Pausa técnica vira alerta climático no Parazão

Iniciativa da Federação Paraense de Futebol (FPF) e da campanha Terra FC utiliza interrupção nos jogos para destacar como efeitos climáticos já transformam o esporte

Imagem: Paysandu

No Campeonato Paraense, a tradicional pausa para hidratação ganhou um novo propósito. Agora chamada Parada pelo Clima, a interrupção nos jogos se transforma em um momento de conscientização: o aumento das temperaturas e os efeitos das mudanças climáticas já estão alterando a rotina do futebol. A iniciativa é da Federação Paraense de Futebol (FPF) em parceria com a campanha global Terra FC.

Mais do que um gesto simbólico, a ação evidencia um problema concreto: o futebol já sofre os impactos de eventos climáticos extremos. Calor excessivo, chuvas intensas e desastres naturais afetam o rendimento dos atletas, o conforto das torcidas, a logística das partidas e até a segurança dos estádios — impondo custos crescentes a clubes e competições.

A estreia da Parada pelo Clima ocorreu em 18 de janeiro, durante a vitória do Remo por 2 a 1 sobre o Águia de Marabá, que garantiu aos azulinos o título da Supercopa Grão-Pará. A iniciativa seguirá ao longo de todo o estadual, com vídeos nos telões, mensagens de locução, faixas em campo e inserções nas transmissões.

“O futebol tem poder de mobilização para gerar consciência e inspirar mudanças reais. Essa ação pioneira reforça o protagonismo do Pará no debate climático e abre caminho para levarmos essa mensagem a outros estados e campeonatos”, afirma Laura Moraes, diretora do Terra FC.

Em cada uma das dez rodadas do Parazão 2026, um novo tema será abordado — da crise hídrica ao aumento das temperaturas. A pausa acontece sempre por volta dos 30 minutos de cada tempo.

“Transformar a pausa técnica em espaço de alerta climático é usar o futebol como plataforma de diálogo com a sociedade. A Parada pelo Clima mostra que inovação no esporte também significa reconhecer riscos reais e estimular responsabilidade dentro e fora dos estádios”, destaca Ricardo Gluck-Paul, presidente da FPF e vice da CBF.

Imagem: Clube do Remo

O jogo sob pressão

A pausa para hidratação, já adotada em torneios estaduais e prevista para a próxima Copa do Mundo, é apenas um reflexo da crise climática no futebol. Jogos adiados, estádios danificados por enchentes e prejuízos logísticos se tornam cada vez mais comuns.

Um estudo da consultoria ERM, encomendado pelo Terra FC, revela que 78% dos clubes das Séries A, B e C estão em municípios com alto risco de eventos climáticos severos nos próximos 25 anos. O relatório estima perdas de R$ 50 a R$ 55 milhões em valor de mercado apenas para Remo e Paysandu. No total, 47 dos 60 clubes das principais divisões brasileiras enfrentam riscos elevados, com prejuízos que podem chegar a R$ 70 bilhões.

Entre os mais vulneráveis estão justamente os dois gigantes paraenses, ameaçados por enchentes severas e incêndios florestais. Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco e Athletic Club (MG) também figuram entre os clubes mais expostos.

Terra FC: futebol em defesa do planeta

O Terra FC é uma campanha global que usa o esporte como ferramenta de mobilização climática. Suas frentes de atuação incluem:

A iniciativa é conduzida por uma coalizão de clubes, federações, atletas e organizações da sociedade civil, convocada pela rede internacional Count Us In — a mesma responsável pelo Green Football Weekend, no Reino Unido.

 

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