Tudo sobre a Copa da Ásia – Emirados Árabes Unidos/2019

  • por Rogério Bibiano
  • 5 Meses atrás

A 17ª edição da Copa Asiática de Seleções ou Copa da Ásia, começou nesse sábado (5), prosseguindo até o dia 1º de fevereiro, nos Emirados Árabes Unidos, que sediam a fase final da principal competição entre seleções da Ásia, pela segunda vez na história (a primeira foi em 1996).

Este ano, a Copa Asiática de Seleções conta, pela primeira vez, com a participação de 24 seleções, divididas em seis grupos, com quatro times. Entre 2004 e 2015, a competição contou com a participação de 16 seleções em suas fases finais. País-sede da competição, os Emirados Árabes Unidos garantiram vaga diretamente. As demais 23 vagas foram disputadas, por 45 seleções.

As Sedes

Os oito locais para sediar os jogos são Zayed Sports City Stadium, Mohammed Bin Zayed Stadium e Al Nahyan Stadium em Abu Dhabi; Hazza Bin Zayed Stadium e Khalifa Bin Zayed Stadium em Al Ain; Al-Maktoum Stadium e Maktoum bin Rashid Al Maktoum Stadium em Dubai e o Sharjah Stadium em Sharjah.

As Eliminatórias

As Eliminatórias para a Copa da Ásia foram, pela primeira vez na história da competição, unificadas com as Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia/2018. Esta proposta foi apresentada pelas seleções visando justamente diminuir o número de jogos, entre as seleções asiáticas. A competição segue a tendência de outros torneios de aumento no número de participantes. Com isso, Iêmen (como nação unificada), Filipinas e Quirguistão disputam pela primeira vez a fase final.

Grupo A

Os anfitriões da competição (Emirados Árabes Unidos), chegam para sua décima participação em Copas Asiáticas. Em 1996, a equipe chegou a final, perdendo (em casa) o título para a Arábia Saudita. No total são 36 jogos, com 12 vitórias, oito empates e 16 derrotas, aproveitamento de 33%.

A equipe é treinada pelo italiano Alberto Zaccheroni que não poderá contar com o seu melhor jogador, o meia Omar Abdulrahman, em outubro pela liga local, sofreu uma lesão no ligamento cruzado do joelho direito e por este motivo está fora do torneio. As atuações discretas, que incluem inclusive uma derrota para Laos, colocam, neste momento o trabalho de Zaccheroni bastante contestado. Para tentar o inédito título as esperanças da equipe residem em dois jogadores-chaves, o atacante do Al Jazira, Ali Mabkhout, chuteira de ouro na edição 2015, é um jogador de muita explosão física. Outro jogador de destaque, é o capitão Ismail Matar, jogador extremamente experiente, com 125 convocações.

Ali Mabhout (7) é o principal atacante da equipe comandada por Zaccheroni (foto: Noufal Ibrahim/EPA)

Em ascensão no futebol asiático, a Índia retorna a fase final da competição após oito anos para sua quinta participação. Os indianos foram vice-campeões em 1964, na competição disputada (e vencida por) em Israel. A equipe é treinada pelo inglês Stephen Constantine, que tem experiência treinando seleções como Sudão, Malawi, Nepal, Ruanda, além de outras passagens pela própria seleção da Índia.

Os 23 convocados da Índia para a Copa da Ásia 2019

Constantine costuma armar sua equipe num 4-4-2, que lembra em muito o sistema de jogo antigo das equipes inglesas, com muitas bolas em profundidade e jogo constante com apoio dos laterais. Os jogadores-chaves desta seleção são: o goleiro Gurpreet Sandhu, de 26 anos; o defensor Sandesh Jhingan, de 25 anos e o grande destaque, o atacante Sunil Chhetri, experiente, com 34 anos, artilheiro indiano com 65 gols. Apesar do otimismo existente pelo retorno a competição, uma eventual classificação da Índia, deve ser considerada como “zebra”.

