Memphis decide ir à Justiça e cobrança contra o Corinthians pode chegar a R$ 180 milhões

Holandês pretende cobrar dívida integral do contrato anterior e avalia exigir também o valor do acordo de renovação que não foi assinado por Osmar Stabile

A saída de Memphis Depay pode se transformar em um problema financeiro ainda maior para o Corinthians. O estafe do atacante decidiu partir para uma disputa jurídica depois que o clube desistiu, na última hora, de renovar seu contrato. Segundo o ge, a soma das cobranças pretendidas pelo holandês pode chegar a aproximadamente R$ 180 milhões caso ele obtenha decisões favoráveis.

É importante, porém, diferenciar os valores. O Corinthians não possui hoje uma dívida reconhecida de R$ 180 milhões com Memphis. A cifra representa a soma de duas possíveis cobranças: cerca de R$ 77 milhões referentes ao contrato anterior, já considerando juros e correções, e aproximadamente US$ 20 milhões, cerca de R$ 103 milhões, correspondentes ao valor integral da renovação que havia sido negociada, mas não recebeu a assinatura final do presidente Osmar Stabile.

Primeira cobrança pode chegar a R$ 77 milhões

A pendência mais concreta é referente ao contrato encerrado.

O Corinthians devia aproximadamente R$ 42 milhões a Memphis em valores acumulados durante sua passagem pelo clube, principalmente relacionados a premiações e compromissos previstos no vínculo. Durante as negociações pela renovação, o atacante havia aceitado congelar a dívida nesse valor, abrir mão de juros e multas e receber o dinheiro de forma parcelada.

Com a desistência do Corinthians, essa concessão foi retirada.

Segundo o UOL, o contrato anterior estabelece o tribunal da Fifa como instância para resolver disputas financeiras entre as partes. O estafe de Memphis decidiu cobrar o valor integral, que pode alcançar aproximadamente R$ 77 milhões com juros e correções.

O Corinthians chegou a pedir aos representantes do jogador que não recorressem à Fifa e mantivessem o modelo de pagamento que havia sido acertado durante as conversas pela renovação. A tendência, porém, é de que o pedido não seja atendido.

O DPF já havia mostrado que esse risco surgiu imediatamente depois da desistência do clube. Antes da reviravolta, Memphis estava disposto a reduzir substancialmente o peso dessa dívida para facilitar sua permanência.

Memphis também quer cobrar contrato que não foi assinado

A segunda frente é ainda mais complexa.

De acordo com o ge, o estafe de Memphis entende que existem elementos jurídicos suficientes para cobrar aproximadamente US$ 20 milhões, equivalentes a R$ 103 milhões, referentes ao valor total do novo contrato de dois anos que havia sido acertado entre as partes.

O argumento dos representantes do atacante é de que a negociação já havia ultrapassado a fase de simples conversas.

Memphis viajou ao Brasil para realizar exames médicos, foi aprovado, compareceu à Neo Química Arena e recebeu uma minuta contratual após clube e representantes acertarem as últimas cláusulas. Segundo a apuração, trocas de e-mails, mensagens e documentos seriam utilizadas para sustentar que existia um acordo de boa-fé aguardando apenas a assinatura de Stabile.

O presidente, entretanto, decidiu não assinar.

Se Memphis conseguir demonstrar juridicamente que o compromisso já produzia efeitos e obtiver direito ao valor integral previsto no novo vínculo, os aproximadamente R$ 103 milhões poderiam ser somados aos R$ 77 milhões ligados ao contrato anterior. É dessa conta que surge a possível cobrança de cerca de R$ 180 milhões.

Por enquanto, trata-se de uma pretensão do jogador que ainda terá de ser discutida e eventualmente reconhecida pelos tribunais, e não de uma condenação já imposta ao Corinthians.

Corinthians acredita estar protegido

O clube conhece a intenção de Memphis, mas entende que possui argumentos para se defender.

Segundo o ge, o Corinthians considera que estava juridicamente autorizado a interromper as conversas porque o novo vínculo não chegou a ser assinado pelo presidente. Assim, a disputa deverá girar justamente em torno da pergunta central: as negociações e documentos trocados foram suficientes para estabelecer um compromisso juridicamente exigível ou a ausência da assinatura final permitia ao clube desistir?

No comunicado em que anunciou o fim das negociações, o Corinthians afirmou que decidiu não renovar “única e exclusivamente” por causa da situação financeira da instituição e avaliou que assumir um compromisso daquela magnitude seria incompatível com o equilíbrio do clube.

Memphis prometeu reação

A decisão causou forte irritação no jogador.

Memphis afirmou publicamente que havia chegado a um acordo de dois anos com o Corinthians e que a renovação tinha sido discutida com a presidência e com os departamentos de futebol, jurídico e financeiro. O holandês disse estar decepcionado e prometeu agir para preservar seus interesses.

A manifestação aumentou a expectativa por uma disputa.

Além de aceitar um salário inferior no novo vínculo, Memphis havia concordado em parcelar a dívida e abrir mão de encargos. Com o fim das negociações, seu estafe indica que a postura será diferente na cobrança.

Corinthians tentou economizar e agora enfrenta risco maior

O cenário cria uma situação delicada para Osmar Stabile.

Ao cancelar a renovação, o presidente argumentou que pretendia evitar um novo compromisso de alto custo em um momento de grave dificuldade financeira. O problema é que essa mesma desistência eliminou o acordo que reduzia a dívida anterior de aproximadamente R$ 77 milhões para R$ 42 milhões parcelados.

Agora, além da cobrança integral desse débito, o clube pode precisar se defender de uma ação relativa ao próprio contrato que decidiu não assinar.

Isso não significa que o Corinthians terá necessariamente de pagar R$ 180 milhões. A parcela de aproximadamente R$ 103 milhões dependerá da capacidade dos representantes de Memphis de demonstrar que havia um acordo juridicamente vinculante, enquanto o clube tentará sustentar que o vínculo nunca foi formalizado.

O que já está claro é que a novela deixou o campo das negociações esportivas.

Depois de desistir da renovação para proteger suas finanças, o Corinthians agora terá de enfrentar Memphis também no terreno jurídico, em uma disputa cujo impacto potencial pode ser muito maior do que o clube imaginava quando decidiu encerrar o acordo.

Confira o desenrolar desta história:

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