O Vasco chegou ao Maracanã, na noite de terça-feira (20), com uma oportunidade que não aparecia havia muito tempo. Depois de vencer o Boca Juniors por 1 a 0 na Bombonera, o clube precisava de um empate diante de sua torcida para voltar a disputar uma final continental, algo que não acontecia desde a conquista da Copa Mercosul de 2000. A vantagem construída na Argentina, a presença de milhares de vascaínos e a possibilidade de disputar um título internacional depois de tantos anos tornavam aquela partida uma das mais importantes da história recente do clube.
A derrota por 3 a 1, porém, encerrou a campanha na semifinal da Copa Sul-Americana. O Boca abriu dois gols de vantagem ainda no primeiro tempo, com Lautaro Di Lollo e Miguel Merentiel. Puma Rodríguez descontou para os brasileiros, recolocando a classificação ao alcance do Vasco, mas Leandro Paredes marcou aos 42 minutos da etapa final, em uma jogada que contou com uma falha do goleiro Léo Jardim. O resultado eliminou a equipe carioca por 3 a 2 no placar agregado e adiou novamente a possibilidade de encerrar uma espera que começou em 2011.
A eliminação chama atenção não apenas pelo modo como aconteceu, mas também pelo momento vivido pelo clube. Nos últimos três anos, o Vasco voltou a alcançar fases importantes de competições eliminatórias, depois de um longo período em que a principal preocupação frequentemente era permanecer na primeira divisão. Foram uma semifinal da Copa do Brasil em 2024, o vice-campeonato do mesmo torneio em 2025 e, agora, a semifinal da Sul-Americana. Esses resultados sugerem uma recuperação de competitividade, embora ainda não tenham produzido a conquista que o torcedor espera.
Para entender por que a derrota diante do Boca representa tanto, é necessário olhar para o que aconteceu com o Vasco desde seu último grande título. O clube que venceu a Copa do Brasil de 2011 ainda era capaz de disputar o Campeonato Brasileiro entre os primeiros colocados e tinha ambições continentais. Nos anos seguintes, passou a enfrentar problemas que mudaram profundamente suas prioridades, sua estrutura e até aquilo que passou a ser considerado uma temporada satisfatória.
2012–2016 — De candidato a títulos aos primeiros rebaixamentos
A conquista da Copa do Brasil de 2011 marcou um período de recuperação esportiva do Vasco. Apenas três anos antes, o clube havia sofrido o primeiro rebaixamento de sua história, mas conseguiu retornar à Série A em 2009 e reorganizar uma equipe competitiva. Com jogadores como Fernando Prass, Dedé, Juninho Pernambucano, Felipe, Diego Souza e Éder Luís, o time comandado por Ricardo Gomes e, posteriormente, Cristóvão Borges voltou a ocupar posições de destaque no futebol brasileiro.
Além do título conquistado sobre o Coritiba, o Vasco terminou o Campeonato Brasileiro de 2011 na segunda colocação, disputando a liderança com o Corinthians até a última rodada. A temporada devolveu ao torcedor a possibilidade de acompanhar o clube na disputa direta por troféus nacionais, e não apenas em campanhas de recuperação. Havia também a expectativa de que aquele elenco pudesse sustentar um novo período de protagonismo.
Em 2012, a equipe chegou às quartas de final da Libertadores, quando foi eliminada pelo Corinthians, futuro campeão do torneio. O confronto mostrou que o Vasco ainda tinha condições de competir em alto nível, embora também tenha representado uma oportunidade perdida de disputar uma semifinal continental. No Campeonato Brasileiro, terminou em quinto lugar, mantendo-se próximo das primeiras posições, mas já apresentando sinais das dificuldades que se tornariam mais evidentes na sequência.
