamento médio de Richarlison durante a carreira. Foto: Wyscout

O Everton encerrou 2017/2018 na 8ª colocação do Campeonato Inglês. Para a atual temporada, além de Richarlison, vieram reforços como Yerry Mina, Lucas Digne, André Gomes e Bernard. De 2010 até aqui, a melhor posição do clube foi um 5º lugar na edição 2013/2014. Mas as ambições para 2018/2019 são maiores.

– O principal objetivo é conseguir uma classificação bem melhor que a da temporada passada. Acho que conquistar uma vaga em uma das competições europeias e conseguir incomodar bastante na parte de cima da tabela é uma meta alcançável para o nosso time. Não tenho meta de gols. Claro que quero marcar o maior número de gols possível, dar assistências… Mas o objetivo, muito além do individual, precisa ser coletivo. Essa é a prioridade sempre.

Analisando onde está, Richarlison olha para trás e lembra com carinho do pequeno Rick, aquela criança que jogava bola nas ruas de Nova Venécia, município do Espírito Santo com cerca de 50 mil habitantes. O percurso até aqui não foi fácil, mas, se pudesse, enviaria uma mensagem para aquele menino, e não só. Toda aquela luta tem dado frutos.

– Eu diria que ele fez muito bem em nunca ter desistido do seu objetivo e por ter tido fé que as coisas dariam certo. É um meio muito complicado, uma competição enorme por espaço, mas graças a Deus e ao trabalho duro as coisas aconteceram. Por isso, diria pro Richarlison ainda moleque e pra todo menino que sonha em jogar bola pra não desistir e para manter a fé no seu potencial.

Em alta com o brasileiro que acompanha futebol, Richarlison é um daqueles jogadores que quebra a barreira da torcida. Carismático, une aficionados dos mais variados credos em um só coro. Ele ganha em satisfação, e o torcedor recebe em gols para a Seleção. O menino que um dia parava para assistir aos ídolos, hoje representa essa figura para muitos.

– Queria agradecer todo mundo pelo carinho, pela atenção que sempre tiveram comigo. Sempre procuro estar presente nas redes sociais, dar atenção ao pessoal, porque eu também já fui torcedor, já tive meus ídolos e espero estar sempre próximo de quem acompanha meu trabalho e torce por mim. Um grande abraço a todo mundo.

Richarlison menino

Foto: Arquivo pessoal

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