
A CBF reuniu nesta segunda-feira (6) os 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro para dar o pontapé inicial no debate sobre a criação de uma liga única no país.
O encontro serviu para a confederação apresentar um diagnóstico do futebol nacional e propor um cronograma para a estruturação da nova entidade até o fim de 2026.
Posicionando-se como mediadora do processo, a CBF deixou claro que a liga “precisa ser dos clubes”, mas que a entidade terá papel ativo na liderança das discussões.
O presidente Samir Xaud estabeleceu uma meta ambiciosa. “O que queremos é construir tudo em conjunto, para que a nossa liga se torne, em breve, uma das três principais do mundo, com um futebol mais forte, transparente e sustentável”.
O diagnóstico: um produto subvalorizado
A base da apresentação da CBF foi um estudo que compara o Brasileirão com as principais ligas europeias (Premier League, La Liga e Bundesliga). O diagnóstico, divulgado por veículos como GE e UOL, aponta um “gap sistêmico” e conclui que o futebol brasileiro é um produto subvalorizado.
A receita dos clubes brasileiros, por exemplo, é menos de um terço da gerada pela Bundesliga, mesmo o Brasil tendo uma população muito maior.
A fim de mudar este cenário, o estudo listou 10 áreas em que o Brasil está atrás:
- Calendário
- Tempo de jogo
- Estádio – público e segurança
- Estádio – infraestrutura
- Transmissão
- Comunicação e redes sociais
- Marketing
- Êxodo de talentos
- Governança do Regulamento
- Sustentabilidade financeira
Pontos críticos a serem atacados
A CBF detalhou alguns dos problemas que a futura liga precisará resolver para valorizar o produto. Segundo o UOL, um dos pontos é o horário dos jogos: 80% das partidas no Brasil são noturnas, enquanto na Inglaterra, por exemplo, 75% são durante o dia.
Bem como outro problema citado é o baixo tempo de bola rolando, que no Brasileirão gira em torno de 51 minutos, longe dos 60 minutos pregados pela Fifa.
A violência nos estádios também foi citada como o principal fator que afasta o público, segundo pesquisa encomendada pela entidade.
Outros assuntos polêmicos foram discutidos de acordo com o GE. Entre eles: padronização ou veto de gramados sintéticos, a possível diminuição do número de rebaixados (três) e o limite de estrangeiros por partida.
O cronograma para a criação da liga
A CBF apresentou um cronograma para que a estrutura da nova liga seja definida até o fim deste ano. O plano é o seguinte:
- Maio a julho de 2026: Coleta de sugestões e elaboração das propostas iniciais.
- Agosto a setembro de 2026: Apresentação, ajustes e aprovação das propostas.
- Outubro a dezembro de 2026: Estruturação final, com foco na comercialização e na formalização do estatuto da liga.