A arbitragem não pode continuar sendo protagonista no futebol brasileiro

Os erros se repetem e a falta de preparo da arbitragem segue tirando o foco do jogo

O clássico entre São Paulo e Palmeiras, no último domingo (5/9), tinha tudo para ser lembrado como um grande jogo. Um clássico por si só já carrega rivalidade, história e intensidade, e esse foi bem disputado do início ao fim. Mas, mais uma vez, o que dominou o noticiário da semana não foram os gols ou o desempenho das equipes, e sim a arbitragem.

A CBF divulgou os áudios do árbitro Ramon Abatti Abel com a cabine do VAR sobre os lances polêmicos reclamados pelo São Paulo. Entre eles, o pênalti não marcado de Allan em Tapia, quando o placar ainda estava 2 a 0 para o Tricolor, o lance mais discutido da partida. Também foram revisadas jogadas envolvendo Gustavo Gómez e Andreas Pereira, mas nenhuma punição mais dura foi aplicada.

O mais curioso é que o árbitro, considerado hoje um dos melhores do país, parece mudar a regra do futebol a cada decisão. No lance do pênalti, por exemplo, Allan se joga, derruba Tapia e impede que o atacante são-paulino chegue na bola. A justificativa foi que o volante “escorregou”. Mesmo que fosse um escorregão, ainda assim ele derrubou o adversário dentro da área. Isso não é pênalti?

No lance de Andreas Pereira, é verdade que ele pisa na bola antes e o contato na canela de Marcos Antonio é acidental. Mas vamos lá, imagino que ninguém entra em campo para agredir o adversário, certo? Então agora o “sem querer” anula a falta? A partir dos áudios, dá a entender que, no futebol brasileiro, o “sem querer” parece justificar um pisão, cotovelada e até pênalti.

A falta de critério é o que realmente incomoda. O mesmo tipo de lance acontece em diferentes jogos e recebe decisões completamente opostas. O que é pênalti em uma rodada vira “jogo que segue” na outra. O que é falta para um clube é “dividida normal” para o rival. Essa incoerência tira a credibilidade do jogo e faz parecer que cada árbitro tem o seu próprio manual de regras.

O foco não pode ser achar um favorecido, e sim cobrar que os erros parem

Existir uma teoria conspiratória de que existe um clube favorecido não leva a lugar nenhum. A verdade é que todos os times sofrem com a falta de critério. A arbitragem brasileira é despreparada, confusa e, para piorar, nem o VAR, que deveria ser uma ferramenta de apoio, é utilizado corretamente.

E por que nada muda? Porque os clubes não se unem para cobrar mudança estrutural. A cada rodada, o time prejudicado reclama, o beneficiado lava as mãos e tudo segue igual. Enquanto isso, a CBF continua sendo a grande responsável por um sistema falho, desviando o foco para qualquer outro assunto, menos o que realmente importa: profissionalizar de verdade a arbitragem.

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