A mudança foi rápida. Problemas financeiros, atrasos salariais, saídas de jogadores importantes e dificuldades para manter um elenco competitivo enfraqueceram a estrutura que havia sustentado as boas campanhas anteriores. A desmontagem da equipe não foi acompanhada por uma reposição capaz de conservar o mesmo nível técnico, e o Vasco começou a perder espaço justamente quando outros clubes passaram a ampliar seus investimentos e modernizar suas estruturas.
Em 2013, apenas dois anos depois do título da Copa do Brasil, o Vasco foi rebaixado novamente. A queda representou mais do que uma temporada ruim, porque confirmou que os problemas já não poderiam ser tratados como acontecimentos passageiros. O clube havia saído da disputa por títulos nacionais para uma situação em que precisava reconstruir o elenco e encontrar condições financeiras para retornar à primeira divisão.
O acesso veio em 2014, mas a campanha na Série B esteve longe de transmitir a segurança esperada de uma equipe com a história do Vasco. O retorno permitiu algum alívio, embora não tenha resolvido as questões que haviam provocado o rebaixamento. Em 2015, a contradição entre uma conquista e uma crise voltou a aparecer: o clube venceu o Campeonato Carioca, encerrando um jejum estadual de 12 anos, mas terminou o Campeonato Brasileiro novamente entre os quatro últimos colocados.
O bicampeonato carioca de 2016 ofereceu outro momento de comemoração. A equipe comandada por Jorginho conquistou o estadual de maneira invicta e também conseguiu o acesso à Série A. Para uma torcida que havia acompanhado dois rebaixamentos em três anos, foram resultados importantes, especialmente porque demonstraram que o clube ainda conseguia construir campanhas positivas mesmo em meio às dificuldades.
Entretanto, o significado dessas conquistas era diferente daquele atribuído à Copa do Brasil de 2011. Os títulos estaduais tinham seu valor, mas o Vasco já não estava disputando os mesmos objetivos. Uma equipe que poucos anos antes brigava pelo Campeonato Brasileiro e pela Libertadores agora precisava comemorar, simultaneamente, um campeonato regional e o retorno à elite nacional.
2017–2021 — A sobrevivência substitui a disputa por títulos
O retorno à Série A, em 2017, abriu outra oportunidade de reorganização. O Vasco terminou o Campeonato Brasileiro na sétima colocação e garantiu uma vaga na Libertadores do ano seguinte, resultado que parecia indicar o início de uma fase mais estável. A participação continental, entretanto, não teve continuidade esportiva. Em 2018, o clube foi eliminado na fase de grupos da Libertadores, disputou a Sul-Americana e terminou o Brasileirão na 16ª posição, apenas uma acima da zona de rebaixamento.
A dificuldade para estabelecer uma sequência de boas campanhas tornou-se uma característica recorrente. Mesmo quando conseguia algum resultado expressivo, o Vasco não encontrava estabilidade suficiente para transformá-lo em um projeto de longo prazo. Mudanças de treinadores, reformulações de elenco e problemas financeiros continuavam interferindo no planejamento. Em vez de iniciar cada temporada pensando na disputa por títulos, o clube frequentemente precisava calcular quantos pontos seriam necessários para permanecer na Série A.
Em 2019, o Vasco conseguiu uma campanha mais tranquila no Campeonato Brasileiro, terminando na 12ª colocação. Naquele ano, também ocorreu uma mobilização importante de seus torcedores, com o crescimento expressivo do programa de sócios. A adesão demonstrava a disposição de parte da torcida de participar da recuperação do clube, mas o envolvimento dos vascaínos não era suficiente, por si só, para resolver problemas acumulados durante anos.
A temporada de 2020 foi especialmente representativa dessa instabilidade. O Vasco chegou a liderar o Campeonato Brasileiro em seu início, alimentando a expectativa de uma campanha diferente, mas perdeu rendimento ao longo da competição. A queda na tabela terminou com mais um rebaixamento, o quarto de sua história e o terceiro desde a conquista de 2011.
