Neymar pode perder pelo menos dez jogos do Santos e só deve voltar em novembro

Lesão de grau 2 na coxa direita prevê recuperação de seis a oito semanas e tira camisa 10 das quartas da Sul-Americana contra o Atlético-MG

SP – SANTOS – 15/02/2026 – PAULISTA 2026, SANTOS X VELO CLUBE – Neymar Jr. jogador do Santos durante partida contra o Velo Clube no estadio Vila Belmiro pelo campeonato Paulista 2026. Foto: Jota Erre/AGIF

O Santos terá de atravessar uma parte decisiva da temporada sem seu principal jogador. Exames realizados após o clássico contra o Palmeiras confirmaram que Neymar sofreu uma lesão de grau 2 na coxa direita, e a estimativa atual aponta para um período de seis a oito semanas de recuperação. Na prática, o camisa 10 deve desfalcar a equipe em pelo menos dez partidas e tem retorno projetado apenas para novembro.

O problema aconteceu durante o empate com o Palmeiras pela Copa do Brasil. Neymar sentiu dores ainda no primeiro tempo e não voltou para a etapa final. Os exames identificaram uma lesão moderada no músculo reto femoral, estrutura importante do quadríceps. Esse tipo de contusão envolve ruptura parcial de fibras musculares e exige cuidado especialmente pela possibilidade de recaída.

O estafe do jogador já descarta qualquer tentativa de acelerar a recuperação. Neymar possui histórico recente de problemas musculares, inclusive na mesma região, e nas lesões anteriores desde que retornou ao Brasil normalmente precisou cumprir o prazo máximo inicialmente projetado ou até ultrapassá-lo.

Por isso, embora seis semanas representem o cenário mais otimista, o Santos trabalha considerando também a possibilidade de dois meses completos sem o atacante.

Quartas da Sul-Americana serão sem Neymar

A primeira consequência esportiva já está definida. Neymar está fora dos dois jogos contra o Atlético-MG pelas quartas de final da Copa Sul-Americana. O Santos recebe o Galo na Vila Belmiro e depois decide a classificação na Arena MRV sem seu camisa 10.

Se o Peixe avançar, a situação continuará complicada. As semifinais estão previstas para outubro, ainda dentro do período máximo estimado de recuperação. Portanto, Neymar provavelmente também perderia os dois confrontos seguintes caso o Santos continue vivo na competição.

No Brasileirão, serão pelo menos oito partidas entre o início de setembro e o fim de outubro. Há ainda o clássico atrasado contra o São Paulo, que não possui nova data definida. Somando o calendário nacional à Sul-Americana, a ausência pode alcançar 12 jogos e até chegar a 13, dependendo da campanha santista e da remarcação da partida atrasada.

A partir de 4 de novembro, quando Neymar terá completado aproximadamente nove semanas de tratamento, aparece a primeira janela mais segura para um eventual retorno. Se a recuperação ocorrer dentro do esperado, ele ainda poderia participar das últimas cinco ou seis rodadas do Brasileirão e de uma eventual final da Sul-Americana, marcada para 21 de novembro.

Oitava interrupção desde que voltou ao Santos

A lesão também recoloca no centro da discussão um problema que acompanha Neymar desde o retorno ao clube, em janeiro de 2025: a dificuldade para manter uma sequência longa de partidas.

Esta é a oitava interrupção por questão física ou controle de carga desde sua volta ao Santos. Nesse período, o jogador já enfrentou problemas nas duas coxas, joelho e panturrilha, além de momentos em que precisou ser preservado para reduzir o risco de novas lesões.

Em 2025, Neymar disputou apenas 28 dos 54 jogos do Santos. Quatro lesões que efetivamente o impediram de atuar foram responsáveis por 17 partidas de ausência, sem contar outros desfalques por controle físico ou questões diferentes.

A temporada de 2026 parecia representar uma tentativa de mudar esse cenário. Depois de iniciar o ano se recuperando de uma cirurgia no menisco do joelho esquerdo, Neymar passou por um planejamento específico para recuperar condição física e conseguir finalmente uma sequência maior.

Ainda assim, ele esteve em campo em 24 dos primeiros 49 jogos do Santos na temporada. A nova lesão interrompe justamente uma fase em que o camisa 10 vinha conseguindo participar com maior frequência e havia voltado a assumir protagonismo técnico dentro da equipe.

Lesão acontece em momento especialmente ruim para o Santos

A ausência seria importante em qualquer período, mas ganha peso ainda maior pela situação do clube.

O Santos está envolvido diretamente na luta para se afastar da parte inferior da tabela do Brasileirão e, ao mesmo tempo, encara a Sul-Americana como sua principal possibilidade de conquistar um título nesta temporada. O próprio Cuca já reconheceu que a equipe terá de encontrar soluções sem Neymar durante a reta final.

Além do camisa 10, o departamento médico também recebeu recentemente Lucas Veríssimo e Barreal. A sequência aumenta os problemas de Cuca justamente quando o calendário entra em uma fase com jogos decisivos em duas competições.

A perda de Neymar também modifica a organização ofensiva. Mesmo quando não participa diretamente de gols, boa parte da construção do Santos passa pela capacidade do atacante de receber entre linhas, atrair marcações e criar situações individuais. Sem ele, o time precisará redistribuir responsabilidades durante um período que pode ocupar praticamente todo setembro e outubro.

O problema já não é apenas perder alguns jogos

O ponto central da nova lesão é justamente a repetição.

Desde que decidiu voltar ao Santos, Neymar alterna períodos de participação importante com novas interrupções. O problema atual não representa necessariamente uma consequência direta das lesões anteriores, mas aumenta novamente a dificuldade para o jogador sustentar uma sequência de longo prazo.

O próprio histórico levou sua equipe a adotar uma postura conservadora. Não existe intenção de encurtar o tratamento para colocá-lo em campo nas partidas contra o Atlético-MG ou tentar antecipar sua volta em razão da situação do Santos.

Isso deixa um cenário bastante claro para as próximas semanas: o Santos precisa se preparar para jogar pelo menos dez partidas sem Neymar, com a possibilidade de esse número chegar a 13.

A volta, se ocorrer dentro da projeção atual, ficará para novembro. Até lá, o clube terá de decidir parte considerável de seu futuro no Brasileirão e na Sul-Americana sem o jogador em torno do qual construiu boa parte de seu projeto esportivo.

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