O “baixinho” Sunil Chhetri é o homem-gol dos indianos (foto: AIFF)

Terceira colocada em 1972, a Tailândia chega para sua oitava fase final da Copa Asiática de Seleções como azarão; sua última aparição nesta fase da competição foi em 2007. A equipe é comandada pelo experiente treinador sérvio Milovan Rajevac, que está a frente do grupo desde 2017. Na preparação para a competição, os tailandeses foram eliminados da Copa Suzuki pela Malásia, grande rival, mas que não conseguiu classificação para a Copa Asiática. Rajevac não poderá contar com o goleiro Kawin Thamsatchanan, lesionado.

Os 23 convocados da Tailândia para a Copa da Ásia 2019

Com a lesão de Thamsatchanan, Rajevac tem apostado no experiente goleiro Chatchai Budprom, que não foi bem na preparação e tem sido extremamente contestado pela imprensa tailandesa. Individualmente, o maior destaque é o meio-campista Chanathip Songkrasin, 25 anos e destaque da J-League (Liga Japonesa) atuando pelo Consadole Sapporo, onde integrou a seleção da liga, é o único jogador a atuar fora do país. No 4-2-3-1 de Rajevac, outro jogador merece destaque: o capitão Teerasil Dangda, comandante do ataque tailandês, com passagens pelo futebol japonês.

Chanatip Sogkrasin vem chamando a atenção de grandes clubes, jovem destaque tailandês (foto: reprodução)

O Bahrein vai para sua oitava participação em fases finais da Copa Asiática de Seleções. Quarto lugar em 2004, a equipe tem tido participações constantes na fase final da competição. A equipe, treinada pelo tcheco Miroslav Soukup, que tem armado seu time num 4-3-1-2.

Os 23 convocados do Bahrein para a Copa da Ásia 2019

Após chegar as semifinais da Copa do Golfo, que serviu como preparatório para a Copa Asiática de Seleções, jogando um bom futebol, os comandados de Soukup parecem terem conquistado a dose de confiança que lhes faltava. Com bons meias e atacantes (para os padrões asiáticos), o problema reside no frágil sistema defensivo, acostumado a tomar gols bobos. A esperança do time vermelho recaí sobre o artilheiro Abdulla Helal, de 25 anos, que atua no Bohemians (República Tcheca). Outro jogador de destaque da equipe é o capitão e experiente Abdulwahab Al-Safi, 34 anos, principal articulador das ações ofensivas da equipe.

O experiente Abdulwahab Al-Safi é o “dono” do meio-campo barenita (foto: reprodução)

Grupo B

Atual campeã asiática, quando sediou a competição; a Austrália disputa sua quarta Copa Asiática de Seleções, desde que filiaram-se a AFC, em 2007. Considerados um dos favoritos ao título, os australianos serão comandados por Graham Arnold, profundo conhecedor do futebol local, que assumiu o comando após a Copa do Mundo da Rússia/2018.

Os 23 convocados da Austrália para a Copa da Ásia 2019

Certamente, a força do conjunto australiano reside na experiência dos seus jogadores; dos 23 convocados, apenas três atuam no país. Lesionado, Aaron Mooy é ausência confirmada. Em relação a equipe da Copa da Mundo, a Australia de Arnold têm mais toque de bola, num 4-4-2, com dois marcadores centrais e dois meias que costumam jogar pelos flancos. Destaque para o goleiro Mathew Ryan, de 26 anos, que atua no futebol inglês, no Brighton & Hove Albion, um goleiro muito seguro. No ataque a esperança é o raçudo Mathew Leckie, que atua no Hertha Berlin (Alemanha).

Mathew Ryan faz jus a escola de bons goleiros australianos, sendo destaque do time (foto: reprodução)

Em sua sexta participação, a Síria esteve muito próximo de participar da Copa do Mundo, perdendo a vaga para a Austrália, em um duelo dramático. A equipe é treinada pelo alemão Bernd Stange, que assumiu o comando em fevereiro do ano passado. Sem poder reunir-se em território sírio para jogar e treinar e com um campeonato extremamente fragilizado, devido a guerra, a equipe síria tem a maioria dos seus jogadores atuando em equipes do Oriente Médio.

Os 23 convocados da Síria para a Copa da Ásia 2019

A grande pergunta que se faz no momento, é até onde a Síria pode chegar na competição? Situação que levanta mais dúvidas, levando-se em consideração a preparação da equipe, com jogos inconstantes. Os destaques da equipe são os meias: Omar Kharbin, eleito jogador do ano de 2017 da AFC, que atua no Al-Hilal (Arábia Saudita) e Mahmoud Al-Mawas, jogador do Umm Salal SC (Qatar), dois jogadores de muita visão de jogo e poder de finalização.

