Ao escolher a Fiorentina, Franck Ribéry fez um bem a si mesmo e ao futebol

  • por Henrique Mathias
  • 19 Dias atrás

Franck Ribéry defendeu o Bayern de Munique durante 12 anos, atingindo um nível de exibição altíssimo e chegando ao topo do futebol mundial na temporada 2013/2014, quando venceu a Liga dos Campeões, foi eleito o melhor jogador da Europa e ficou entre os 3 melhores na bola de ouro. Pela equipe da Baviera, Ribéry realizou 424 partidas, tendo marcado 124 gols e conquistado 23 títulos.

Ao fim da ultima temporada, o Bayern anunciou que suas duas maiores bandeiras ao longo da ultima década, estavam deixando clube. Robbery, Robben + Ribery, estavam se separando e restava a curiosidade pelo futuro da carreira de cada um deles. Muito se falou sobre um retorno de Robben ao futebol holandês, seja pelo Gronigem ou pelo PSV, mas o antigo camisa 10 do Bayern resolveu pendurar as chuteiras e se aposentou. Ribéry por sua vez, recebeu ofertas do futebol chinês e da MLS, mas escolheu continuar na elite do futebol europeu e assinou contrato com a Fiorentina.

Não podemos classificar a Viola como time grande e é certo que depois de muito tempo  ele iria defender um clube que não entra nos campeonatos para disputar o título e nem mesmo figura nas grandes noites europeias. Contudo, ao optar por defender uma equipe muito tradicional dentro da velha bota, Ribéry escolheu também o futebol e os amantes do jogo. Um talento como o seu, com o peso do seu nome, engrandece uma liga, uma equipe e toda uma cidade. Ao ter ao seu lado um atleta como o francês, os jogadores da Fiorentina atingiram um outro nível de confiança e o ambiente no clube é nitidamente diferente dos anos anteriores.

Montella está escalando a Fiorentina no 3-5-2, com muita força e intensidade no meio-campo e uma dupla de ataque móvel, habilidosa e com enorme capacidade de desequilíbrio, com Ribéry e Chiesa lado a lado. Este começo de campeonato italiano, mostra que o tempo passou e o físico acaba cobrando alguém que se dedicou por tanto tempo ao mais alto nível, mas a mente de um jogador como Ribéry será sempre de elite e a qualidade técnica não precisamos nem comentar.

No ultimo domingo, a Fiorentina viajou até Milão para enfrentar o Milan e tivemos uma noite mágica para o futebol. Ribéry começou o jogo muito bem, encaixando uma sequencia de dribles pelo lado esquerdo e criando muito perigo ao sistema defensivo rival. Ainda no primeiro tempo, fez uma jogada sensacional pelo centro do campo, quando invadiu a grande área, deixou Conti e Musacchio falando sozinho com um único drible e finalizando para a defesa de Donarrumma. No rebote, Chiesa acabou sofrendo o pênalti, que Pulgar cobrou e fez o 1×0. No começo do segundo tempo, Ribéry novamente chamou Musacchio para dançar e dessa vez o zagueiro do Milan apelou. Entrada violenta na perna esquerda do Francês e cartão vermelho para ele.

O que já era uma atuação muito boa de francês se transformou num momento mágico. Chiesa arrancou pelo lado direito, deixou dois marcadores pra trás e rolou para Ribéry, que num único toque deixou dois defensores plantados no chão e bateu rasteiro para marcar o gol. Depois do gol ele foi aplaudido por boa parte do San Siro. Mas o momento maior viria quando Montella chamou Boateng para entrar no jogo e Ribéry foi o escolhido para sair.

O San Siro se levantou e de pé ovacionou o ex-jogador do Bayern. Que aos 36 anos de idade viveu mais um momento marcante na carreira – e em todo o planeta só podemos agradecer por sua escolha de se manter relevante, influente e jogando em grandes palcos – já que a MLS pode ser divertida e a SuperLiga da China tem muito dinheiro, mas momentos como os que Ribéry viveu no ultimo domingo são únicos e deixam o esporte mais belo.

Comentários

Curso história e sou apaixonado pelo futebol italiano desde 2005. Acompanhei assiduamente todo o processo complicado que foi Calciopoli, os anos sem investimento na Serie A e toda a retomada da Liga enquanto produto comercial nos ultimos anos. Gosto de falar sobre tática, mas amo ainda mais contar histórias.