Consórcio com Jeff Bezos compra 30% do Liverpool por £ 1,65 bilhão

Fenway Sports Group mantém controle do clube, enquanto grupo liderado por Amit Bhatia e que também conta com Eduardo Saverin adquire participação avaliada em cerca de R$ 12 bilhões; acordo ainda depende de aprovações regulatórias

Jeff Bezos palestrou este ano no Viva TECH, em Paris.

O Liverpool confirmou nesta sexta-feira (14) uma das maiores operações financeiras da história do futebol. A Fenway Sports Group (FSG) chegou a um acordo definitivo para vender uma participação minoritária do clube à 1892 Holdings, consórcio que reúne alguns dos maiores nomes do mundo dos negócios, entre eles Jeff Bezos, fundador da Amazon, e Eduardo Saverin, cofundador do Facebook. Segundo o The Guardian, a participação corresponde a 30% do Liverpool e foi negociada por £ 1,65 bilhão, avaliando o clube inteiro em aproximadamente £ 5,5 bilhões.

A operação, porém, não significa que Bezos comprou sozinho 30% do Liverpool. O empresário participa através da K5 Sports, fundo do qual aparece como principal investidor. A 1892 Holdings é liderada e administrada pelo empresário britânico-indiano Amit Bhatia, antigo dirigente e coproprietário do Queens Park Rangers. Também participam os Mittal Family Trusts e a EE Capital, family office de Elaine e Eduardo Saverin.

Quem são os novos investidores do Liverpool?

A composição do consórcio ajuda a explicar a dimensão da operação.

Amit Bhatia será a principal figura do novo grupo dentro do clube. Genro do magnata indiano Lakshmi Mittal, Bhatia possui quase duas décadas de experiência no futebol inglês por sua passagem pelo QPR e assumirá o cargo de vice-presidente do Liverpool, integrando o conselho ampliado.

Jeff Bezos entra por meio da K5 Sports, braço esportivo ligado ao fundo K5 Global. Apesar de ser o principal investidor desse fundo, o fundador da Amazon será tratado como investidor passivo e não terá assento no conselho do Liverpool. Bryan Baum, cofundador da K5 Global, será o representante ligado ao fundo na direção do clube.

Outro nome de enorme peso financeiro é Eduardo Saverin, brasileiro naturalizado singapuriano e um dos fundadores do Facebook. Sua participação acontece através da EE Capital, administrada com sua esposa, Elaine Saverin, que passará a integrar o conselho do Liverpool.

O brasileiro Eduardo Saverin também faz parte do consórcio.

FSG continua mandando no Liverpool

Apesar do tamanho da venda, a Fenway Sports Group continuará como acionista majoritária e responsável pelo controle operacional do Liverpool.

O próprio clube fez questão de ressaltar esse ponto em seu comunicado oficial. A estrutura administrativa e o comando cotidiano permanecem com a FSG, enquanto os novos investidores participarão principalmente da estratégia de crescimento comercial e institucional de longo prazo.

O grupo americano é proprietário do Liverpool desde 2010, quando adquiriu o clube por aproximadamente £ 300 milhões. Agora, apenas 30% da equipe está sendo negociada por £ 1,65 bilhão, em uma operação que coloca a avaliação total do Liverpool na casa de £ 5,5 bilhões.

A FSG afirma que a venda também não representa o início de um processo obrigatório de saída do Liverpool. Segundo o Guardian, não existe obrigação para que o grupo venda novas parcelas futuramente nem para que a 1892 Holdings aumente sua participação. O consórcio, entretanto, terá opções que podem permitir novas compras caso a FSG decida vender mais ações no futuro.

O dinheiro vai virar reforços?

Não necessariamente.

Apesar da entrada de investidores extremamente ricos, a operação não provoca uma mudança imediata no orçamento de transferências do Liverpool para esta janela. A FSG continuará seguindo a estratégia esportiva e financeira estabelecida anteriormente.

Além disso, as regras financeiras da Premier League e da UEFA relacionam a capacidade de gastos dos clubes às suas receitas. Portanto, simplesmente ter novos bilionários entre os acionistas não significa que o Liverpool poderá gastar livremente no mercado.

A principal expectativa está no médio e longo prazo. A experiência dos investidores em tecnologia, mercados internacionais e grandes empresas pode ajudar o Liverpool a ampliar suas receitas comerciais, particularmente em mercados como Índia e outros países asiáticos. O clube registrou receita recorde de £ 703 milhões no exercício encerrado em maio de 2025.

Liverpool fala em crescimento de longo prazo

Em comunicado oficial, o presidente da FSG, Mike Gordon, afirmou que o perfil dos novos investidores foi determinante para a realização do negócio.

Segundo Gordon, a direção identificou no consórcio uma visão semelhante à da FSG sobre planejamento de longo prazo e acredita que a experiência do grupo poderá complementar a estrutura já existente em Anfield.

Bhatia também declarou que considera um privilégio participar de um clube da dimensão do Liverpool e afirmou que a 1892 Holdings acredita na atual liderança e pretende ajudar no crescimento da instituição nos próximos anos.

Amit Bhatia assumirá a posição de vice-presidente do Liverpool;

Negócio ainda precisa ser aprovado

Embora Liverpool e 1892 Holdings tenham firmado um acordo definitivo, a operação ainda não está tecnicamente concluída.

O comunicado oficial esclarece que o fechamento depende de aprovações regulatórias e outras condições tradicionais de transações desse porte. Segundo o Guardian, o processo de aprovação pode levar até aproximadamente 90 dias.

Portanto, o cenário atual é de negócio acordado entre as partes, mas aguardando as etapas formais necessárias para sua conclusão.

Se aprovado, o Liverpool passará a ter entre seus acionistas um grupo que reúne fortunas provenientes de tecnologia, siderurgia e investimentos globais. A FSG seguirá no controle, mas terá ao seu lado Jeff Bezos, Eduardo Saverin, a família Mittal e Amit Bhatia em uma participação avaliada em £ 1,65 bilhão.

Sair da versão mobile