Intenso, Omar Kharbin representa em campo, o espírito de luta do povo sírio (foto: reprodução)

Em sua quinta participação, a Jordânia, treinada pelo belga Vital Borkelmans, ex-auxiliar técnico de Marc Wilmots, terá a missão de tentar conduzir os jordanianos às quartas-de-final, igualando as campanhas de 2004 e 2011. A missão entretanto não será fácil, uma vez que a equipe carece de talentos, principalmente de talentos defensivos.

Os 23 convocados da Jordânia para a Copa da Ásia 2019

Com apenas 21 anos de idade, principal revelação do futebol jordaniano, Musa Al-Taamari atua no APOEL (Chipre); jogador de muita habilidade e velocidade, atua pelos lados do campo de ataque e juntamente com o experiente goleiro, de 36 anos, Amer Shafi, capitão da equipe, são os destaques da Jordânia.

Experiente e líder do escrete jordaniano, Amer Shafi é o principal nome de sua seleção (foto: reprodução)

Completando o grupo, a Palestina participa de sua segunda Copa Asiática de Seleções. Sua estreia foi a quatro anos atrás, na Austrália, quando não passou da fase de grupos. Entretanto, a equipe treinada pelo argelino Noureddine Ould Ali espera ser a surpresa desta edição do torneio.

Os 23 convocados da Palestina para a Copa da Ásia 2019

A esperança dos palestinos, de avançar de fase, reside nas boas apresentações diante de Irã e China, durante a preparação para o torneio. Os destaques da equipe, são o camisa 10, Sameh Maaraba, meia de bom arremate intermediário, que ainda atua no futebol local, jogando Ahli Al-Khaleel, na Cisjordânia Premier League; assim como o bom defensor Abdelatif Bahdari, capitão do time e que atua no Markaz Balata.

Sempre firme e seguro, Abdelatif Bahdari (15) é a liderança em campo da Palestina (Foto: AFP)

Grupo C

Uma das favoritas ao título, a Coréia do Sul, disputa sua 14ª Copa Asiática de Seleções, buscando quebrar um jejum de 59 anos sem conquistar o principal torneio entre seleções da Ásia, repetindo assim o feito de 1956 e 1960. Quatro anos atrás, os sul-coreanos bateram na trave, sendo derrotados por 2×1 na final para a Austrália.

Os 23 convocados da Coréia do Sul para a Copa da Ásia 2019

Agora treinada pelo português Paulo Bento, que assumiu a equipe em agosto do ano passado, com um contrato até a Copa do Mundo de 2022, a seleção sul-coreana segue sendo um time de bom toque de bola, muita movimentação aliada a disciplina tática, atuando num 4-4-2 variável e costumeiramente letal quando se trata de contra-ataques. Ki Sung-yueng, de 29 anos, que atua no Newcastle (Inglaterra) é um meia criativo, que costuma coordenar as ações do meio-campo sul-coreano. O outro grande destaque e que vive ótima fase, é o meia-atacante do Tottenham Hotspur, Son Heung-min, peça fundamental da equipe.

Son Heung-min está entre os melhores meia-atacante do Mundo (Foto: Catherine Ivill)

Em sua 12ª participação, a China espera conquistar seu primeiro título continental, após dois vice-campeonatos (1984 e 2004). A equipe é treinada pelo campeão mundial, o italiano Marcelo Lippi, um dos treinadores mais vitoriosos do futebol mundial e que está atuando no futebol chinês desde 2012; na seleção já são duas temporadas completas.

Os 23 convocados da China para a Copa da Ásia 2019

Entretanto, Lippi segue suas “raízes italianas”, não ousando muito em relação ao sistema de jogo chinês, que atua num clássico 4-1-2-3, com muita marcação. Na preparação para o torneio, os chineses foram recentemente derrotados por Qatar e Iraque, o que ligou o alerta da equipe vermelha. Para tentar acabar com o jejum de títulos a equipe chinesa conta com o entrosamento do meia e capitão do time, Zheng Zhi e do atacante e artilheiro da equipe, Gao Lin, ambos do Guangzhou Evergrande.

