Internacional e Argentina, sinônimo de conquistas e boa relação

O ano de 2019 foi complicado para o Internacional. Derrota para o arquirrival na final do campeonato estadual, eliminação da Libertadores para o Flamengo e perda do título da Copa do Brasil para o Athletico Paranaense.

Esses três fatos somados fizeram com que a diretoria colorada demitisse o treinador Odair Hellmann, que ficou pouco menos de dois anos no cargo. Para o seu lugar Zé Ricardo foi contratado como uma espécie de “treinador tampão”, com prazo até dezembro de 2019. Muito provavelmente quem assumirá o comando das casamatas do Internacional será o argentino Eduardo Coudet, que já anunciou sua saída do Racing, da Argentina.

O Inter mantém laços históricos com os hermanos. José Villalba, em 1941 foi o primeiro a pisar em Porto Alegre para atuar pelo clube. Pablo Guiñazú (2007 – 2012), Andrés D’alessandro (2008 – atual) e Victor Cuesta (2017 – atual) são alguns dos nomes recentes que estão marcados na história do Inter.

Aliás, o Internacional sempre apresentou boa relação com argentinos. existem vários atletas do pais vizinho que fizeram história no time colorado. Vamos falar um pouco destes profissionais que marcaram época no “lado vermelho” do Rio Grande do Sul.

Villalba, o primeiro 

José Villalba (1920 – 1987) desembarcou na capital gaúcha em 1941 vindo do San Tomé (ARG), clube da sua cidade natal. O atacante é reconhecido como um dos maiores da história do Internacional e, esteve presente no grupo que ficou conhecido como “Rolo Compressor.

Foto: site oficial 

O jogador ficou no clube até 1944, quando rumou para o Atlético Mineiro e depois para o Palmeiras. Ele é um dos maiores artilheiros do Inter no clássico GreNal com 20 gols marcados. Em outubro de 1948 ele marcou quatro na vitória por 7 a 0 sobre o Grêmio.

Pelo Inter ele conquistou seis do extinto Campeonato Citadino de Porto Alegre (1941, 1942, 1943, 1944, 1947 e 1948) e outros seis Campeonatos Estaduais nos mesmo anos.

Pablo Guiñazu, o guerreiro

Guiñazú chegou ao Internacional em 2007, quando já estava com 29 anos. Antes, o volante revelado pelo Newell’s Old Boys, havia atuado por Perugia (Itália), Independiente (Argentina), Saturn (Rússia) e Libertad (Paraguai). No Rio Grande do Sul, o jogador logo se identificou com a torcida, seu jeito “raçudo (que algumas vezes exagerava) mostrava um jogador comprometido com o time.

Foto: Zero Hora

El Cholo, como é conhecido, disputou 206 partidas com a camisa 5 do colorado e marcou um gol, além de ter dado nove assistências. Guiñazú, volante marcador, e que não aliviava nas chegadas dentro de campo, levou 69 cartões amarelos pelo clube, além de ter sido expulso em três oportunidades.

hermano ficou no clube até o ano de 2012, quando retornou para o Libertad. Em Porto Alegre ele foi campeão gaúcho em quatro oportunidades (2008, 2009, 2011 e 2012), campeão da Copa Sul-Americana (2008), da Libertadores (2010) e da Recopa Sul-Americana (2011), além de ter levantado as taças da Copa Dubai (2008) e da Copa Suruga Bank (2009).

Em 2013 ele retornou ao futebol brasileiro para atuar no Vasco da Gama. Guiñzú encerrou sua carreira no início de 2019, após o Talleres, seu clube no momento, não conseguir chegar à fase de grupos da Libertadores.

Andrés D’alessandro, o maior

Após começar sua carreira no River Plate, ainda no início dos anos 2000, D’alessandro passou por Wolfsburg (Alemanha), Portsmounth (Inglaterra), Zaragoza (Espanha) e San Lorenzo (Argentina), até desembarcar em Porto Alegre, no ano de 2008. Para contar com o jogador, que se tornaria um dos maiores nomes da história do clube, o colorado desembolsou cerca de 11 milhões de reais.

Foto: reprodução

O casamento foi perfeito. Sua estreia foi em um GreNal válido pela Copa Sul-Americana de 2008, em um empate por 1 a 1 que culminou com a eliminação do arquirrival. No primeiro ano de clube ele vestiu a camisa 15, já que Alex utiliza a 10. Com D’alessandro assumiu o número que se tornaria sinônimo de seu nome no Beira Rio logo após a saída do colega. Ele foi um dos personagens principais do clube na conquista da competição continental, o que, naquele momento, faria do Inter o único time brasileiro a ter levantado a Copa Sul-Americana.

Em 2009 ele foi um dos comandantes do clube que chegou à decisão da Copa do Brasil contra o Corinthians, mas o time acabou ficando com o segundo lugar. Em 2010 a América seria o seu local. Com a camisa 10 colorada ele foi o regente do esquadrão que derrotou o Chivas Guadalajara na final da Libertadores, seu primeiro título da competição e o segundo do Internacional.

Após a conquista da Recopa Sul-Americana de 2011 contra o Independiente da Argentina, o Inter tem vivido uma seca de títulos importantes. Entretanto, o clube mantem a hegemonia no estado, com seis conquistas do campeonato gaúcho seguidas entre 2011 e 2015, sem falar na conquista de 2009.

No início de 2016, D’ale deixou o Inter para jogar por empréstimo no River Plate. Por lá ele levantou a Copa Argentina e Recopa Sul-Americana. No mesmo ano o colorado foi rebaixado para segunda divisão. No ano seguinte havia o interesse do River em permanecer com o atleta, porém, ele decidiu voltar ao Inter para ajudar na reconstrução.

Atualmente D’alessandro é mais do que um ídolo no clube. Com 473 jogos e 92 gols marcados, o argentino é amado pelos torcedores. O jogador apresenta todos os anos o jogo “Lance de Craque” no Beira Rio para arrecadar renda à instituições carentes.

Victor Cuesta, o zagueirão

Victor Cuesta chegou em Porto Alegre no ano de 2017, justamente para a disputa da segunda divisão, oriundo do Independiente, da Argentina. Antes disso ele havia atuado por Arsenal de Sarandí, Defensa y Justiça e Huracán, todos do seu país natal.

Foto: reprodução

Cuesta até o momento não conquistou nenhum título pelo Inter, mas sua garra e técnica, principalmente na atual temporada, vem conquistando o coração dos torcedores colorados. As boas atuações já o fizeram ser chamado algumas vezes para a seleção argentina.

Desde que chegou ao clube foram 146 jogos e seis gols. Em 2017 ficou na seleção do Campeonato Gaúcho. Em 2018 recebeu os prêmios Bola de Prata da ESPN Brasil e o Craque do Brasileirão da CBF, como melhor zagueiro do Brasileirão daquele ano.

E ai torcedor colorado, será que com a eminente chegada de Eduardo Coudet o Internacional vai voltar ao rumo das grandes conquistas? Quais outros argentinos merecem ser lembrados?

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Jornalista em formação no Centro Universitário da Serra Gaúcha, 21 anos. Amante do toque de bola do Guardiola e da intensidade dos times de Klopp. Messi e Cristiano Ronaldo não se comparam, se aprecia. Torcedor do Liverpool desde a derrota de 2007 para o Milan.