Corinthians demite Fernando Diniz após sete derrotas seguidas e coloca Ramón Díaz como prioridade

Time cai para a 16ª posição, fica a apenas um ponto do Z4 e troca de treinador a nove rodadas do fim do Brasileirão; argentino que comandou a reação de 2024 é o nome preferido da diretoria

O Corinthians entrou definitivamente em modo de emergência no Campeonato Brasileiro. Fernando Diniz foi demitido na noite desta quarta-feira, depois da derrota por 2 a 1 para o Internacional, no Beira-Rio, resultado que ampliou para sete a sequência de derrotas consecutivas da equipe na competição. Com 32 pontos, o time caiu para a 16ª colocação e está apenas um ponto acima do próprio Internacional, primeiro integrante da zona de rebaixamento. Restam nove rodadas para o fim do campeonato, e a diretoria agora tenta encontrar rapidamente um treinador capaz de interromper uma queda que já deixou de ser apenas uma má fase.

A decisão encerra um trabalho de aproximadamente seis meses e com aproveitamento próximo de 47%. Diniz havia chegado em abril para substituir Dorival Júnior e viveu alguns momentos positivos, principalmente durante a campanha da Libertadores, mas não conseguiu manter regularidade ao longo da temporada. O Corinthians acabou eliminado pelo Internacional na Copa do Brasil e pelo Estudiantes nas quartas de final da Libertadores, enquanto o desempenho no Brasileirão piorava de forma contínua. Quando deixou Porto Alegre após a 29ª rodada, o treinador já comandava a pior sequência do clube no campeonato em 2026.

A sucessão de derrotas ajuda a explicar a urgência. Antes do Internacional, o Corinthians havia perdido para Cruzeiro, Coritiba, Santos, Chapecoense, Flamengo e Fluminense, ficando estacionado nos 32 pontos enquanto adversários da parte inferior da tabela se aproximavam. A derrota no Beira-Rio teve um componente especialmente frustrante porque o time criou oportunidades, acertou três vezes a trave e teve mais volume ofensivo, mas novamente saiu sem pontuar. Para a direção, o desempenho não foi suficiente para justificar a continuidade diante da situação da tabela.

O próximo compromisso aumenta ainda mais a pressão. O Corinthians enfrenta o Palmeiras no domingo, no Allianz Parque, já sem Rodrigo Garro, suspenso. A intenção da diretoria é definir o novo técnico a tempo de colocá-lo no banco no clássico, e o principal nome neste momento é alguém que conhece bem tanto o clube quanto uma situação semelhante: Ramón Díaz.

Ramón Díaz ganha força porque já encontrou o Corinthians em situação parecida

Ramón Díaz aparece como a primeira opção da diretoria por uma combinação de fatores. O argentino trabalhou no Corinthians entre julho de 2024 e abril de 2025, conhece boa parte do atual elenco e mantém boa relação com jogadores que continuam no clube. Mais importante para o momento atual, sua primeira passagem começou justamente com uma equipe envolvida diretamente na luta contra o rebaixamento. A lembrança daquela recuperação pesa bastante na escolha.

Quando Ramón chegou em 2024, o Corinthians também ocupava a parte inferior da tabela e atravessava um ambiente de grande pressão. Ao lado do filho e auxiliar Emiliano Díaz, reorganizou o time e terminou o campeonato com uma sequência de nove vitórias consecutivas, suficiente não apenas para afastar qualquer risco de queda, mas também para garantir classificação à Libertadores. O trabalho continuou em 2025 e terminou com a conquista do Campeonato Paulista, embora a queda de rendimento posterior tenha provocado sua demissão em abril.

Os números daquela passagem são consideravelmente positivos. Ramón comandou o Corinthians em 60 partidas, com 31 vitórias, 16 empates e 13 derrotas, aproveitamento de 60,6%. O histórico recente depois da saída do clube, porém, é menos favorável. O treinador passou por Olímpia, do Paraguai, e Internacional sem conseguir repetir o desempenho apresentado em São Paulo, algo que também entra na análise interna.

Mesmo assim, a situação atual faz com que a experiência anterior tenha um peso especial. O Corinthians não procura necessariamente um treinador para iniciar agora um projeto de vários anos. O objetivo imediato é atravessar as nove rodadas restantes, evitar o rebaixamento e ganhar tempo para reorganizar o departamento de futebol posteriormente. Por isso, a possibilidade de um contrato curto, apenas até o fim da temporada, agrada a parte da diretoria.

