
O Santos terá de atravessar uma parte decisiva da temporada sem seu principal jogador. Exames realizados após o clássico contra o Palmeiras confirmaram que Neymar sofreu uma lesão de grau 2 na coxa direita, e a estimativa atual aponta para um período de seis a oito semanas de recuperação. Na prática, o camisa 10 deve desfalcar a equipe em pelo menos dez partidas e tem retorno projetado apenas para novembro.
O problema aconteceu durante o empate com o Palmeiras pela Copa do Brasil. Neymar sentiu dores ainda no primeiro tempo e não voltou para a etapa final. Os exames identificaram uma lesão moderada no músculo reto femoral, estrutura importante do quadríceps. Esse tipo de contusão envolve ruptura parcial de fibras musculares e exige cuidado especialmente pela possibilidade de recaída.
O estafe do jogador já descarta qualquer tentativa de acelerar a recuperação. Neymar possui histórico recente de problemas musculares, inclusive na mesma região, e nas lesões anteriores desde que retornou ao Brasil normalmente precisou cumprir o prazo máximo inicialmente projetado ou até ultrapassá-lo.
Por isso, embora seis semanas representem o cenário mais otimista, o Santos trabalha considerando também a possibilidade de dois meses completos sem o atacante.
Quartas da Sul-Americana serão sem Neymar
A primeira consequência esportiva já está definida. Neymar está fora dos dois jogos contra o Atlético-MG pelas quartas de final da Copa Sul-Americana. O Santos recebe o Galo na Vila Belmiro e depois decide a classificação na Arena MRV sem seu camisa 10.
Se o Peixe avançar, a situação continuará complicada. As semifinais estão previstas para outubro, ainda dentro do período máximo estimado de recuperação. Portanto, Neymar provavelmente também perderia os dois confrontos seguintes caso o Santos continue vivo na competição.
No Brasileirão, serão pelo menos oito partidas entre o início de setembro e o fim de outubro. Há ainda o clássico atrasado contra o São Paulo, que não possui nova data definida. Somando o calendário nacional à Sul-Americana, a ausência pode alcançar 12 jogos e até chegar a 13, dependendo da campanha santista e da remarcação da partida atrasada.
A partir de 4 de novembro, quando Neymar terá completado aproximadamente nove semanas de tratamento, aparece a primeira janela mais segura para um eventual retorno. Se a recuperação ocorrer dentro do esperado, ele ainda poderia participar das últimas cinco ou seis rodadas do Brasileirão e de uma eventual final da Sul-Americana, marcada para 21 de novembro.
Oitava interrupção desde que voltou ao Santos
A lesão também recoloca no centro da discussão um problema que acompanha Neymar desde o retorno ao clube, em janeiro de 2025: a dificuldade para manter uma sequência longa de partidas.
Esta é a oitava interrupção por questão física ou controle de carga desde sua volta ao Santos. Nesse período, o jogador já enfrentou problemas nas duas coxas, joelho e panturrilha, além de momentos em que precisou ser preservado para reduzir o risco de novas lesões.
Em 2025, Neymar disputou apenas 28 dos 54 jogos do Santos. Quatro lesões que efetivamente o impediram de atuar foram responsáveis por 17 partidas de ausência, sem contar outros desfalques por controle físico ou questões diferentes.
A temporada de 2026 parecia representar uma tentativa de mudar esse cenário. Depois de iniciar o ano se recuperando de uma cirurgia no menisco do joelho esquerdo, Neymar passou por um planejamento específico para recuperar condição física e conseguir finalmente uma sequência maior.
Ainda assim, ele esteve em campo em 24 dos primeiros 49 jogos do Santos na temporada. A nova lesão interrompe justamente uma fase em que o camisa 10 vinha conseguindo participar com maior frequência e havia voltado a assumir protagonismo técnico dentro da equipe.
Lesão acontece em momento especialmente ruim para o Santos
A ausência seria importante em qualquer período, mas ganha peso ainda maior pela situação do clube.
O Santos está envolvido diretamente na luta para se afastar da parte inferior da tabela do Brasileirão e, ao mesmo tempo, encara a Sul-Americana como sua principal possibilidade de conquistar um título nesta temporada. O próprio Cuca já reconheceu que a equipe terá de encontrar soluções sem Neymar durante a reta final.
Além do camisa 10, o departamento médico também recebeu recentemente Lucas Veríssimo e Barreal. A sequência aumenta os problemas de Cuca justamente quando o calendário entra em uma fase com jogos decisivos em duas competições.
A perda de Neymar também modifica a organização ofensiva. Mesmo quando não participa diretamente de gols, boa parte da construção do Santos passa pela capacidade do atacante de receber entre linhas, atrair marcações e criar situações individuais. Sem ele, o time precisará redistribuir responsabilidades durante um período que pode ocupar praticamente todo setembro e outubro.
O problema já não é apenas perder alguns jogos
O ponto central da nova lesão é justamente a repetição.
Desde que decidiu voltar ao Santos, Neymar alterna períodos de participação importante com novas interrupções. O problema atual não representa necessariamente uma consequência direta das lesões anteriores, mas aumenta novamente a dificuldade para o jogador sustentar uma sequência de longo prazo.
O próprio histórico levou sua equipe a adotar uma postura conservadora. Não existe intenção de encurtar o tratamento para colocá-lo em campo nas partidas contra o Atlético-MG ou tentar antecipar sua volta em razão da situação do Santos.
Isso deixa um cenário bastante claro para as próximas semanas: o Santos precisa se preparar para jogar pelo menos dez partidas sem Neymar, com a possibilidade de esse número chegar a 13.
A volta, se ocorrer dentro da projeção atual, ficará para novembro. Até lá, o clube terá de decidir parte considerável de seu futuro no Brasileirão e na Sul-Americana sem o jogador em torno do qual construiu boa parte de seu projeto esportivo.