Artilheiro da atual geração, o experiente Gao Lin é a referência de gols chineses (Foto: Reuters)

Debutando na competição, Filipinas certamente é candidata a terminar entre as últimas colocadas. Entretanto, os próprios filipinos sabem que o fato do país participar pela primeira vez é algo extremamente importante para a evolução do futebol no país, um crescimento que vem desde 2010.

Os 23 convocados da Filipinas para a Copa da Ásia 2019

O grande nome da seleção filipina está no banco; treinada pelo sueco Sven-Göran Eriksson, que desde 2013 vinha trabalhando na China e assumiu a seleção filipina em outubro do ano passado, num contrato de seis meses. Em campo, Eriksson contará com muitos jogadores naturalizados. Um dos destaques é o meia Stephan Schrock, de 32 anos, nascido na Alemanha e com passagens por Hoffenheim e Eintracht Frankfurt e que atualmente joga no local Ceres-Negros e que também coleciona inúmeras convocações pelas seleções de base da Alemanha. Outro meia de origem alemã de destaque na equipe é o jovem, de apenas 22 anos, John-Patrick Strauss, que atua no Erzgebirge Aue, após passagem pelo RB Leipzig.

O germânico-filipino Stephan Schrock (17) é um dos jogadores de maior experiência do time (Foto: Josh Albelda/ Rappler )

Também estreando na Copa Asiática de Seleções, o Quirguistão, nação que fazia parte da extinta União Soviética, vem evoluindo no futebol e o resultado é justamente sua primeira participação na principal competição entre seleções da Ásia. Entretanto, a equipe dirigida pelo russo Aleksandr Krestinin, ex-jogador que atuou durante toda sua carreira em equipes de pouca expressão do futebol de seu país e que como treinador, iniciou em 2013, tendo até aqui poucos trabalhos, incluindo uma passagem em 2014 pela própria seleção do Quirguistão.

Os 23 convocados do Quirguistão para a Copa da Ásia 2019

Krestinin têm ao seu comando alguns jogadores naturalizados da Alemanha, Rússia e de Gana. A maioria dos convocados atua no país e mesmo os que atuam fora, jogam em ligas de pouca expressão. Bakhtiyar Duyshobekov, 23 anos, que atua no desconhecido futebol de Bangladesh (Bashundhara Kings) é um dos bons valores, atuando pelo meio-campo. Outro destaque é o atacante Vitalij Lux, que joga no SSV Ulm (Alemanha).

Vitalij Lux (27) atua no futebol alemão e é um dos poucos com experiência internacional da equipe (Foto: Leifert)

Grupo D

Três vezes vencedor da Copa Asiática de Seleções (1968, 1972 e 1976), o Irã é uma das seleções favoritas para levar a edição 2019 da competição. No comando da seleção persa desde 2011, o português/moçambicano Carlos Queiroz, que já classificou a equipe para duas Copas do Mundo consecutivas, tem conhecimento e o grupo de jogadores em suas mãos. Desde a sua chegada ao comando da seleção, os iranianos evoluíram, especialmente no sistema defensivo, extremamente sólido.

Os 23 convocados do Irã para a Copa da Ásia 2019

Da equipe que fez boas apresentações na Copa, pouca coisa mudou. Queiroz segue escalando sua equipe num 4-2-3-1, que geralmente diante dos frágeis adversários asiáticos, costuma variar para um 4-3-3, mas sempre valorizando a solidez defensiva. Alireza Jahanbakhsh, 25 anos, é um meia que gosta de atuar pelos flancos do campo, jogador de ótima técnica, que atua no Brighton & Hove Albion (Inglaterra) e que juntamente com Sardar Azmoun, atacante de velocidade, que atua no Rubin Kazan (Rússia), para onde se transferiu após a Copa do Mundo, são as esperanças iranianas no torneio.

Alireza Jahanbakhsh é o sopro de talento criativo iraniano (foto: reprodução)

Em sua nona participação, o Iraque tentará, novamente fazer valer a força da sua história na competição e da mística da sua camisa. Campeão em 2007, em meio ao caos que tomava conta do país, fruto de uma sucessão de conflitos armados desde a Guerra do Golfo, numa história de superação dos seus jogadores. De lá para cá, o futebol iraquiano vem evoluindo, sempre com seleções competitivas em todas as categorias do futebol asiático.