Ramón também não é unanimidade. Marcelo Paz, executivo de futebol, possui outras avaliações sobre o perfil ideal e nomes como Juan Pablo Vojvoda e Luís Castro circulam nos bastidores. Vojvoda, recém-demitido pelo Racing, tem a vantagem de já ter trabalhado com Paz no Fortaleza, enquanto Luís Castro também está disponível depois de deixar o Grêmio. Neste momento, porém, Ramón reúne duas características que os dirigentes consideram importantes: conhece o ambiente e já conseguiu responder sob uma pressão semelhante.

A demissão também expõe a falta de convicção no planejamento do Corinthians

A saída de Diniz chama atenção não apenas pela sequência de derrotas, mas pelo momento escolhido pela diretoria. O Corinthians teve recentemente uma pausa de duas semanas por causa da Data Fifa, período em que o técnico foi mantido e recebeu respaldo público dos dirigentes. Marcelo Paz defendeu a continuidade do trabalho mais de uma vez, e o clube utilizou o intervalo para recuperar jogadores e preparar justamente a partida contra o Internacional. Depois de apenas um jogo no retorno, mesmo com desempenho superior ao apresentado em algumas derrotas anteriores, a avaliação mudou.

Isso significa que o novo treinador receberá menos tempo de trabalho e assumirá já às vésperas de um clássico contra o líder Palmeiras. A diretoria justificou a decisão pela necessidade de criar um “fato novo” diante da sequência de resultados, mas a troca também evidencia que a confiança no trabalho de Diniz já estava bastante desgastada antes mesmo da Data Fifa. Se a intenção era interromper o ciclo, o intervalo sem partidas teria sido o momento mais confortável para fazer a mudança.

O Corinthians também chega a esse ponto depois de trocar de treinador mais de uma vez na mesma temporada. Curiosamente, o Internacional esteve diretamente envolvido nas duas demissões. Dorival Júnior perdeu o cargo depois da derrota para o Colorado no primeiro turno, enquanto Diniz caiu após novo revés diante dos gaúchos no returno. Entre os dois confrontos, o Inter ainda eliminou o Corinthians da Copa do Brasil.

A preocupação principal, porém, está na tabela. O Corinthians possui 32 pontos contra 31 do Internacional, primeiro time dentro do Z4, e os cálculos da Universidade Federal de Minas Gerais apontam atualmente 35,9% de risco de rebaixamento. A situação não é irreversível, mas a margem que o clube possuía algumas rodadas atrás praticamente desapareceu. Depois do clássico contra o Palmeiras, a equipe ainda terá confrontos contra Vitória, Vasco e Mirassol em outubro, alguns deles com impacto direto na parte inferior da classificação.

A recuperação de Yuri Alberto pode ajudar o próximo treinador. O atacante retornou contra o Internacional depois de um longo período afastado por lesão, enquanto outros jogadores também passaram as últimas semanas em processo de recuperação. Ao mesmo tempo, nomes importantes como Memphis Depay e Rodrigo Garro atravessam momentos irregulares, e o time perdeu confiança depois de tantas derrotas consecutivas.

Esse contexto também explica a preferência por alguém que não precise começar do zero. Ramón Díaz conhece jogadores, funcionários e a pressão do Corinthians, além de ter vivido uma experiência recente na qual precisou priorizar resultados acima de qualquer construção mais longa. A diretoria acredita que esse conhecimento pode reduzir o período de adaptação em um momento no qual cada rodada passa a ter peso considerável.

A eventual volta, no entanto, não resolverá automaticamente os problemas que derrubaram Diniz. O Corinthians precisa melhorar a eficiência ofensiva, cometer menos erros individuais e recuperar jogadores que perderam confiança durante a sequência negativa. Também precisa lidar com dificuldades financeiras e atrasos que acompanharam o elenco ao longo da temporada, fatores que não desaparecem com uma mudança no banco de reservas.

A troca de treinador altera o comando, mas o objetivo para as nove rodadas restantes é bastante simples. O Corinthians precisa voltar a pontuar regularmente e criar novamente alguma distância para o Z4. Depois de sete derrotas consecutivas, a discussão sobre classificação para competições internacionais ou desempenho estético perdeu espaço para uma necessidade muito mais imediata: garantir a permanência na Série A.

Ramón Díaz tornou-se o favorito justamente porque já cumpriu essa missão no mesmo clube há apenas dois anos. Agora, Corinthians e treinador podem se reencontrar em uma situação parecida, mas com muito menos tempo disponível para reagir.

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