O que esperar do trabalho de Stefano Pioli à frente do Milan?

  • por Henrique Mathias
  • 12 Dias atrás

Na ultima terça-feira, a passagem de Marco Giampaolo pelo Milan chegou ao fim. O treinador que vinha de um excelente trabalho com a Sampdoria, não resistiu ao começo ruim de temporada e acabou perdendo o seu emprego. Giampaolo chegou ao Diavolo carregando consigo muita expectativa, por um futebol intenso, agressivo e que potencializasse os bons talentos jovens que o clube possui em seu elenco. Contudo, entre não conseguir estabelecer suas ideias na cabeça dos atletas, o medo de bancar o seu esquema favorito (o 4-3-1-2) e os problemas enfrentados no controle pessoal dos jogadores, sua passagem por milanello foi um desastre. Esteve a frente do time em apenas 7 partidas oficiais, com 3 vitórias, e 4 derrotas, com 6 gols marcados e 9 sofridos.

O primeiro nome cogitado pela direção do Milan para assumir o comando do clube, foi Luciano Spalletti. Spalletti fez um bom trabalho com a Inter nas duas ultimas temporadas, classificando os nerazzurri para a Liga dos Campeões e preparando o terreno para a chegada de Antonio Conte. Ao pensar no ex-treinador de seu rival, a direção do Milan indicava uma busca por um treinador consolidado, competente e que sempre entrega o resultado que promete. Desde a temporada 2004-2005, Spalletti quase sempre colocou suas equipes na maior competição de clubes do planeta. Apenas em 2008/2009 com a Roma, falhou no objetivo em se classificar para a Liga dos Campeões.

Foto: reprodução – Giampaoli foi demitido do Milan

Contudo, existiram alguns impeditivos para o acerto entre Milan e Spalletti. O primeiro deles, é que quando um treinador é demitido no futebol italiano, o clube que optou pela demissão precisa arcar com os custos assinados até o fim de contrato de trabalho. Sendo assim, Spalletti ainda teria cerca de 15 milhões de euros para receber da Inter. O segundo ponto, é que para assumir um outro clube, ainda tendo esse vínculo com seu empregador anterior, o treinador deve abrir mão do que deveria receber e ai sim ficar livre para assinar um novo contrato.

Spalletti queria que a Inter pagasse 5 desses 15 milhões de euros que ele tem direito, com ele assinando o termino do vinculo e ficando livre para assumir o Milan. A direção da Beneamata não concordou e não existiu acordo entre as partes. Sendo assim, o Milan teve que pensar num plano B e se a primeira opção demonstrava uma sobriedade na escolha do novo comandante, o segundo nome evidencia mais uma vez a bagunça que é o Milan de hoje. Boban e Maldini pensaram em Stefano Pioli, outro antigo treinador da rival Inter e que vem de uma péssima passagem pela Fiorentina.

Se Spalletti é uma certeza competitiva, de Pioli já não podemos dizer a mesma coisa. Desde 2010/2011, quando assumiu o Bologna, apenas em uma temporada como treinador da Serie A, o novo comandante do Milan levou sua equipe a Liga dos Campeões. Foi em 2014/2015, quando a frente da Lazio, terminou o campeonato na terceira colocação. O problema é ainda maior quando analisamos sua passagem pela Inter, que acabou sendo um total fiasco e seu ultima trabalho com a Fiorentina, onde foi demitido depois de uma sequencia de 8 jogos sem vitória na liga italiana.

foto: reprodução – Stefano Pioli, ao lado dos diretores, assinando como novo treinador do Milan

Pioli assinou contrato de duas temporadas com o Milan na tarde de ontem e terá a missão de trabalhar a recuperação dos rossoneri dentro do campeonato. Mas como jogam as equipes de Pioli? Vamos tratar disso agora.

Pioli é conhecido por montar equipes com peças leves no meio-campo, uma aposta muito grande no jogo exterior e por priorizar o 4-3-3 como sistema de jogo. Normalmente, suas equipes trabalham uma construção mista, alternando entre saídas curtas com os laterais e a utilização da ligação direta com o centroavante. Em termos de construção ofensiva, o treinador gosta de priorizar um jogo bastante vertical, escolhendo um lado como lado forte e trabalhando a insistência pelo setor, até criar condições ideias para inverter a bola e acionar o ponta em lado contrário no 1×1 contra os defensores.

Suas equipes são conhecidas por uma forte transição ofensiva, subindo ao campo de ataque com muitas peças e trabalhando bastante as dobradinhas entre laterais e meias. Entretanto, outro traço ainda mais marcante das equipes em que trabalha é a transição defensiva caótica, com muitos jogadores precisando correr para trás e sem conseguir realizar um trabalho de pressão pós-perda efetivo.

Com as peças que possui no elenco e estando o grupo familiarizado com o 4-3-3 pelos trabalhos anteriores, acredito que aposta da direção tenha sido por um encaixe eficaz e veloz entre as ideias do treinador e as preferencias dos atletas. Entretanto, não acredito que Pioli seja o cara para sustentar a pressão que o Milan vive nesse momento e realizar esse trabalho de fortalecimento tático, técnico e mental que a equipe precisa.

Minha aposta para a equipe base do treinador:

Donarrumma; Calabria, Musacchio, Romagnoli e Rodríguez; Biglia, Kessie e Paquetá; Suso, Leão e Piaţek.

Números de Stefano Pioli em seus últimos cinco trabalhos na Serie A:

– Chievo Verona (De Junho de 2010 até Junho de 2011) – 41 jogos, 13 vitórias, 13 empates e 15 derrotas

Bologna (De Outubro de 2011 até Janeiro de 2014) – 97 jogos, 32 vitórias, 28 empates e 37 derrotas

Lazio (De Junho de 2014 até Abril de 2016) – 91 jogos, 44 vitórias, 20 empates e 27 derrotas

Inter (De Novembro de 2016 até Maio de 2017) – 27 jogos, 14 vitórias, 3 empates e 10 derrotas

Fiorentina (De Junho de 2017 até Abril de 2019) – 74 jogos, 27 vitórias, 25 empates e 22 derrotas

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Curso história e sou apaixonado pelo futebol italiano desde 2005. Acompanhei assiduamente todo o processo complicado que foi Calciopoli, os anos sem investimento na Serie A e toda a retomada da Liga enquanto produto comercial nos ultimos anos. Gosto de falar sobre tática, mas amo ainda mais contar histórias.