Robert Lewandowski e seu lugar na história

Caso mantenha a média das cinco primeiras rodadas, Robert Lewandowski terminará a Bundesliga com 62 gols. Eu sei, isso é humanamente impossível. Mas o fato é que o polonês caminha para uma temporada de quebra de recordes. Algo que, para ser sincero, não surpreende quase ninguém. É aí que está o problema: a naturalidade com a qual lidamos com os feitos de Lewy chega a ser frustrante.

É sempre mais difícil medir a história quando ela é escrita diante dos nossos olhos. Neste contexto, Lewandowski é um paradoxo. Veja, todos reconhecem se tratar de um grande jogador. Mas há sempre um “mas” em seguida. Lewandowski é um grande 9, “mas não o melhor do mundo”. Lewandowski faz muitos gols, “mas joga na Bundesliga”. Lewandowski é da elite, “mas some em decisões”.

Talvez por isso, o polonês seja um completo invisível nas grandes premiações do futebol. Mas para que o real tamanho de Lewandowski não seja reconhecido somente quando ele pendurar as chuteiras, é hora de falar de Lewy sem restrições.

Lewandowski já é o maior 9 da história do Bayern de Munique desde Gerd Müller. Na semana passada, o polonês chegou à marca de 200 gols pelo clube bávaro – e só Müller precisou de menos jogos para atingir este feito. Na história da Bundesliga, Lewandowski soma um gol a cada 111 minutos, e novamente só o lendário Gerd ostenta uma média melhor (105 minutos/gol).

Com nove gols em apenas cinco partidas na atual edição, Lewandowski já é o quinto maior artilheiro da história do Campeonato Alemão. E certamente terminará a temporada no top-3, pois está a dois de alcançar Manfred Burgsmüller e a nove de Jupp Heynckes.

Aos 31 anos, Lewandowski é como vinho: melhora com o tempo. Silenciosamente, está cada vez mais completo. Seus recursos já não se restringem somente à grande área. No jogo de maior exigência desta temporada, contra o Leipzig, Lewy somou 46 intervenções na partida – um número mais do que expressivo para um 9 de ofício.

Também de forma silenciosa, a longevidade de Lewandowski na elite não é apenas um fenômeno da natureza. O polonês cuida de forma invejável do próprio corpo. Não à toa, em oito temporadas de Bundesliga, perdeu somente 16 jogos.

Casado com a nutricionista Anna Stachurska, Lewandowski já foi descrito por Guardiola como “o jogador mais profissional que já conheceu”, em virtude de sua obsessão pela alimentação, exercícios e descanso corretos, sempre a partir da orientação profissional de sua companheira.

Há quem diga que Lewandowski “some” em jogos decisivos, o que definitivamente não condiz com a realidade. Na história da Champions League, só três jogadores marcaram mais gols em mata-mata do que o polonês: Messi, Cristiano Ronaldo e o colega Thomas Müller.

Outros dizem que Lewandowski jamais se provou fora da Alemanha, mas esquecem que o Bayern é um dos maiores clubes do planeta e não cede aos caprichos dos interesses de outros gigantes. No verão de 2018, Lewy contratou o super-agente Pini Zahavi para facilitar sua saída da Baviera. Mas foi o Bayern quem venceu a queda de braço, e Lewandowski renovou com o clube até 2023.

 

Com um futuro absolutamente comprometido com o Bayern, quem sabe Lewandowski finalmente seja reconhecido como a lenda que já é. Há quem diga que, com um início de temporada tão prolífico, ele possa alcançar o insano recorde de 40 gols de Gerd Müller em uma única edição da Bundesliga.

Portanto, permita-se surpreender novamente com o que Lewandowski está fazendo diante de seus olhos. E não tenha medo em dizer: o lugar do polonês na história é entre os melhores que o futebol alemão já viu.

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Jornalista e autêntico doente por futebol, de olho até nos campeonatos mais obscuros. Cresceu vendo times como Werder Bremen, Stuttgart e Wolfsburg conquistarem a Bundesliga. Inspirado em Grafite contra o Bayern, vou dar a letra no que acontece no campeonato de melhor média de público do planeta.