Os 23 convocados do Iraque para a Copa da Ásia 2019

No comando da equipe, o esloveno Srecko Katanec, ex-jogador que marcou época atuando na Sampdoria (Itália) e na seleção da Iugoslávia e que desde 1996 trabalha como treinador, com passagens pelas seleções de Eslovênia, Emirados Árabes Unidos e Macedônia. Com contrato de três anos com os iraquianos, Katanec assumiu em setembro do ano passado e tem escalado seu time num convencional 4-4-2, com ênfase para o sistema defensivo. O esloveno tem a sua disposição um grupo com muitos jogadores atuando nas principais ligas do Oriente Médio. Entretanto, o principal destaque da equipe atua na Itália, o defensor Ali Adnam, que joga na Atalanta. Outro bom valor é o meia-atacante habilidoso Bashar Resan, de apenas 22 anos, que joga no Persepolis (Irã), onde foi um dos destaques do vice-campeonato asiático de clubes da equipe.

Primeiro iraquiano a jogar na Itália, Ali Adnan (3), é um dos líderes do Iraque (foto: reprodução)

Em sua segunda participação como nação unificada, o Vietnã retorna a competição após 12 anos de ausência. O futebol vietnamita vem em crescimento e a prova disso é o vice-campeonato asiático na categoria Sub-23, sob a tutela do treinador sul-coreano Park Hang-seo, que também comanda a seleção principal do país. Por este motivo, a média de idade da seleção vietnamita é de 23 anos, a mais baixa da competição. Soma-se aos bons resultados de 2018, a conquista da Copa Suzuki.

Os 23 convocados do Vietnã para a Copa da Ásia 2019

Assim, não é exagero algum, colocar o Vietnã, na lista como principal candidato a zebra desta edição do torneio, uma vez que a equipe é jovem, consequentemente veloz e talentosa, entretanto, a inexperiência é um fator a ser considerado. Com todos os convocados atuando no país, a preparação para a competição ficou mais facilitada e a aposta é justamente na força do entrosado conjunto. Nguyn Tin Linh, atacante de 21 anos, que atua no Becamex Binh Duong, é um jogador de futuro promissor e pode ser uma das revelações da competição.

O jovem Tin Linh é uma das promessas da renovada seleção do Vietnã (foto: reprodução)

Estreando na competição, a seleção do Iêmen chega aos Emirados Árabes Unidos apreensiva face aos fatores internos pelos quais o país vive, numa guerra civil que ainda não atingiu seu ápice e claro, isso pode influenciar negativamente no desempenho coletivo do time. O clima de instabilidade pelo qual o país vive, atingiu definitivamente a preparação da equipe, que jogou poucos amistosos.

Os 23 Convocados do Iêmen para a Copa da Ásia 2019

A equipe é comandada pelo eslovaco Ján Kocian, que assumiu o comando do time em outubro de 2018 e teve tempo para comandar a equipe em apenas três amistosos, diante de árabes, sauditas e sírios, ambos com derrota. Os destaques são: o meia e capitão dos iemenitas, Ala Al-Sasi, responsável pelo toque de criatividade, que atua no Al-Sailiya (Qatar) e Absulwasea Al-Matari, principal atacante do elenco e que joga no Dibba Al-Hisn (Emirados Árabes Unidos).

A criatividade do meio-campo iemenita está a cargo de Ala Al-Sasi (9) (Foto: reprodução)

Grupo E

Três vezes campeã (1984, 1988 e 1996), a Arábia Saudita chega para sua décima participação na Copa Asiática de Seleções, como uma das favoritas e buscando apagar a má campanha de quatro anos atrás, quando foram eliminados na fase de grupos. Comandados pelo argentino/espanhol Juan Antonio Pizzi desde 2017, que para a competição mantém a base do grupo que esteve na última Copa do Mundo.

