Por que o Dortmund não consegue embalar?

Quando o Borussia Dortmund liderava a última Bundesliga com sete pontos de vantagem em fevereiro e ainda assim perdeu o título, havia um óbvio sentimento de frustração, mas também de aceitação. Afinal, as 11 vitórias do Bayern na reta final foram um ponto fora da curva, e o esforço colocado pelos aurinegros ao longo do campeonato também foi digno de um time campeão.

Pensando nisso, se alguém dissesse que o Bayern perderia 12 pontos nas dez primeiras rodadas deste Campeonato Alemão, a previsão seria simples: Dortmund com a faca e o queijo na mão para disparar na ponta.

Porém, a realidade é bem diferente. O Borussia não apenas consegue ser mais irregular que o rival, como ainda sofreu 4 a 0 do Bayern no último fim de semana. Mas, afinal, por que o Dortmund não consegue aproveitar a rara oportunidade de ser dominante na Bundesliga mais equilibrada do século?

No início da temporada, cabe lembrar que este mesmo Dortmund estava cercado de grandes expectativas. O clube investiu mais de 100 milhões de euros em reforços pontuais e do mais alto nível: Mats Hummels, Nico Schulz, Thorgan Hazard e Julian Brandt.

Só que o salto de qualidade esbarrou em alguns empecilhos. Os melhores jogadores do time não conseguem se manter saudáveis. Marco Reus está machucado, Paco Alcácer perdeu um mês por um problema no tendão de Aquiles e Jadon Sancho também convive com desconfortos – tanto que foi substituído ainda no primeiro tempo contra o Bayern.

Além disso, para ser honesto, há poucos jogadores que estão em sua melhor forma. Bürki e Hummels fazem um início de temporada exemplar, mas o restante do time está completamente fora de sintonia. Tanto que Achraf Hakimi tornou-se, em muitos momentos, o jogador mais desequilibrante da equipe.

Como consequência disso, a equipe de Lucien Favre não consegue manter uma consistência. Do primeiro ao último minuto, o Dortmund só foi capaz de apresentar um grande nível duas vezes na temporada – 0 a 0 contra o Barcelona e 4 a 0 contra o Leverkusen. A virada contra a Internazionale na Champions foi mais uma (rara) demonstração de apetite do que necessariamente uma exibição convincente.

Naturalmente, o trabalho de Favre logo foi colocado na berlinda. A demissão de Niko Kovac no Bayern colocou um ingrediente a mais para a torcida aurinegra cobrar coragem por mudanças. Entretanto, nada indica que esta seja a intenção. O trabalho metódico de Favre é apreciado pelos jogadores, e o suíço mantém uma boa relação com o CEO do clube, Hans-Joachim Watzke.

Se na temporada passada o Dortmund somava 27 pontos após onze jornadas, agora são apenas 19. E nada é mais frustrante do que o timing. Com um Bayern tão abaixo da crítica, os aurinegros tiveram a chance de assumir a dianteira e jogar a pressão apenas para o outro lado, mas não aproveitaram.

Claro, o campeonato está mais aberto do que nunca e ainda há margem para recuperação. Mas a vida é feita de oportunidades, e o Borussia não está sabendo aproveitá-las. Se na temporada passada o Dortmund foi desafiado a ser melhor que o Bayern, agora o desafio é mais simplificado, mas com uma dose de complexidade: ser melhor.

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Jornalista e autêntico doente por futebol, de olho até nos campeonatos mais obscuros. Cresceu vendo times como Werder Bremen, Stuttgart e Wolfsburg conquistarem a Bundesliga. Inspirado em Grafite contra o Bayern, vou dar a letra no que acontece no campeonato de melhor média de público do planeta.