Os abraços de alívio

  • por Eduardo Madeira
  • 2 Meses atrás

Foi necessário esperar sete rodadas para vermos o Monaco ganhar pela primeira vez na temporada. Pouco, muito pouco para quem investiu alto e iniciou o Campeonato Francês almejando a volta às primeiras colocações e o retorno ao cenário europeu. O primeiro triunfo veio nesta terça, dia 24, sobre o Nice, no Derby da Costa Azul, por 3 a 1, tendo como grande nome Aleksandr Golovin. Dos pés do russo saíram dois gols e a assistência para o tento anotado por Wissam Ben Yedder.

Após a vitória, o Monaco divulgou em suas redes sociais um curto vídeo onde Golovin é recepcionado pelos mandatários do clube, o presidente Dmitry Rybolovlev e o diretor geral Oleg Petrov, e também pelo treinador Leonardo Jardim. As rápidas imagens publicadas pelos monegascos tem como ponto curioso o entusiasmado abraço que o técnico português dá no jogador russo. Um abraço que, digamos, fala muito mais do que qualquer declaração na entrevista coletiva pós jogo.

Jardim estava, sim, ameaçado no cargo. Sua saída já era cogitada no fim de semana, quando o Monaco viajou para enfrentar o Stade de Reims. Se perdesse, poderia ter caído. Com uma postura conservadora, buscando se segurar no posto, aguentou a pressão dos Vermelhos e garantiu o 0 a 0 graças a uma inspirada atuação do goleiro Lecomte.

Foto: reprodução – O técnico Leonardo Jardim

Três dias depois, veio a vitória no derby, que aliviou o português… Momentaneamente. Depois de receber o Brest na 8ª rodada, o Monaco terá uma dura sequência de partidas que vão indicar o caminho que deve seguir na temporada: Montpellier (fora), Rennes (casa), Nantes (fora) e Saint-Étienne (fora).

Para esta lista de partidas, Jardim tem como alvo claro a correção do sistema defensivo. Seu time só não sofreu gols em uma partida e foi vazado 15 vezes. Nenhuma equipe viu suas redes serem balançadas tantas vezes quanto o Monaco. Os 14 gols até a 6ª rodada havia quebrado um negativo recorde de 45 anos do clube.

Foto: reprodução – Golovin foi o destaque do time diante do Nice

Uma alternativa para tornar o sistema menos frágil foi vista exatamente nas últimas partidas, com a mudança para o 3-5-2, variando para o 5-3-2 na fase defensiva. Na vitória sobre o Nice, Jemerson, Maripán e Badiashile formaram a linha de três. Por fim, foi o jogo em que o Monaco menos recebeu finalizações: foram dez arremates das Águias, apenas três no alvo. Tudo isso tendo menos posse de bola e deixando o adversário trocar mais passes.

É o caminho a ser seguido. O Monaco corresponde no ataque, tem talento pra isso, mas peca na defesa. Jardim, se quer aumentar os abraços de alívio, precisa arrumar a cozinha antes de pensar em todo o resto.

Comentários

Jornalista formado e doente por futebol. Cresceu vendo Zidane e Henry encantando o mundo, mas aprendeu a gostar dos times franceses e suas particularidades. Viu PSG quando o 9 era Hoarau e o 2 Ceará e acompanhou todo o crescimento do futebol no país nos últimos anos sob os holofotes de Neymar e Mbappé. Semanalmente falando do futebol na terra do Hexágono.