Título continental antes mesmo do nacional, a história do Independiente Del Valle

Já tem técnico europeu levantando taça de competição Sul-Americana nesta temporada, e não estou falando de Jorge Jesus do Flamengo. O espanhol Miguel Ángel Ramirez, 35 anos, é atualmente o comandante do Independiente Del Valle, do Equador, atual campeão da Copa Sul-Americana.

Assim como a Libertadores, a Sul-Americana deste ano também foi decidida em jogo único. A partida, que contou com a presença de 30 mil argentinos do Colón, foi disputada em Assunção, capital do Paraguai, no estádio Olla Azulgrana.

Mas quem é esse clube que conquistou seu primeiro título de grandeza? Conheça um pouco sobre o Independiente Del Valle.

Já surpreendia em 2016

Fundado em 1958, o Club de Alto Rendimento Especializado Independiente del Valle tem sua sede na cidade de Sangolquí, cerca de 25km da capital do Equador, Quito. O time passou quase cinquenta anos disputando as divisões inferiores do país. Em 2007 conquistou o título da terceira divisão nacional e em 2009 o da segunda, que lhe deu direito a disputar a elite nacional.

Desde que subiu para a primeira divisão do futebol equatoriano, o Del Valle nunca foi rebaixado. Melhor, desde 2013 vem disputando as competições continentais. Participou da Libertadores de 2014 à 2017 e, da Sul-Americana de 2013, 2014 e 2019.

Na temporada de 2016, quando disputava pela terceira temporada seguida a Libertadores, o clube conseguiu um feito histórico: chegar à final. Como entrou com a terceira vaga de seu país na competição, o clube teve de disputar as fases de mata-mata antes de entrar nos grupos da competição.

Seu primeiro adversário foi o Guarani do Paraguai. Derrota na primeira partida em casa por 1 a 0 e, vitória por 2 a 1 no segundo jogo. Como marcou dois gols fora de casa, garantiu a classificação. Na fase de grupos os equatorianos caíram no grupo 5, que contava com os campeões continentais Atlético Mineiro (2013) e Colo-Colo (1991), além dos peruanos do Melgar. Em seis jogos foram três vitórias, dois empates e uma derrota, culminando na classificação com o segundo lugar do grupo.

Nas oitavas de finais o adversário foi o então atual campeão do continente, River Plate. Vitória em casa por 2 a 0 e, derrota na Argentina por 1 a 0, classificado pelo saldo de gols. Nas quartas de finais outro adversário complicado, este muito mais pela distância percorrida do que pelo futebol desempenhado, Pumas do México, com dois placares iguais, uma vitória para cada por 2 a 1, a disputa foi para os pênaltis, vitória equatoriana por 5 a 3.

Em sua terceira participação, o clube já estava na semifinais, um “intruso” entre os gigantes continentais, São Paulo, Atlético Nacional da Colômbia e Boca Juniors, esse último seu adversário na fase que antecede a grande final. Com duas vitórias, incluindo um 3 a 2 em plena Bombonera, o Del Valle conquistou a vaga na final da Libertadores.

Foi por pouco, mas o patinho feio de 2016 parou no ótimo futebol desempenhado pelos colombianos do Nacional. Empate no Equador por 1 a 1 e derrota em Medelin por 1 a 0. Em seis anos na elite equatoriana, o clube chegou pela primeira vez em um final de Libertadores, por mais que o vice-campeonato nunca seja algo bom, não havia motivos para desanimar.

Campeão Sul-Americano em 2019

Muitos clubes brasileiros e argentinos – os considerados grandes do continente – acabam desdenhando na Copa Sul-Americana. Entre os campeões, no Brasil, apenas Internacional e São Paulo, entre os chamados grandes clubes. Já na Argentina, Boca Juniors, River e Independiente levantaram a taça.

No início da atual edição, o Del Valle não estava nem perto de ser um dos favoritos ao título. Para a conquista, os jogadores tiveram de suar e mostrar um crescimento gradativo jogo a jogo. Na primeira fase o adversário foi o União Santa Fé, da Argentina, com dois placares em 2 a 0, um para cada lado, a partida foi para os pênaltis, vitória equatoriana por 4 a 2.

O jogo da segunda fase prometia ser um pedreira, algo que ficou somente no papel. O Universidad Católica, do Chile – que chegou a competição com o terceiro lugar em seu grupo na Libertadores e, até venceu o Grêmio na competição – não foi páreo. Vitória por 5 a 0 no Equador e, derrota por 3 a 2 no Chile, 7 a 3 no agregado.

Nas oitavas de finais o adversário foi o Caracas, da Venezuela, 0 a 0 no primeiro jogo e vitória por 2 a 0 em casa. As quartas de finais foram contra um adversário temido por sua história, o Independiente da Argentina, sete vezes campeão da Libertadores e duas da Sul-Americana. Em dois jogos duros, o Del Valle garantiu vaga nas semifinais pelo gol fora, derrota na Argentina por 2 a 1 e, vitória em casa por 1 a 0.

O adversário agora seria o Corinthians, grande favorito e que já carregava um conquista continental, a Libertadores de 2012. Histórias e conquistas passadas a parte, o Del Valle foi superior ao alvinegro paulista. Vitória em casa por 2 a 0 e, empate no Brasil por 2 a 2. Os equatorianos chegavam a sua segunda final continental em três anos.

A consagração tinha data, hora e local marcados. O dia 9 de novembro de 2019, às 17h30, em Assunção no Paraguai não será mais esquecido pelos torcedores do Independiente Del Valle. Nem o mal o diluvio que caiu na capital paraguaia que chegou a paralisar a partida e, os mais de 30 mil torcedores adversários foram empecilho. Com gols de León, Sánchez e Dájome e vitória por 3 a 1 sobre o Colón, o Independiente Del Valle conquistou seu primeiro título de grandeza. Uma taça continental foi para o armário antes mesmo de uma conquista nacional. Para o país é um feito ainda maior, que chega pela terceira vez ao lugar mais alto do continente, a LDU venceu a Libertadores e a Sul-Americana em 2008 e 2009, respectivamente.

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Jornalista em formação no Centro Universitário da Serra Gaúcha, 21 anos. Amante do toque de bola do Guardiola e da intensidade dos times de Klopp. Messi e Cristiano Ronaldo não se comparam, se aprecia. Torcedor do Liverpool desde a derrota de 2007 para o Milan.