O que fazem Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira nos dias atuais?

Foto: Reprodução/Instagram/@mesaredondatv

Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira se viram como protagonistas de uma polêmica que repercutiu nas redes sociais por suas declarações mostrando uma oposição grande a presença de treinadores estrangeiros no futebol do Brasil dadas no palco do Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, realizado nesta terça-feira (4) na sede da CBF. As declarações causaram constrangimente e até um sentimento de vergonha alheia, pois foram feitas na frente do técnico da Seleção Brasileira, o italiano Carlo Ancelotti.

O que veio na sequência foi uma enxurrada de críticas aos experientes treinadores em boa parte da mídia nacional e até do dirigente da Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol, o também técnico Alfredo Sampaio, no final do evento, criticando especificamente a fala de Oswaldo de Oliveira e dizendo que a atitude prejudicou a intenção do evento que era aproximar os treinadores do comando da CBF para terem mais diálogo com a principal entidade nacional do futebol. A Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol ainda fez uma nota de repúdio sobre as declarações de Oswaldo em seu Instagram.

Sem tanto espaço na mídia, as declarações de Oswaldo de Oliveira e Emerson Leão fizeram muitas nas redes sociais se perguntarem o que fazem os dois treinadores nos dias atuais. O Doentes por Futebol responde abaixo a esta indagação.

Leão resolveu se afastar do futebol por conta própria

Ídolo do Palmeiras e um dos grandes goleiros do Brasil nas décadas de 70 e 80, Emerson Leão encerrou a carreira em 1987, quando logo na sequência assumiu o comando do Sport, seu último time como jogador profissional. Como treinador ele dirigiu boa parte dos principais clubes nacionais, teve passagens pelo futebol japonês e do Catar e chegou a dirigir a Seleção Brasileira entre os anos de 2000 e 2001, substituindo Vanderlei Luxemburgo e sendo demitido após participação ruim do Brasil na Copa das Confederações de 2001.

Como treinador, as principais conquistas de Leão foram o título nacional com o Sport em 1987, o título brasileiro com o Santos em 2002, comandando a geração de Diego e Robinho, além de títulos estaduais com o Sport em 2000 e com o São Paulo em 2005. Leão ainda foi bicampeão da Copa Conmebol em 1997 e 1998, dirigindo Atlético-MG e Santos. O seu último clube como treinador foi o São Caetano em 2012.

Na sequência, Leão resolveu se afastar do futebol e cuidar das fazendas de criação de gado e soja. Ele chegou a virar um consultor da Portuguesa em 2017 por alguns meses e ser comentarista de futebol, porém nos últimos anos fez apenas participações esporádicas em mesa redonda e podcasts como convidado.

Em entrevista em fevereiro deste ano ao GE, no quadro Abre Aspas, Leão disse que a decisão de se afastar do futebol foi por um desejo próprio e que até hoje ainda é procurado por dirigentes para assumir cargos em seus clubes, seja como treinador ou dirigente. “(Me afastei do futebol) só por opção mesmo. E eu ainda fico agradecido, porque até hoje os presidentes me telefonam, me oferecem cargos de treinador e de dirigente. Eu agradeço, mas não aceito. Hoje, sou um homem de 75 anos, que trabalhei no futebol no mínimo 50. Passei por muitos grupos como treinador e como jogador, e tive a felicidade de passar pela seleção brasileira, como treinador e também como jogador. Eu acho que o que jogam hoje não é futebol, acho que é um novo esporte com a bola de futebol”, disse Leão.

Na entrevista, Leão disse ainda que vendeu todos os negócios para aproveitar as filhas, a neta e a esposa, com quem é casado há 54 anos e contou sobre o furto que sofreu em 2002 de boa parte das relíquias que guardou durante os anos em que viveu no futebol, em que estima ter levado um prejuízo de cerca de R$ 20 milhões de objetos que além de serem de valor material, ele nutria um sentimento afetivo já que boa parte remetiam às suas glórias no campo também.

Oswaldo de Oliveira ainda sonha em voltar aos campos

Se no caso de Emerson Leão, o desejo foi por deixar o futebol de lado para curtir a família, Oswaldo de Oliveira ainda sonha com a volta aos bancos de reservas em clubes do Brasil. Assim como Leão, Oswaldo passou por boa parte dos principais clubes brasileiros, além de equipes no Emirados Arábes Unidos, Catar e Japão, onde fez história no Kashima Antlers com o tricampeonato consecutivo nacional entre 2007 e 2009. No Brasil, Oswaldo ficou mais conhecido pela passagem no Corinthians, onde conquistou os títulos do Brasileiro em 1999 e Mundial de Clubes em 2000.

O treinador está fora do mercado do futebol desde 2019, quando dirigiu a equipe do Fluminense por apenas 7 jogos e foi demitido em setembro daquele ano. Em entrevista também ao quadro Abre Aspas, do GE, Oswaldo disse que ainda nutre o sonho de voltar a ser treinador de futebol mesmo afastado há cerca de 6 anos dos gramados.

“Esses dias mandei uma mensagem para algumas pessoas que trabalharam comigo. Escrevi assim: “O futebol nos faz muita falta, mas acho que a gente também ainda faz falta ao futebol”. E acho que eu podia estar colaborando muito mais hoje na posição que estou, com a experiência que tenho”, disse ele na entrevista feita em abril, creditando o seu perfil combativo como principal motivo para não voltar a figurar nos principais clubes nacionais.

“Tem muitas instâncias. Na verdade, eu acabei criando algumas antipatias, vamos dizer assim, por não aceitar determinadas coisas. Principalmente dos dirigentes. O dirigente quer interferir, mandar no teu time, quer escalar, contratar o jogador que ele quer. Isso foi uma coisa que tem me atrapalhado muito. E as posições que eu tenho com relação a isso e a outros pontos de vista também, de não aceitar determinadas coisas”.

Enquanto uma nova oportunidade não aparece Oswaldo ganha a vida com palestras e cursos para falar sobre suas experiências no meio do futebol. Em seu Instagram, ele vende um curso online voltado para pessoas que querem trabalhar como treinador de futebol e recentemente, em setembro, deu uma palestra em Porto Seguro para treinadores e dirigentes de clubes da região.

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