River x Boca: 10 jogos inesquecíveis!

  • por Rogério Bibiano
  • 17 Dias atrás

Neste sábado (24), mais um capítulo de uma das maiores rivalidades futebolísticas do Mundo será escrito, em um confronto centenário. A partir das 18 horas, com transmissão pelo Fox Sports, millonarios e xeneizes duelam pela final da Copa Libertadores da América 2018. E para mais de 100 anos de história, de uma rivalidade que iniciou no histórico bairro de La Boca, em Buenos Aires, Doentes por Futebol apresenta 1o Superclássicos inesquecíveis, entre tantos que compõe a história deste espetacular duelo de 110 anos.

O pênalti defendido por Roma

Pelo Campeonato Argentino de 1962, Boca Juniors e River Plate brigavam palmo a palmo pelo título nacional. Na penúltima rodada, as equipes se enfrentaram em La Bombonera. O brasileiro Paulo Valetim abriu o marcador para os xeneizes. A poucos minutos do final do jogo, os millonarios tiveram a oportunidade de empatar com com o também brasileiro Delem, que parou na defesa do goleiro Antônio “Tarzan” Roma, em lance que causou durante bom tempo, muita discussão pelo fato do goleiro boquense haver se adiantado para defender a cobrança. Com a vitória o Boca Juniors abriu dois pontos a frente do rival, confirmando o título na rodada seguinte.

A volta olímpica com água

Em 1969, o Boca Juniors era dirigido por ninguém mais, ninguém menos que Alfredo Di Stéfano, um dos maiores jogadores da história do River Plate e maior jogador da história do Real Madrid. A equipe xeneize chegava na última rodada do Campeonato Argentino precisando apenas de um empate, no Monumental de Nuñez para sagrar-se campeão. Para o River Plate apenas a vitória serviria para forçar um jogo-desempate e evitar que o maior rival desse a volta olímpica em seu estádio. O Boca abriu 2×0, com dois gols de Norberto Madurga. O River Plate foi buscar o empate, com Oscar Mas e Víctor Marchetti. Com o resultado a equipe auri-azul sagrou-se campeão e deu a volta olímpica em pleno Monumental. O fato é que enquanto os jogadores xeneizes comemoravam, os empregados do River Plate, irritados, abriram as torneiras de irrigação do gramado, molhando os felizes campeões boquenses.

O Superclássico mais louco da história

Não valia título e muito menos classificação, era apenas a primeira rodada do Torneio Nacional de 1972. Mas o dia 15 de outubro daquele ano, entrou para a história. Antes dos 10 minutos de jogo, o River abriu 2×0 com Ernesto Mastrángelo e Oscar Mas. Ainda na primeira etapa, o Boca virou o placar, com com gols de Hugo Curioni, Rubén “Mané” Ponce e Osvaldo “Patota” Potente. No segundo tempo, “Patota” fez o quarto gol xeneize e tudo parecia definido. Entretanto, o River Plate foi buscar a virada com novo gol de Oscar Mas e dois gols de Carlos Morete, o último no minuto final deste inesquecível River Plate 5×4 Boca Juniors.

O título do gol fantasma

Em dezembro de 1976, River e Boca decidiam pela primeira vez entre eles, um título na era profissional, em jogo disputado no Estádio do Racing Club, completamente lotado, com mais de 70 mil torcedores. Com um gol de Rubén Suñe, que acertou chute enquanto Ubaldo Fillol arrumava a barreira, o Boca Juniors conquistou aquele título. Curiosamente é que este gol não foi filmado, sendo “reconstruído” através de fotos e do relato dos torcedores que acompanharam aquele jogo, considerado pelos especialistas como a final mais equilibrada entre os dois rivais.

       Fillol apenas observa a bola morrer no ângulo, na cobrança de falta malandra de Suñe. (foto: reprodução)

Maradona em noite magistral

Pelo Campeonato Metropolitano de 1981, em uma La Bombonera castigada pela chuva e com muito barro, viu o talento de Diego Armando Maradona, disputando seu primeiro Superclássico e liderando a goleada por 3×0 do Boca ante o River. Após Miguel Angel Brindisi haver marcado os dois primeiros gols, Maradona marcou um dos gols mais recordados da história do duelo, com uma jogada que presenteou os torcedores presentes, demonstrando toda calma e classe, deixando Ubaldo Fillol e o zagueiro Alberto Tarantini estirados literalmente no chão, antes de complementar para as redes, em jogo que definitivamente colocou Maradona, no “Olimpo” boquense.

