Precisamos falar mais sobre Miedema, a atacante que fede a gol

  • por Marcela Natra
  • 12 Meses atrás

Carlos Alberto tinha uma expressão que ele gostava de usar aos atacantes matadores, aqueles que você sabia que na menor das oportunidades, qualquer que seja a situação, ele estaria ali para empurrar a bola para as redes. Nessas ocasiões fulano “fedia a gol”. Acho que encontrei uma forma de resumir Vivianne Miedema. Com 196 gols em 213 jogos, ela fede a gol.

Na atual temporada (2019/20) ela marca 1 gol a cada 57 minutos jogados, participou de 73% dos gols marcados pelo Arsenal na Liga Inglesa, contabilizando 12 gols e 7 assistência em 9 partidas disputadas até agora. É até o momento a artilheira da Liga dos Campeões com 10 anos, 1 a mais que a norueguesa Ada Hegerberg. É a peça principal de um time que conta com outros talentos como Van de Donk, Roord, Mead, Williamson, entre outros, que não tem Miedema como seu centro de jogo, ela joga na ponta, mas conta com o bom posicionamento e a rápida tomada de decisão da holandesa para tornar as gunners uma das melhores equipes de futebol feminino da atualidade.

Há uma coisa que você precisa saber sobre o futebol holandês e a forma como eles mudaram o rumo das coisas para as mulheres:  para incentivar o cenário do futebol feminino, os holandeses adotaram algumas estratégias, uma delas foi acabar com a separação entre meninos e meninas nas categorias inferiores.  Garotos e garotas jogam juntos, assim sempre haverá um time para elas jogarem. Miedema começou jogando contra garotos, até 2011, quando assinou aos 14 anos seu primeiro contrato profissional com um time, o Heerenveen. Aos 15 ela estreou pela equipe, tornando-se a jogadora mais jovem a disputar a Liga Holandesa Feminina.

Os recordes não param de ser quebrados desde então. Em 2013 ela alcançou a marca de 39 gols pela equipe no campeonato BeNe (uma liga conjunta com a Bélgica)  ficando com o posto de artilheira. Foram ao todo 78 gols pelo time holandês, a temporada de 2013/2014 seria ainda mais fantástica com 41 gols em 29 jogos até se transferir ao Bayern de Munique no verão europeu de 2014. Antes de estrear pelos alemães, Miedema já havia sido chamada para a seleção do país, já que ela estava deixando a Holanda com números impossíveis de se ignorar.

Na Baviera veio o bicampeonato alemão e um novo desempenho excelente com 14 gols em 22 jogos e outra marca impressionante: dividiu a artilharia da Liga dos Campeões com 8 gols com Jakabfi em 2016/17. Se no clube as coisas iam maravilhosamente bem, na seleção nem tanto. A Copa de 2015 foi uma decepção, sem estar 100% Miedema não assumiu protagonismo e viu Martens despontar como a grande estrela laranja. Na Euro de 2017, sediada na Holanda, a chance de uma redenção chegou na reta final após passar o torneio em branco até as quartas. Marcou contra Suécia, depois contra a Inglaterra e duas vezes contra a Dinamarca na final. A Holanda ficou com o título e Miedema voltou aos holofotes pela seleção.

A retomada de protagonismo na Euro 2017 fez com o Arsenal olhasse para a holandesa como uma peça importante para suas ambições no futebol feminino. Chegou a Londres logo após a conquista do título continental, não impressionou na primeira temporada mas fez em 2018/19 tudo valer a pena. Com 22 gols em 17 jogos, Miedema se tornava a maior goleadora de uma temporada na história do campeonato inglês feminino.

Na Copa do Mundo de 2019 uma atuação abaixo do que ela poderia e prometia, já que vinha de uma temporada espetacular. Foram 3 gols, sendo 2 na fase de grupos e uma nas quartas de final contra a Itália, nenhuma assistência.  Mas um feito incrível alcançado, a camisa 9 laranja tornou-se aos 22 anos, com 61 gols, a maior artilheira da história da Holanda numa campanha que levou as leoas até a final da Copa pela primeira vez, em sua segunda participação, para ficar com a medalha de prata ao perder para as norte-americanas por 2 a 0.

Sua absoluta qualidade em marcar gols e sua visão objetiva de jogar bola tornam Miedema o nome mais promissor do Futebol Feminino atualmente. Uma realidade que já encanta mesmo com um pé de futuro. Dá uma paz de espírito saber que a holandesa tem muitos recordes para quebrar e campeonatos para disputar – e nós a desfrutar. Não se surpreenda se daqui alguns anos Vivianne ganhar uma ou duas Bolas de Ouro, ou se você começar a ouvir o nome dela em discussões sobre ser a Melhor do Mundo. Há quem diga que ela já é.

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Jornalista, apaixonada pela camisa blanca merengue, começou escrevendo sobre cinema até fundar o MeuMadrid e descobrir que as histórias que queria contar eram as do campo da bola.