A relação do treinador Marcelo Gallardo com a Libertadores

Marcelo Gallardo é para muitos o maior nome da história do River Plate. Desde que chegou ao clube, como treinador, em 2014, ele colecionou títulos. Ao todo ele soma 11 taças pelo clube, sendo duas Libertadores, uma Copa Sul-Americana e três Recopas Sul-Americana.

Hoje, tentaremos trazer um pouco sobre esse treinador, que irá virar estátua no Monumental de Nuñes, e que alcançou sua terceira final de Libertadores em seis anos.

O início

Gallardo, como meio-campista, atuou por River Plate, Mônaco, Paris Saint-Germain, DC United e Nacional, do Uruguai. Este último foi também onde ele iniciou sua carreira como treinador no ano de 2011, logo após pendurar as chuteiras.

Pelo clube portenho, Marcelo ficou pouco menos de um ano, lá ele conquistou o Campeonato Uruguaio (Apertura). Por motivos pessoais, na sequência do título ele decidiu não permanecer mais no Nacional.

No ano de 2014, Muñeco, apelido dado pela torcida do River, que significa “boneco”, em espanhol, assumiu o clube que já era ídolo desde a época de jogador. Começava ali uma das maiores trajetórias de um treinador sul-americano nos últimos anos.

Quando Gallardo assumiu o comando do River Plate, o clube estava sem vencer uma Libertadores desde 1996. Pior, havia retornado da segunda divisão nacional há pouco mais de um ano. E viu o maior rival, Boca Juniors, comandar o futebol continental no início do século.

Já no primeiro ano comandando o clube, o técnico conquistou a Copa Sul-Americana, o primeiro título do clube na segunda maior competição do continente, e que teve início em 2002. Nesta edição, o River eliminou a Universidad Católica, do Chile na primeira fase; passou pelo Godoy Cruz da Argentina na segunda fase; deixou o Libertad, do Paraguai para trás nas oitivas; e desbancou o Estudiantes nas quartas. Na semifinal o confronto contra o maior rival – algo que começaria a ser bastante comum em competições continentais -, vitória simples por 1 a 0 no segundo jogo e vaga na final. O título foi conquistado em cima do Atlético Nacional, empate em 1 a 1 no primeiro duelo e, vitória por 2 a 0 no segundo. Primeira taça pelo clube no armário.

O ano do Domínio

A segunda temporada no comando do River Plate começou em 2015 e com ela mais títulos vieram. Em fevereiro derrotou o San Lorenzo na Recopa Sul-Americana. Duas vitórias por 1 a 0, ambas com gols de Carlos Sanchez, hoje no Santos. Segunda conquista.

No mês seguinte, Conmebol e UEFA organizaram um torneio entre o vencedor da Sul-Americana de 2014 e o campeão da Liga Europa 2013-14. Em jogo único, realizado no Monumental, vitória por 1 a 0, com gol de Kaprof. Terceira taça em menos de um ano de comando técnico.

Entre fevereiro e agosto aconteceu a Copa Libertadores da América, competição que o clube não levava para casa desde 1996. Como havia sido campeão da Sul-Americana, o River entrou direto na fase de grupos. Na chave 6 enfrentou: Tigres do México, Juan Aurich, Peru e San José, Bolívia. Com apenas uma vitória, quatro empates e uma derrota, o time se classificou em segundo.

Naquela época os confrontos de oitavas de finais ainda não era por sorteio. Como teve a pior campanha de um segundo colocado, pegou o melhor primeiro. A fase seria marcada pelo confronto contra o maior rival. Previa-se dois grandes jogos entre os rivais históricos, aconteceu apenas um. Na ida vitória por 1 a 0. Na volta, a torcida do Boca jogou gás de pimenta nos jogadores do River na volta do intervalo, partida suspensa, e posteriormente os Xeneizes foram eliminados da competição por culpa do fato.

Nas quartas, classificação sobre o Cruzeiro. Derrota em casa por 1 a 0, vitória no Mineirão por 3 a 0. Na semifinal um adversário que estava incomodando muita gente – Cortinthians e Racing que o digam -, mas o Guaraní do Paraguai não foi páreo. Apenas três após retornar da elite, o River estava em uma final de Libertadores. O adversário seria o mesmo Tigres da primeira fase.

Como o Tigres era do México, país localizado na América Central, o regulamento da competição dizia que o segundo jogo deveria ser disputado na América do Sul. Na ida, 0 a 0. Na volta, com show de Alario e Sanchez, vitória por 3 a 0. Terceira taça da competição.

No mesmo ano, o River conquistou a Copa Suruga Bank e foi vice-campeão mundial, derrota para o Barcelona de Messi, Neymar e Suárez.

O tetra da Libertadores

No intervalo entre a conquista da Libertadores de 2015, até a final de 2018, o River levantou mais quatro taças. Recopa de 2016; Copa Argentina de 2015-16 e 2016-17 e a Supercopa Argentina de 2017.

Em 2017 o River Plate parou nas semifinais da Libertadores, foi derrotado pelo Lanús, que viria a ser o vice-campeão. No ano seguinte, os Millionarios caíram no grupo D, com: Flamengo, Santa Fé, da Colômbia e Emelec, do Equador. Com três vitórias e três empates, o clube avançou em primeiro.

Nas oitavas de finais confronto contra o Racing, 0 a 0 na ida e, 3 a 0 na volta. Nas quartas duelo contra o maior campeão da competição, Independiente (7 taças), 0 a 0 na ida e, 3 a 1 na volta. Nas semifinais confronto de peso, o adversário foi o Grêmio, que era o atual campeão. Vitória dos brasileiros no Monumental de Nuñes por 1 a 0, troco dado na volta, 2 a 1, vaga na final garantida.

A final seria histórica. Como muitos noticiaram: A final do mundo. River Plate e Boca Júniors decidiram pela primeira vez a principal competição do continente. No primeiro jogo, 2 a 2. No segundo, uma longa história. Devido a pedras arremessados por torcedores do River, a partida foi adiada por duas vezes, até ser transferida para o estádio Santiago Bernabéu. Vitória vermelha e branca por 3 a 1. Mais um faixa no peito, agora sobre o maior rival.

Legado

Gallardo é hoje o principal treinador sul-americano. Neste momento não entram argumentos contra, mas sim a favor. Um treinador que já era ídolo como atleta, retorna para virar uma lenda como treinador. Até mesmo torcedores do rival Boca Júniors já o pediram na seleção, visto a terrível fase que vive.

Muñeco já levantou 11 taças em pouco seis anos. Foi reverenciado por Pep Guardiola recentemente. É monitorado pelo Barcelona, que ultimamente não apresenta um belo futebol com Ernesto Valverde. Gallardo terá uma estátua para si no estádio Monumental de Nuñes nos próximos meses.

Ele chega a sua terceira final de Libertadores. Terá pela frente um Flamengo que vem encantando o futebol nacional. Mais que um jogo, será um duelo entre dois treinadores, Gallardo x Jorge Jesus. Quem ganha é você torcedor.

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Jornalista em formação no Centro Universitário da Serra Gaúcha, 21 anos. Amante do toque de bola do Guardiola e da intensidade dos times de Klopp. Messi e Cristiano Ronaldo não se comparam, se aprecia. Torcedor do Liverpool desde a derrota de 2007 para o Milan.