Alonso e a bola laranja

O River Plate já era o campeão do Torneio da temporada 1985/86 e visitaria La Bombonera diante de um Boca Juniors que vinha em alta, após um mal começo de torneio. Entretanto, a grande discussão da semana, seria se os millonarios iriam dar a volta olímpica antes do jogo. Em conjunto com esta polêmica, Hugo Gatti, goleiro do Boca, havia pedido para jogar com uma bola laranja, devido a grande quantidade de papéis picados que haveria no gramado. No dia do jogo, os jogadores do River Plate fizeram apenas uma meia volta olímpica, sem completar justamente no ponto em frente a barra brava do Boca. Com a bola rolando, Norberto Alonso, um dos maiores ídolos do River, fez dois gols, completando uma das tardes mais gloriosas da história do River no Superclássico.

A caneta de Riquelme e a glória de Palermo

Quartas-de-final da Libertadores da América de 2000 e ambos eram favoritos a conquista continental daquele ano. No jogo de ida, o River venceu por 2×1 (gols de Ángel e Saviola, com Riquelme descontando). Na semana prévia da decisão, o treinador dos millonarios, o folclórico Américo Gallego, fez piada sobre a eventual presença de Martín Palermo, que recuperava-se de uma ruptura dos ligamentos do joelho. “Se colocam Palermo, eu coloco Enzo Francescoli”, disse Gallego. Com a bola rolando, Marcelo Delgado abriu o placar para os xeneizes, Riquelme, de pênalti, fez o segundo e (pasmem) Palermo fez o terceiro. Um pouco antes do gol final, Juan Roman Riquelme deu uma “caneta” no colombiano Mario Yepes que entrou para a história, mais até que os gols do jogo.

A “galinha” Tevez, numa noite de penais

Quatro anos depois do famoso jogo pela Libertadores, os rivais voltaram a se enfrentar pela competição, desta vez pelas semifinais e por questões de segurança, sem a presença de torcedores visitantes. Em jogo carregado de polêmicas, com três expulsões, o Boca venceu com gol de Rolando Schiavi, deixando aberto o duelo. Na volta, um gol de Luis González e a expulsão de Fabián Vargas pareciam inclinar tudo em favor do River. Porém, Rubens Sambueza expulso e Ricardo Rojas lesionado, deixaram o River com nove jogadores, na reta final do jogo. O Boca aproveitou e empatou com Carlos Tevez, que foi expulso ao comemorar imitando uma galinha (termo pejorativo para os torcedores do River Plate). No último lance do jogo, Cristian Nasuti fez o segundo do River, levando a disputa para os pênaltis. Roberto “Pato” Abbondanzieri, defendeu a cobrança de Maxi López, calando o Monumental e garantindo os xeneizes em mais uma final.

O jogo do gás de pimenta

Em 2015, os maiores rivais do futebol portenho voltavam a se enfrentar pela Copa Libertadores. Boca chegava como favorito após haver vencido seus seis jogos na fase de grupos, enfrentando assim, um River Plate que vinha como o pior segundo colocado na fase de grupos. Entretanto, clássico é clássico e Superclássico então, nem se fala. No jogo de ida, no Monumental de Nuñez, os millonarios se impuseram ao vencer por 1×0, gol de Carlos Sánchez. Na volta em La Bombonera, o primeiro tempo terminou sem gols. No regresso para a segunda etapa, os torcedores do Boca jogaram gás de pimenta nos jogadores do River Plate, provocando uma confusão até então inimaginável e consequentemente a suspensão do jogo por parte da arbitragem. Após inúmeras acusações de ambos os lados, a Conmebol suspendeu o Boca Juniors, classificando o River Plate.

O primeiro jogo da final da Libertadores

Após muita polêmica, ao longo da competição; os dois clubes de maior torcida na Argentina, chegaram a final da Libertadores da América 2018, na primeira final argentina do torneio. No jogo de ida, em La Bombonera, o Boca Juniors saiu na frente com Ramón Ábila, porém, um minuto depois, Lucas Pratto igualou a partida. Nos acréscimos da primeira etapa, Darío Benedetto, de cabeça, colocou os xeneizes em vantagem. Na segunda etapa, a pressão do River Plate no jogo aéreo surtiu efeito em Carlos Izquierdoz, fez contra, deixando tudo em aberto para este sábado (24), no Monumental, em mais um capítulo da história de uma das maiores rivalidades do Mundo.

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Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.