Os 23 convocados da Arábia Saudita para a Copa da Ásia 2019

Pizzi promove quatro estreias nesta competição; no mais, um time que busca ter posse de bola, mas que possui dificuldades para criar oportunidades de gol. No período de preparação, pós-Copa do Mundo, os sauditas jogaram seis jogos, empatando quatro, vencendo um e perdendo justamente para o Brasil (2×0). Salem Al-Dawsari, que está emprestado pelo Al-Hilal ao Villarreal (Espanha) é o centroavante clássico e com bom poder de finalização, junto dele, Fahad Al-Muwallad, outro atacante atualmente emprestado ao futebol espanhol no Levante, pertencente ao Al-Ittihad, são as principais armas da equipe verde para reconquistar a Ásia.

Fahad Al-Muwallad é um dos bons atacantes da Copa da Ásia 2019 (Foto: Reuters)

País-sede da próxima Copa do Mundo, o Qatar espera fazer boa figura na Copa Asiática de Seleções. A equipe é treinada pelo espanhol Félix Sánchez, ex-treinador das divisões de base do Barcelona e que desde 2011 está no país comandando as seleções de base, portanto conhecedor do futebol local.

Os 23 convocados do Qatar para a Copa da Ásia 2019

Sánchez costuma escalar sua equipe num 3-4-2-1, foi assim que conquistou bons resultados ante Suíça e Islândia. Entretanto, notoriamente sua equipe encontra dificuldades quando atua ante adversários considerados do mesmo nível e até mesmo ante equipes inferiores. Akram Afif, 22 anos, é um atacante de boa movimentação e um dos bons jogadores do elenco, atua no local Al-Sadd e juntamente com o capitão Hassan Al-Haydos, seu companheiro de clube, formam uma boa e entrosada dupla, sendo os destaques do time qatari.

Líder e goleador, Hassan Al-Haydos é o principal atacante do Qatar (Foto: reprodução)

Após 19 anos, o Líbano retorna a Copa Asiática de Seleções, para sua terceira participação. Nas anteriores, os libaneses não conseguiram passar da fase de grupos. A equipe é comandada pelo montenegrino Miodrag Radulovic, que está desde 2015 junto a equipe. Entretanto, a imprensa e torcedores libaneses estão apreensivos, após os maus resultados durante a fase de preparação.

Os 23 convocados do Líbano para a Copa da Ásia 2019

Radulovic na derrota (3×0) diante da Austrália, no final de novembro, armou sua equipe num 5-4-1, sendo muito criticado pela imprensa local. Entretanto, diante de sauditas e qataris, a postura não deverá ser ofensiva, muito pelo contrário. A estrela da equipe é o atacante e capitão Hassan Maatouk, que joga no futebol local, no Nejmeh, assim como a maioria dos convocados. Jogador de boa técnica mas que sofre, geralmente jogando isolado a frente do ataque libanês.

Jogador de muita força física, Hassam Maatouk é o grande nome libanês (Foto: reprodução)

Em sua quinta participação, a Coréia do Norte busca melhorar a quarta colocação conquistada em 1980, na edição disputada no Kuwait. As conturbadas ações políticas também acabam por influenciar no futebol, com muito pouco intercâmbio por parte da nação norte-coreana. A equipe é dirigida pelo ex-jogador Kim Yong-jun, jovem treinador de 35 anos, que assumiu a equipe principal em 2018, após uma série de trabalhos nas seleções de base do país.

Os 23 convocados da Coréia do Norte para a Copa da Ásia 2019

A recente goleada sofrida (4×0) diante do Bahrein na preparação para a competição repercute com preocupação entre os norte-coreanos, que possuem dois jovens valores, ambos de 20 anos, que atuam no futebol italiano: o meia Choe Song-hyok, do Arezzo e o atacante Han Kwang-song, do Perugia, que, se jogarem, têm tudo para serem candidatos a revelação da competição. O destaque da equipe é o atacante Jong Il-gwan, emprestado pelo Luzern para o FC Wil (Suíça).

Jong Il-gwan (11) é o principal atacante norte-coreano (Foto: Xinhua)

Grupo F

Em sua nona participação, o Japão, maior vencedor da competição, com quatro títulos (1992, 2000, 2004 e 2011) e um dos grandes favoritos ao título de 2019, tentará a quinta coroa em sua galeria. A equipe é comandada por Hajime Moriyasu, que assumiu após a Copa do Mundo, depois de passagem pela seleção sub-23 japonesa.

