
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou o fim da linha para Ramon Menezes no comando da Seleção Brasileira Sub-20. A decisão, comunicada em nota oficial, veio como consequência direta da campanha desastrosa no Mundial da categoria, onde o Brasil foi eliminado pela primeira vez na história ainda na fase de grupos, após um empate com o México (2 a 2) e derrotas para Marrocos (2 a 1) e Espanha (1 a 0).
O comunicado da entidade agradece o profissionalismo do treinador, mas destaca que a decisão foi tomada “após avaliação sobre o ciclo de trabalho desenvolvido até aqui”. Esse ciclo, que termina com um dos maiores vexames da história das seleções de base, foi marcado por uma trajetória de profundos contrastes, alternando entre alguns títulos relevante e fracassos em competições de grande relevância, que ainda contou com um desempenho bem ruim quando Ramon teve a oportunidade de dirigir a seleção principal por três partidas.
Do céu ao inferno em dois anos
Ramon Menezes assumiu a Seleção Sub-20 em março de 2022 e rapidamente colheu bons frutos. Em 2023, comandou a equipe na conquista do Campeonato Sul-Americano Sub-20, título que o Brasil não vencia há 12 anos. O bom trabalho chegou até ao credenciá-lo a assumir interinamente a Seleção principal no início do ciclo para a Copa do Mundo de 2026, quando o Brasil viu a saída de Tite do comando da equipe após o Mundial de 2022 e o então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, negociava para trazer Carlo Ancelotti para a Seleção, o que viria a acontecer só agora em 2025.
No entanto, sua passagem pelo time principal foi bem abaixo do esperado. Em três amistosos, o Brasil demonstrou pouca organização e sofreu derrotas históricas para Marrocos (2 a 1) e Senegal (4 a 2), conseguindo apenas uma vitória sobre Guiné (4-1). A experiência, ao invés de fortalecê-lo, expôs fragilidades e gerou as primeiras críticas contundentes ao seu trabalho, fazendo com que Ednaldo fosse atrás de Fernando Diniz para comandar a Seleção principal no início das Eliminatórias.
Ainda em 2023, já de volta às categorias de base, Ramon teve um novo momento de glória ao comandar a Seleção Sub-23 na conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santiago. O título parecia dar um novo fôlego ao treinador, mas o desafio seguinte seria um dos seus maiores testes – e o seu maior fracasso…
A queda no Pré-Olímpico e o vexame no Mundial
O ponto de virada negativo na trajetória de Ramon foi, sem dúvida, o Torneio Pré-Olímpico de 2024. Com a missão de classificar o Brasil, então bicampeão olímpico, para os Jogos de Paris, a seleção teve um desempenho decepcionante. No quadrangular final, ficou atrás de Paraguai e Argentina, falhando em obter uma das duas vagas e ficando fora das Olimpíadas pela primeira vez em 20 anos.
A pressão sobre o treinador tornou-se imensa. Mesmo assim, a CBF o manteve no cargo para a disputa do Sul-Americano Sub-20, onde após um começo ruim, o Brasil acabou com o título continental dando uma sobrevide a Ramon.
O Mundial Sub-20, porém, se provou ser o capítulo final e mais melancólico de sua passagem. A eliminação inédita na primeira fase, com atuações apáticas e sem poder de reação, tornou sua permanência insustentável. Ao todo, somando as passagens pelas seleções Sub-20, Sub-23 e Principal, Ramon Menezes comandou o Brasil em 41 partidas, acumulando 23 vitórias, 7 empates e 11 derrotas, um aproveitamento de aproximadamente 61%.
Os números, no entanto, não contam a história completa: os títulos conquistados foram ofuscados pelas quedas nos dois torneios de maior importância, o Pré-Olímpico e o Mundial, selando o destino de um ciclo que prometeu muito, mas terminou em profunda decepção.