
A derrota por 3 a 0 para o Palmeiras, na ida das quartas de final da Copa do Brasil, teve repercussão imediata no Santos. Durante a madrugada desta quinta-feira, o muro do CT Rei Pelé apareceu pichado com mensagens de cobrança ao elenco, em mais um sinal de que a pressão sobre o clube aumentou depois do clássico.
Entre as frases deixadas no local estavam “time apático”, “jogue para ganhar” e “respeita nossa história”. As pichações apareceram poucas horas depois de uma atuação em que o Santos foi amplamente dominado no Nubank Parque e deixou a classificação para a semifinal em situação extremamente complicada.
O placar obriga o Peixe a construir uma reação muito difícil na partida de volta, marcada para a próxima quarta-feira, às 21h30, na Vila Belmiro. Para levar a decisão aos pênaltis, o Santos precisa vencer por três gols de diferença. Uma classificação direta exige triunfo por quatro ou mais gols. Qualquer outro resultado coloca o Palmeiras na semifinal.
A dimensão do desafio aumenta quando se olha para o desempenho apresentado na ida. O Palmeiras controlou boa parte da partida, criou oportunidades suficientes até para construir uma vantagem maior e aproveitou as fragilidades defensivas do rival para abrir 3 a 0. O Santos conseguiu sustentar sua proposta inicial durante pouco mais de meia hora, mas perdeu completamente o controle depois de sofrer o primeiro gol.
Cuca assume responsabilidade e cobra “mais alma”
Após o clássico, Cuca não tentou aliviar a atuação do time. O treinador assumiu a responsabilidade pelo resultado e reconheceu que a cobrança do torcedor é justificável.
“Quando perde um clássico de 3 a 0, não tem justificativa. O maior responsável sou eu.”
Cuca também afirmou que o elenco precisa apresentar “mais alma” em partidas decisivas e deixou claro que esperava uma postura diferente diante do Palmeiras.
A cobrança pública do treinador encontra eco dentro do próprio elenco. Willian Arão afirmou depois da partida que o Santos não apresentou uma postura compatível com a história do clube e com o tamanho do clássico.
O cenário esportivo torna o protesto ainda mais significativo. O Santos ocupa atualmente a 14ª posição do Brasileirão, com 26 pontos, apenas dois acima da zona de rebaixamento. Antes de tentar a remontada contra o Palmeiras, o time terá outro clássico, contra o Corinthians, domingo, às 16h, na Neo Química Arena.
Neymar ficou fora e Gabigol começou no banco
As escolhas de Cuca também entraram no centro da discussão depois da derrota. Neymar não participou do clássico. O camisa 10 havia sido relacionado inicialmente, mas acabou preservado pela comissão técnica em razão do desgaste físico, do risco de lesão no gramado sintético e do calendário apertado. O próprio jogador, porém, afirmou nas redes sociais que estava à disposição para atuar.
Gabigol também não começou entre os titulares. Cuca optou por um ataque com jogadores de maior velocidade para tentar explorar a marcação do Palmeiras, e o camisa 9 entrou apenas durante o segundo tempo, quando a situação já estava bastante desfavorável. O treinador afirmou que a decisão foi estritamente técnica e não teve relação com qualquer problema disciplinar.
O resultado dessas escolhas foi uma noite em que o Santos praticamente não conseguiu reagir depois que o Palmeiras abriu vantagem. A eliminação ainda não está definida, mas o tamanho da missão na Vila Belmiro deixa o clube diante de uma semana de enorme pressão.
Crise não está limitada à Copa do Brasil
A goleada pesa ainda mais porque o Santos não pode simplesmente abandonar o Brasileirão para concentrar esforços na tentativa de virada. O clube segue muito próximo do Z4 e terá justamente um clássico contra o Corinthians antes do duelo decisivo com o Palmeiras.
Por isso, a madrugada de protestos no CT Rei Pelé representa mais do que a reação a uma derrota isolada. As mensagens nos muros refletem a insatisfação com um time que disputa três competições, mas ainda convive com o risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro e agora precisa protagonizar uma grande virada para continuar vivo na Copa do Brasil.
O Santos terá poucos dias para responder dentro de campo. Primeiro, precisa pontuar contra o Corinthians para se afastar da zona de rebaixamento. Depois, terá de fazer na Vila Belmiro aquilo que não conseguiu no jogo de ida: competir em igualdade com o Palmeiras durante os 90 minutos.