
A crise do São Paulo ganhou um novo componente fora de campo. Depois de uma reunião com jogadores, comissão técnica e dirigentes no CT da Barra Funda, as principais torcidas organizadas do clube decidiram manter o apoio ao elenco e direcionar a maior parte das cobranças à diretoria. O motivo foi a revelação de que existem pagamentos de direitos de imagem atrasados para jogadores do grupo.
Representantes da Independente, Dragões da Real e Falange Tricolor estiveram no CT na segunda-feira, dois dias depois da derrota para a Chapecoense. Aproximadamente 30 torcedores participaram de uma conversa de mais de uma hora com atletas, Dorival Júnior e o executivo de futebol Rafinha. O presidente Harry Massis não participou.
O encontro inicialmente tinha forte caráter de cobrança. O São Paulo atravessa dez rodadas sem vencer no Brasileirão e está apenas três pontos acima da zona de rebaixamento. Durante a conversa, porém, os torcedores foram informados sobre problemas financeiros enfrentados pelos jogadores.
Após a reunião, Baby, uma das lideranças da Independente, afirmou que a pressão seria redirecionada para a administração do clube e disse que o apoio aos atletas continuaria dentro de campo.
Atrasos variam entre os jogadores
Segundo apuração do UOL, as principais pendências atuais não são referentes ao salário registrado em carteira, mas aos direitos de imagem. Os atrasos variam de acordo com cada contrato e cada atleta. Em média, jogadores relatam cerca de três meses de pendências, enquanto há casos que chegariam a quatro meses. Alguns atletas afirmam ainda não ter recebido determinadas parcelas de imagem previstas para esta temporada.
Também existem reclamações sobre a maneira como os pagamentos são realizados. Jogadores menos utilizados teriam ficado atrás na fila de quitação de algumas obrigações, enquanto parcelas de acordos anteriores firmados pelo clube para regularizar débitos com o elenco também estariam atrasadas. O departamento de futebol reconhece a existência de pendências, mas não detalha individualmente os valores ou prazos.
O problema ocorre em meio a uma situação financeira delicada no MorumBis. O São Paulo convive com cobranças de jogadores, ex-atletas e empresários, além de compromissos assumidos em acordos anteriores. Ao mesmo tempo, negocia uma mudança na operação de venda de ingressos que pode resultar em uma antecipação de aproximadamente R$ 130 milhões em receitas.
Baby, após reunião:
“A maior cobrança vai ser pra cima da diretoria, os verdadeiros. Tão tudo com salário atrasados (jogadores).”
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— Somos São Paulinos (@somosaopaulinos) August 24, 2026
Apoio em campo, protesto contra a diretoria
A descoberta dos atrasos mudou a estratégia das organizadas para o próximo jogo.
O São Paulo recebe o Red Bull Bragantino no sábado, às 20h, no MorumBis, em uma partida tratada pelas próprias torcidas como decisiva para iniciar uma reação no Campeonato Brasileiro. A promessa é de apoio aos jogadores durante os 90 minutos, enquanto as manifestações serão direcionadas aos dirigentes e à situação política do clube.
A união acontece em um dos momentos mais delicados da temporada. Depois da derrota para a lanterna Chapecoense, o São Paulo chegou a dez jogos consecutivos sem vencer no Brasileirão e passou a conviver diretamente com o risco de entrar no Z4.
Para as organizadas, a responsabilidade pela crise deixou de estar concentrada apenas no desempenho dentro de campo. A partir das informações conhecidas na reunião do CT, a pressão passa também a mirar quem administra o clube.