Entenda denúncia contra Andrés Sanchez por uso de cartão corporativo do Corinthians

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, e o superintendente financeiro do clube, Roberto Gavioli, foram denunciados formalmente pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) nesta quarta-feira (15). A acusação central é o uso indevido do cartão corporativo do clube para despesas pessoais durante o último mandato de Sanchez, entre 2018 e 2020.

A denúncia, apresentada pelo promotor Cássio Conserino, aponta para os crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário para Andrés, e apropriação indébita e lavagem de dinheiro (por omissão) para Gavioli. O valor total dos gastos supostamente irregulares, corrigido pela inflação e com juros, chegaria a R$ 480 mil.

O Mote da Denúncia

Roberto Gavioli também foi denunciado pelo MP-SP. Foto: Agência Corinthians

Na coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, em São Paulo, o promotor Cássio Conserino descreveu como o cartão era utilizado, afirmando que houve uma inversão de sua finalidade. “O cartão empresarial era utilizado como se fosse privado. Houve uma inversão da propriedade e um dos denunciados, o ex-presidente, passou a dispor desse cartão como se proprietário fosse e fez inúmeras compras particulares. Não digo uma, eu digo inúmeras compras particulares. Não é necessário muito escrutínio para saber que um cartão corporativo não é utilizado numa drogaria, numa clínica laboratorial, no hospital de ponta, em duty free. Esse dinheiro é da entidade esportiva Corinthians e não daquele que momentaneamente ocupa o cargo de presidente”.

Sobre a responsabilidade de Roberto Gavioli, o promotor alegou que o superintendente financeiro, como “garantidor do bem jurídico”, tinha o dever de fiscalizar e impedir os gastos, mas foi omisso. “Ele era obrigado a conferir nota fiscal e a verificar a pertinência do valor do gasto com o que constava na nota fiscal ou na fatura do cartão de crédito. Ele era obrigado a confeccionar relatório para os órgãos superiores internos. Só que nada disso foi feito”.

Os Gastos Investigados

De acordo com apuração do GE, a denúncia do MP detalha uma série de despesas pessoais que teriam sido pagas com o dinheiro do clube. Entre os gastos listados estão:

O MP destaca que, em muitos casos, as notas fiscais das compras eram emitidas no nome de Andrés Sanchez ou não possuíam identificação, o que, segundo a promotoria, servia para “ocultar ou dissimular a origem ilícita dos valores”.

Afastamentos e próximos passos

Após a repercussão da denúncia, Andrés Sanchez pediu seu afastamento do Conselho Deliberativo e do Conselho de Orientação (CORI) do Corinthians. O presidente do Conselho Deliberativo do clube, Romeu Tuma Junior, emitiu nota oficial divulgada pelo Corinthians para oficializar o afastamento.

“A Presidência do Conselho Deliberativo do Sport Club Corinthians Paulista informa que o ex-presidente Andrés Sanchez pediu afastamento do Conselho Deliberativo, onde tem a posição de Conselheiro Vitalício, e do CORI, onde é membro nato, na tarde desta quarta-feira (15), por tempo indeterminado, para que possa se defender das denúncias oferecidas pelo Ministério Público.

Esclareço que o afastamento foi acolhido por mim, sem necessidade de deliberação do plenário. Informo ainda que a Comissão de Justiça do CD dará seguimento à apuração do caso do uso do cartão corporativo, ouvindo inclusive os ex-diretores e presidentes de órgãos fiscalizadores do clube à época das gestões de 2018 para cá”, disse Tuma Junior na nota oficial.

Em outra nota oficial divulgada em seu site oficial, o Corinthians informou que também tomou uma medida em relação ao outro denunciado, Roberto Gavioli:

“O Sport Club Corinthians Paulista informa que afastou de suas funções nesta quarta-feira (15) – por tempo indeterminado e sem remuneração – o superintendente financeiro do Clube, Roberto Gavioli, para que o mesmo possa defender-se da denúncia oferecida pelo Ministério Público”.

A denúncia agora será analisada pela Justiça, que decidirá se a aceita. Caso seja aceita, os dois se tornarão réus em uma ação penal. Além da condenação criminal, o MP pede que ambos sejam obrigados a ressarcir os R$ 480 mil aos cofres do Corinthians e paguem uma multa adicional de 75% desse valor por danos morais.

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