No feminino, o Real Madrid tem muito a aprender

  • por Marcela Natra
  • 1 month atrás

O Real Madrid estava lá quando foi criado o primeiro campeonato espanhol. Estava lá quando foi criada a Champions League, a Copa do Rei, a Liga Europa, a Supercopa, a Supercopa da UEFA. É impossível contar a história do futebol europeu sem citar o Real Madrid. Eles sempre estiveram lá em tudo. Ou quase tudo!

Eles não estavam lá quando o futebol feminino tornou-se profissional, não estavam lá no primeiro campeonato, nem no segundo, ou terceiro, na Copa da Rainha, nunca tiveram uma única representante na Copa do Mundo – que já está na oitava edição. Eles nunca tiveram um time feminino. São 32 anos de atraso no futebol feminino espanhol. E 32 anos para quem nunca esteve acostumado a estar atrás é tempo demais.

Em sua estreia pela Liga Iberdrola, o C.D. Tacón, futuro Real Madrid Feminino a partir de 1 de julho de 2020, perdeu para o Barcelona pelo placar absurdo de 9 a 1. A diferença de gols reflete a diferença dos clubes; na experiência, no elenco, no costume com a competição e a categoria. No masculino, o Barcelona sempre esteve atrás da história do Real Madrid, a equipe blaugrana teve o melhor time do mundo, “Deus encarnou no Messi e foi jogar lá”, ganharam dois tripletes e a diferença que era de seis Champions, agora é de oito.

Foto: reprodução – Florentino Perez, presidente do Real Madrid

No futebol feminino o Real Madrid vai ter muito trabalho para correr atrás do prejuízo de ignorar por tantos anos uma categoria em crescimento. Se o Barcelona é o atual vice campeão da Europa, o Atlético de Madrid é o campeão dos três últimos títulos nacionais. Ainda há destaque para o maior campeão nacional, o Athletic Club. Bascos seguem a tradição da equipe masculina e só aceitam jogadoras bascas no elenco, ainda assim tem 5 títulos nacionais, um a mais que o Barcelona.

Se a situação na Primera División Femenina de España (atualmente denominada pelo patrocinador de Liga Iberdrola), não vai ser fácil, na Woman Champions League (Liga dos Campeões Feminina), se a equipe merengue quiser estar no topo dos maiores campeões, vai ter trabalho em dobro. Lyon domina a competição com seis títulos, tendo conquistado quatro nas últimas quatro edições. O forte investimento da equipe francesa as torna o melhor time de futebol feminino do planeta, e com uma considerável folga.

Para um clube do tamanho do Real Madrid, estrutura não é problema, dinheiro também não. Mas nem só de dinheiro e estrutura se faz uma equipe. É preciso acostumar com a categoria e saber que nem sempre o que funciona com eles, vai funcionar com elas. Com um investimento sério, não só em elenco mas também e principalmente em comissão técnica, oferecendo apoio e infraestrutura, é possível que em alguns anos o clube possa competir no mais alto nível do futebol feminino. Até lá alguns 9 a 1 podem voltar a acontecer, errar faz parte do processo de aprendizado, aprender com esse erro é importante para não voltar a repeti-lo.

Foto: site oficial – elenco atual do CD Tacón, futuro Real Madrid

A primeira derrota oficial do Tacon após a integração ao Real Madrid foi sem o emblema com a coroa dourada no peito, mas gerou provocações em sites, nas redes sociais e até no perfil oficial do maior rival. A partida não foi no Alfredo Di Stefano, estádio localizado dentro da CIudad del Real Madrid – centro de treinamento de todas as categorias do clube, mas os jornais da capital espanhola noticiaram em peso o jogo. Na próxima temporada a pressão será muito maior.

O futebol feminino pode até ganhar muito com a entrada de uma marca como o Real Madrid,, mas o Real Madrid ainda tem muito o que aprender com o futebol feminino.

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Jornalista, apaixonada pela camisa blanca merengue, começou escrevendo sobre cinema até fundar o MeuMadrid e descobrir que as histórias que queria contar eram as do campo da bola.