
A crise financeira do São Paulo ganhou mais um capítulo preocupante. A diretoria não conseguiu cumprir a promessa feita aos jogadores de regularizar os direitos de imagem atrasados e estabeleceu um novo prazo para tentar colocar as contas com o elenco em dia. Agora, o objetivo é quitar as pendências até o fim de setembro.
O compromisso anterior havia sido assumido no início de julho. Na ocasião, dirigentes do futebol e do departamento financeiro se reuniram com os atletas e informaram que os atrasados seriam regularizados dentro de aproximadamente um mês, portanto no começo de agosto. Os jogadores aceitaram a explicação e deram crédito ao planejamento apresentado pelo clube. O dinheiro, porém, não apareceu no prazo estipulado.
Quase dois meses depois daquela reunião, o São Paulo continua com direitos de imagem em aberto. Segundo o ge, a maioria do elenco possui atualmente pelo menos dois vencimentos atrasados, embora a situação varie de acordo com o contrato de cada jogador. O pagamento mais recente deveria ter ocorrido em 28 de agosto, mas a parcela referente aos direitos de imagem novamente não foi quitada.
A situação é diferente em relação ao salário registrado em carteira. O clube tem tratado os pagamentos previstos pela CLT como prioridade e, segundo as informações disponíveis, essa parte da remuneração permanece em dia. O problema está principalmente nos contratos de imagem, que representam uma parcela importante dos rendimentos de vários atletas.
Promessa dependia de R$ 140 milhões que ainda não chegaram
O planejamento apresentado aos jogadores estava diretamente relacionado a uma operação financeira que ainda não foi concluída. O São Paulo fechou um acordo com a Ticketmaster que prevê aproximadamente R$ 140 milhões em antecipação de receitas, mas o contrato ainda precisa passar pelo Conselho Deliberativo do clube.
A operação já recebeu aprovação unânime do Conselho de Administração. O passo seguinte será a votação entre os conselheiros deliberativos, mas ainda não existe uma data definida para a reunião. Sem o dinheiro da antecipação, a diretoria não encontrou fluxo de caixa suficiente para cumprir a promessa feita ao elenco.
O mesmo recurso agora aparece como peça central da nova promessa. A intenção da gestão de Harry Massis é utilizar parte dos R$ 140 milhões para zerar os direitos de imagem atrasados até o final de setembro. Isso significa que, novamente, o cumprimento do prazo depende de uma operação que ainda precisa superar etapas internas antes de colocar dinheiro efetivamente no caixa.
Alguns jogadores chegaram a relatar quatro meses de atraso
A dimensão das pendências não é igual para todos. Uma apuração anterior do UOL revelou situações de até quatro meses de direitos de imagem sem pagamento, além de casos ainda mais extremos de atletas que afirmaram não ter recebido determinadas parcelas previstas ao longo da temporada.
Também existem diferenças determinadas pela estrutura dos próprios contratos. Há pagamentos mensais, bimestrais ou trimestrais, o que faz com que dois jogadores do mesmo elenco possam apresentar números diferentes de parcelas em aberto.
Outra reclamação relatada nos bastidores envolve a ordem dos pagamentos. Jogadores menos utilizados teriam ficado atrás na fila de algumas quitações, aumentando a insatisfação de uma parte do grupo.
O problema não começou nesta temporada. Luciano chegou a afirmar que convive com atrasos relacionados a direitos de imagem desde 2020, enquanto a atual administração também precisou negociar dívidas deixadas por gestões anteriores.
Torcida Independente transformou setembro em prazo final
A nova previsão também foi apresentada às torcidas organizadas. Depois de se reunir com representantes do clube, a Torcida Independente anunciou publicamente que setembro será tratado como prazo limite para a regularização.
A organizada havia mudado sua postura em relação ao elenco depois de descobrir a dimensão dos problemas financeiros enfrentados pelos atletas. Em vez de concentrar as cobranças nos jogadores, passou a prometer apoio dentro de campo e direcionar a pressão principalmente à diretoria.
No último sábado, a Independente voltou ao assunto e deixou claro que acompanhará o cumprimento do novo compromisso. A cobrança aumenta justamente porque já houve uma promessa anterior feita aos atletas e ela não foi honrada.
O problema agora também é de confiança
O atraso financeiro, por si só, já seria suficientemente preocupante. O novo capítulo acrescenta outro componente: o São Paulo apresentou ao próprio elenco um cronograma para resolver a situação e não conseguiu executá-lo.
Isso torna a questão diferente da simples constatação de que existem direitos de imagem pendentes. Jogadores aceitaram o prazo apresentado em julho, o clube projetou a entrada de recursos e prometeu regularizar os débitos no início de agosto. Setembro começou e as pendências continuam.
A diretoria agora ganhou uma segunda oportunidade para cumprir o que prometeu. Para isso, depende principalmente da aprovação da operação com a Ticketmaster.
Caso os R$ 140 milhões sejam liberados e os pagamentos sejam feitos, o São Paulo poderá aliviar uma fonte importante de tensão nos bastidores. Se setembro terminar sem a regularização, porém, a crise deixará de envolver apenas atrasos financeiros e passará também pela capacidade da administração de cumprir os compromissos assumidos diretamente com jogadores e torcedores.