FIFA define as finalistas do TheBest: Rapinoe, Bronze e… Morgan?

  • por Marcela Natra
  • 13 Dias atrás

Nesta segunda (2) a FIFA divulgou a lista do TheBest, premiação que escolhe os melhores do ano no futebol. Em ano de Copa do Mundo, não assusta ver que o desempenho na competição foi fundamental na hora da escolha. Após votação aberta ao público, três nomes aparecem em definitivo: Bronze, Rapinoe e para a surpresa de alguns, Alex Morgan. As duas primeiras com indicações incontestáveis, a última chegou até ali pelo público, deixando para nós muito o que questionar.

Quando Alex Morgan colocou os EUA na final da Copa do Mundo após marcar um belo gol de cabeça contra a Inglaterra, e tomou seu “chá”, aquela imagem correu o mundo muito mais do que qualquer outra já fez na história das Copas do Mundo Femininas. Seu nome foi o assunto mais comentado das redes sociais naquela semana, virando discussão e gerando artigos nos mais diversos portais. A popularidade da atacante deu um salto bem maior do que quando ela decidiu o maior jogo da história marcando nos acréscimos contra o Canadá naquela Olimpíada de Londres em 2012. Marcando na final ou não, ali ela já tinha se tornado um dos símbolos dessa Copa, tanto quanto é da sua seleção.

Foto: reprodução – Morgan foi destaque dos Estados Unidos na Copa do Mundo

Lucy Bronze, defensora inglesa que levou o Prêmio da UEFA, fez uma boa Copa do Mundo, ajudou a Inglaterra a chegar ao 4º lugar na mesma temporada que foi campeã da Champions League pelo Lyon jogando “o fino da bola”. Megan Rapinoe, co-capitã do EUA na Copa do Mundo, é a mistura do que chamamos de ídolo: talento, resultado e barulho. Rapinoe foi Chuteira e Bola de Ouro do mundial, fez (quase) todos os gols necessários para levar a USWNT até a final e ainda comprou briga com o Presidente dos Estados Unidos da América. Elas foram incontestáveis, é mais fácil encontrar quem ache que o Messi não merece estar entre os 3 neste ano do que alguém que questione a presença delas.

E Alex Morgan? Também capitã norte-americana foi Chuteira de Prata com 6 gols e Líder de Assistências do mundial ao lado das colegas Rapinoe e Mewis. Fez uma Copa excelente nas fases eliminatórias depois de gastar praticamente todos os seus gols contra a Tailândia na rodada 1 do Grupo F. Jogou um segundo tempo espetacular contra a França, respondeu os chutes, pisões, trombadas e cotoveladas das inglesas com o gol da classificação na semi e jogou a final muito bem. Mas teve uma temporada muito abaixo no Orlando Pride, cheia de lesões e principalmente com ausência do que uma atacante tem que fazer: gols.

Foto: reprodução – Rapinoe foi a melhor jogadora da Copa do Mundo

Nós temos que questionar a indicação de Alex entre as três finalistas. É impossível não olhar pra Miedema, Ada, Henry e a temporada incrível que elas fizeram e pensar que foi pior do que a da norte-americana. Mas não podemos delirar, fingir que a Copa da camisa 13 foi ruim, ou que futebol é só sobre o que acontece dentro de campo (talvez devesse ser assim nas premiações, mas nunca antes foi – Luka Modric está aí para não nos deixar mentir).

Foto: reprodução – Bronze foi campeã europeia com o Lyon

Prêmios são símbolos, símbolos entregues para pessoas que são símbolos. Isso acontece no esporte, no cinema, até mesmo no mundo acadêmico ou empresarial. Definir o que faz alguém melhor ou pior que o outro é uma tarefa deveras injustas já que nós temos parâmetros diferentes, quer seja por nossos gostos mais pessoais, ou pelo o que entendemos como “um bom jogador” ou critérios mais relevantes como Copa, Champions, campeonatos nacionais, números de gols, etc. São gostos e algumas vezes os gostos batem, quando isso acontece alguém recebe um prêmio.

Não passa por aqui nenhuma tentativa de defender a escolha da FIFA, ou justificá-la. Alex Morgan, como Serena, Sharapova, Hortência, Marta, já virou símbolo de algo muito maior do que ela. Carrega uma legião de fãs e admiradores, sejam pelos anos de ouro onde era mais fácil segurar uma locomotiva em alta velocidade do que parar a jovem atacante universitária, seja pelo discurso de igualdade e a coragem de peitar a Federação de Futebol dos Estados Unidos. Então quando nos perguntarmos “por que a Morgan está ali?” não vamos fingir que não sabemos a resposta. Ela está ali porque o público quis.

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Jornalista, apaixonada pela camisa blanca merengue, começou escrevendo sobre cinema até fundar o MeuMadrid e descobrir que as histórias que queria contar eram as do campo da bola.