Do que o Bayern precisa para voltar aos trilhos?

Niko Kovac, o alvo fácil da crise do Bayern, já está longe da Baviera. Mas correr atrás do prejuízo demanda um esforço bem mais complexo

Niko Kovac e Bayern de Munique encerraram um relacionamento de 22 meses. Um término que, apesar de toda a pressão externa, não era desejado por nenhuma das partes. Os homens fortes do Bayern confiavam fielmente em Kovac, e o croata sempre se mostrou deslumbrado (até demais, inclusive) em dirigir um clube da grandeza do Bayern. Mas essa mesma grandeza não admite uma derrota tão acachapante quanto os 5 a 1 sofridos pelo Eintracht Frankfurt.

A bem da verdade, a última vez que o Bayern havia perdido por 5 a 1 ainda estava fresca na memória. Quem não lembra daquele gol de calcanhar de Grafite, que incrivelmente não ganhou o Prêmio Puskas de 2009? Pois bem. À época, Jurgen Klinsmann ainda conseguiu se sustentar no cargo por mais 23 dias. Kovac não teve a mesma sorte: a iminente demissão foi confirmada no dia seguinte.

Foto: reprodução – Karl-Heinz Rummenigge procura agora o substituto de Niko Kovac.

A saída de Kovac era o caminho mais fácil para que o time que desperdiçou 12 pontos em dez rodadas de Bundesliga respirasse novos ares. Mas a verdade é que correr atrás do prejuízo é uma tarefa bem mais complexa.

A crise do Bayern é consequência de diversos fatores. O errático mercado de transferências é um deles. O principal alvo do clube no verão, Leroy Sané, não foi persuadido. Perdeu-se tempo e foco.

Philippe Coutinho foi um sacada de improviso na semana final, mas o efeito foi efêmero. O brasileiro não joga bem há pelo menos um mês, o que fatalmente lhe custará um lugar na equipe titular. Perisic, outra badalada contratação, não impressionou o suficiente para jogar mais do que 300 minutos na Bundesliga.

Foto: reprodução – Coutinho chegou como solução, mas ainda não rendeu o esperado.

Agora, os mesmos homens que erraram a mão nas transferências precisam ser cirúrgicos na escolha do novo treinador. Uma escolha com um grau de dificuldade ainda maior.

Erik ten Hag, o nome preferido de Karl-Heinz Rummenigge, dificilmente sairá do Ajax. Massimiliano Allegri é sempre um nome lembrado, mas não fala inglês e muito menos alemão. Mourinho e Wenger também são ventilados, mas a disponibilidade de ambos é extremamente incerta. O cenário escasso é parecido com aquele que motivou o Bayern a apontar Niko Kovac. Mas, especialmente dessa vez, é preciso subir a régua.

Independentemente da escolha, o novo treinador terá grandes problemas a serem resolvidos. Por exemplo, a instabilidade de um sistema defensivo com mais gols sofridos do que o Union Berlin. Uma questão que não é meramente tática, em virtude das lesões de Lucas Hernández e Niklas Süle.

Foto: reprodução – Thomas Müller terá mais oportunidades com o técnico interino.

Enquanto isso, quem toca o barco é o interino Hans-Dieter Flick. Em pouco tempo, o ex-assistente de Joachim Löw já sabe por onde começar: recuperar a motivação dos líderes do elenco. Thomas Müller, que vivia um relacionamento tumultuado com Kovac, já recebeu logo de cara a confirmação de que jogará como meia-central no 4-2-3-1, função na qual se sente mais confortável – e que só atuou uma única vez com o ex-comandante.

Mas o tempo é implacável. Já neste sábado, os bávaros encaram o Borussia Dortmund, que estão com a moral lá em cima depois da virada contra a Inter de Milão. Mas antes de dar a volta por cima no campo, é preciso tomar as decisões certas fora dele.

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Jornalista e autêntico doente por futebol, de olho até nos campeonatos mais obscuros. Cresceu vendo times como Werder Bremen, Stuttgart e Wolfsburg conquistarem a Bundesliga. Inspirado em Grafite contra o Bayern, vou dar a letra no que acontece no campeonato de melhor média de público do planeta.