Os 23 convocados do Japão para a Copa da Ásia 2019

Com uma geração talentosa e disciplinada, o Japão chega para esta edição da Copa Asiática de Seleções, certamente como uma das mais temidas seleções do continente. As lembranças do último Mundial na Rússia, quando fizeram grandes apresentações, deve sim serem levadas em consideração. Com muitos jogadores atuando na Europa, além de uma das Ligas mais fortes da Ásia. Sempre buscando a posse de bola, os japoneses possuem um grupo muito equilibrado, sobretudo um sistema defensivo muito sólido, onde Maya Yoshida, atleta do Southampton (Inglaterra) é o homem-chave; no meio-campo. Takumi Minamino, 23 anos, jogador do Red Bull Salzburg vem em ótima fase e deve ser o principal articulador ofensivo para o poder de definição de Yuya Osako, que atua no Werder Bremen (Alemanha) e é o goleador desta atual geração.

Bom cabeceador, Yuya Osako é o artilheiro da atual seleção japonesa (Foto: AFP-JIJI)

Quarto colocado em 2011, o Uzbequistão chega a sua sétima participação na principal competição de seleções da Ásia. Com um elenco bastante experiente e consequentemente rodado, a equipe é dirigida pelo argentino Héctor Cúper, que assumiu o comando técnico em agosto do ano passado (após ser demitido do Egito).

Os 23 convocados do Uzbequistão para a Copa da Ásia 2019

Sob a batuta de Cúper, foram seis jogos, com duas vitórias, dois empates e duas derrotas, a última no último amistoso, em novembro, diante da Coréia do Sul (4×0). O argentino tem tentado encontrar a melhor formação, em contrapartida vem sendo criticado pela imprensa local justamente pela falta de um time completamente titular, propriamente definido. Ao que parece, a equipe devderá jogar num 4-2-3-1; com destaque para o médio, de 22 anos, Odiljon Hamrobekov, que atua no futebol local, no FC Nasaf e do médio Odil Ahmedov, capitão e jogador do Shanghai SIPG (China).

O experiente Odil Ahmedov lidera, mais uma vez, o Uzbequistão (Foto: reprodução)

Em sua quarta participação, Omã tentará avançar para as quartas-de-final pela primeira vez. A missão entretanto é complicadíssima para os comandados do treinador holandês Pim Verbeek, que está na equipe desde 2016 e realiza um trabalho focado para classificar Oman à sua primeira Copa do Mundo, em 2022 no vizinho Qatar.

Os 23 convocados de Omã para a Copa da Ásia 2019

Os últimos amistosos no entanto, deixaram torcedores e imprensa local apreensivos, pois além das derrotas, a equipe não praticou um bom futebol. Verbeek não poderá contar com o goleiro Ali Al-Habsi, lesionado, foi cortado da delegação. Olho no jovem atacante Jamel Al-Yahmadi, de 22 anos, que atua no Al-Wakrah (Qatar). O destaque da equipe é o experiente jogador e capitão, Ahmed Kano, que joga no Al-Mesaimeer (Qatar) e aos 33 anos comanda as ações do centro-campo de Omã.

Jogador que mais vestiu a camisa de Omã, Ahmed Kano lidera seus companheiros (Foto: reprodução)

Fechando as 24 equipes, o Turcomenistão chega para sua segunda Copa Asiática de Seleções, após 15 anos ausente. Diante de seleções com mais rodagem, a equipe verde treinada pelo treinador local, Yazguly Hojageldyyew que além de dirigir a seleção, também treina o Altyn Asyr FK, equipe mais forte do país e base da convocação, com 11 dos 23 convocados.

Os 23 convocados do Turcomenistão para a Copa da Ásia 2019

Hojageldyyew deverá escalar sua equipe num 5-4-1 apostando tudo no sistema defensivo. O entrosamento de um grupo que praticamente joga junto durante toda a temporada é considerado fator primordial para tentar surpreender. Destaca-se o meia, que atua pelos lados do campo, com muita qualidade, Ruslan Mingazow, jogador do Pribram (Rep. Tcheca). Outro futebolista que chama a atenção na seleção turcomena, é o meia-atacante Arslanmyrat Amanow, que atua no Altyn Asyr, jogador de muita força física.

Arslanmyrat Amanow dotado de muita força física, é um dos destaques turcomenos (Foto: JP)

Os jogos

 

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Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.