A nova febre gabonesa

  • por Eduardo Madeira
  • 30 Dias atrás

Pierre-Emerick Aubameyang atuou por apenas duas temporadas e meia pelo Saint-Étienne, mas foi um período suficiente para fazer história no clube e gravar nome na memória dos torcedores. Entre 2011 e 2013, foram mais de 110 jogos, onde fez quase 50 gols. Participou do plantel que quebrou uma seca histórica de 32 anos sem ganhar nenhum título de elite, ao erguer a taça da Copa da Liga na temporada 2012/2013. Saiu pela porta de frente em 2015, rumando ao Borussia Dortmund.

Quatro anos depois, o Saint-Étienne volta a viver uma febre gabonesa, tendo como ‘vírus’ causador Denis Bouanga – que é companheiro de seleção de Auba. O atacante de 25 anos chegou nesta temporada ao clube. Ele despertou a atenção dos Verdes após marcar sete gols e dar três assistências pelo Nîmes Olympique na última edição do Campeonato Francês. Acabou adquirido por 4,5 milhões de euros.

 

Apesar de ter chegado com pompa, Bouanga, a exemplo de todo o elenco, só engrenou a partir da mudança de técnico. Ghislain Printant, substituto de Jean-Louis Gasset – que deixou o clube ao fim da última temporada – não foi capaz de dar sequência ao excelente trabalho que o antecessor fez. Precisou Claude Puel chegar para colocar tudo nos eixos. O ex-treinador do rival Lyon ainda não perdeu e, acima de tudo, potencializou o futebol do gabonês.

Nos cinco jogos de Puel pelo clube no Francês, Bouanga foi titular em todos e sempre alternando posicionamento. Atuou aberto pelos dois flancos, foi ala esquerdo e jogou também como meia mais avançado, dando suporte ao atacante. O crescimento é notório. Já são cinco gols na temporada, quatro com o novo treinador. Além de ser o artilheiro do time no Francês, o gabonês lidera outras estatísticas no ASSE, como a média por jogo de finalizações (2.9) e de dribles (2.3).

 

Bouanga virou peça chave em um time que parecia condenado a ficar patinando até o fim, mas que teve forças para crescer na troca de treinador. Invicto com Puel, o Saint-Étienne deixou as últimas colocações e voou até a 4ª posição, com 21 pontos. Esse salto veio após uma importante vitória de virada sobre o Nantes, por 3 a 2, na 13ª rodada, quando Bouanga balançou as redes duas vezes. Hoje, a nova febre gabonesa é real e a torcida esfrega as mãos para que novos dias de glória encham o Geoffroy-Guichard de euforia e entusiasmo.

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Jornalista formado e doente por futebol. Cresceu vendo Zidane e Henry encantando o mundo, mas aprendeu a gostar dos times franceses e suas particularidades. Viu PSG quando o 9 era Hoarau e o 2 Ceará e acompanhou todo o crescimento do futebol no país nos últimos anos sob os holofotes de Neymar e Mbappé. Semanalmente falando do futebol na terra do Hexágono.