Presidente da LaLiga pede saída de Infantino e acusa FIFA de prejudicar o futebol

Javier Tebas critica expansão das competições internacionais, possível Mundial com 64 seleções e influência política em decisões da entidade

O presidente de LaLiga, Javier Tebas, defendeu a saída de Gianni Infantino do comando da FIFA. Em entrevista ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport, o dirigente espanhol afirmou que o atual presidente da entidade já completou seu ciclo e deveria deixar o cargo.

Tebas acusou a FIFA de estar “destruindo a indústria do futebol” ao ampliar suas competições e aumentar a pressão sobre o calendário. Para o dirigente, a entidade prioriza torneios internacionais de curta duração enquanto prejudica ligas e clubes responsáveis por sustentar o futebol durante toda a temporada.

Tebas critica possível Copa com 64 seleções

Uma das principais reclamações envolve a proposta de ampliar a Copa do Mundo de 2030 para 64 seleções. A ideia foi novamente defendida pelo presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, mas ainda não foi oficialmente aprovada pela FIFA.

O Mundial de 2026 já representou uma grande expansão. A competição passou de 32 para 48 participantes e teve 104 partidas, contra 64 do formato anterior. Infantino reconheceu que a possibilidade de outro aumento poderia ser analisada no futuro.

Tebas afirmou que aumentar novamente o número de seleções não faria sentido. Segundo ele, a Copa do Mundo é o evento mais importante do futebol, mas não pode concentrar todas as decisões do calendário.

O dirigente argumentou que são os campeonatos nacionais que movimentam o esporte durante a maior parte do ano, mantêm milhares de empregos e sustentam a relação cotidiana dos torcedores com os clubes.

A Copa de 2030 será organizada principalmente por Espanha, Portugal e Marrocos. Argentina, Paraguai e Uruguai receberão uma partida cada como parte das celebrações do centenário do torneio. O formato oficial, no entanto, continua sem uma ampliação confirmada para 64 participantes.

Caso Balogun aumenta críticas contra a FIFA

Tebas também criticou a maneira como a FIFA conduziu a suspensão de Folarin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026.

O atacante dos Estados Unidos havia recebido uma punição de uma partida após ser expulso, mas a aplicação da suspensão foi adiada pelo comitê disciplinar. A decisão permitiu que o jogador participasse das oitavas de final contra a Bélgica.

O caso ganhou repercussão porque ocorreu depois de uma ligação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para Infantino. A FIFA afirmou que a decisão foi tomada de forma independente pelo comitê disciplinar, com base nos regulamentos e nas circunstâncias do caso.

Para Tebas, a interferência política tornou o episódio extremamente grave. O dirigente afirmou que a situação poderia ter colocado a presidência de Infantino em risco caso os Estados Unidos avançassem na competição.

A Bélgica venceu a partida por 4 a 1 e eliminou a seleção norte-americana. Segundo o presidente da LaLiga, o resultado diminuiu a repercussão do caso, mas não resolveu os problemas de governança expostos pelo episódio.

Presidente da LaLiga critica funcionamento da entidade

Apesar de pedir a saída de Infantino, Tebas reconheceu que uma mudança no comando da FIFA é improvável.

O dirigente afirmou que o suíço conserva forte apoio entre as federações nacionais e que não existe, até o momento, um candidato de oposição capaz de disputar a presidência. Para Tebas, muitos dirigentes criticam as decisões internamente, mas evitam um enfrentamento público.

Infantino anunciou em abril que será candidato à reeleição em 2027. Ele ocupa o cargo desde fevereiro de 2016 e agradeceu publicamente o apoio das 211 associações que integram a FIFA.

A FIFA defende que as receitas obtidas com suas competições são distribuídas para o desenvolvimento do futebol em diferentes regiões do mundo. Infantino também sustenta que todas as federações possuem a mesma importância dentro da organização.

Conflito vai além de Tebas

As declarações surgem em um momento de tensão entre a FIFA e importantes dirigentes do futebol europeu.

O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, não esteve na final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina. Segundo a Reuters, a ausência ocorreu após divergências sobre procedimentos disciplinares, arbitragem e operações das partidas.

Tebas é um crítico antigo do calendário internacional e da expansão das competições organizadas pela FIFA. O dirigente argumenta que a criação de mais jogos aumenta o desgaste dos atletas e reduz o espaço das ligas nacionais.

A nova declaração, porém, eleva o nível do confronto. Em vez de questionar apenas decisões específicas, o presidente da LaLiga passou a defender diretamente a saída de Infantino.

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