A situação ficou ainda mais delicada em 2021. Pela primeira vez, o Vasco disputou a Série B e não conseguiu o acesso imediato, encerrando o campeonato na décima colocação. O resultado impediu que o clube voltasse à elite no ano seguinte e representou um novo patamar de dificuldade esportiva. Se os rebaixamentos anteriores haviam sido seguidos por retornos relativamente rápidos, naquele momento nem mesmo a recuperação de uma vaga na primeira divisão pôde ser tratada como algo garantido.
Esses anos modificaram a relação do Vasco com suas próprias expectativas. A classificação para a Libertadores em 2017 passou a ser vista como uma conquista importante, enquanto campanhas intermediárias na Série A podiam representar alívio. Permanecer na primeira divisão, uma condição que deveria ser habitual para um clube com quatro títulos brasileiros e duas Libertadores, tornou-se um objetivo central de diferentes temporadas.
Essa mudança de perspectiva não aconteceu porque a torcida deixou de desejar títulos. Ela foi consequência de uma sequência de resultados que obrigou o clube a reduzir suas ambições imediatas. A cada novo campeonato, reconstruir o elenco, equilibrar as finanças e evitar outro rebaixamento pareciam tarefas mais urgentes do que voltar a disputar as principais taças do futebol brasileiro.
2022–2023 — A SAF e a promessa de reconstrução
A permanência na Série B em 2021 aprofundou a discussão sobre a capacidade do Vasco de se recuperar utilizando apenas seus próprios recursos. O clube enfrentava uma situação financeira difícil, com dívidas acumuladas, limitações para investir no elenco e necessidade constante de reorganização administrativa. Foi nesse contexto que a transformação do futebol em Sociedade Anônima do Futebol passou a ser apresentada como uma alternativa para interromper a sequência de crises.
Em 2022, os sócios aprovaram a venda de 70% da SAF à empresa norte-americana 777 Partners. O acordo previa investimentos no futebol e a assunção de compromissos relacionados ao endividamento do clube. Para muitos torcedores, a mudança representava a possibilidade de voltar a competir em condições mais próximas às de seus principais adversários. Depois de tantos anos em que as dificuldades financeiras limitaram o planejamento esportivo, a entrada de um investidor parecia oferecer uma perspectiva de estabilidade.
O primeiro objetivo era retornar à Série A. O Vasco conseguiu o acesso em 2022, terminando a Série B na quarta colocação, mas a campanha teve dificuldades e não permitia concluir que a recuperação estivesse consolidada. O acesso era necessário para o projeto começar a produzir resultados, embora também mostrasse o tamanho do trabalho que ainda precisaria ser realizado. O clube recuperava seu lugar na elite sem apresentar, naquele momento, a força esportiva esperada de uma equipe que pretendia voltar a disputar títulos nacionais.
A temporada de 2023 trouxe investimentos em contratações e mudanças importantes no elenco, mas a realidade do Campeonato Brasileiro foi mais complicada do que o discurso inicial de reconstrução sugeria. O Vasco passou boa parte da competição ameaçado pelo rebaixamento, acumulou resultados negativos e precisou alterar o comando técnico. A chegada de Ramón Díaz ajudou a melhorar o desempenho da equipe no segundo turno, mas a permanência na Série A só foi confirmada na última rodada, com a vitória sobre o Red Bull Bragantino.
O contraste entre a expectativa criada pela SAF e a luta contra o rebaixamento aumentou os questionamentos sobre a condução do futebol. A entrada de recursos e a contratação de jogadores não haviam resolvido problemas de montagem do elenco, equilíbrio entre os setores e continuidade do trabalho. A temporada terminou com o alívio pela permanência, mas também com a percepção de que o novo modelo administrativo não seria capaz de produzir resultados apenas pela mudança de estrutura societária.
A crise envolvendo a 777 Partners se aprofundou em 2024, quando o Vasco conseguiu na Justiça uma decisão que afastou a empresa norte-americana do controle administrativo da SAF. O episódio expôs as fragilidades de uma transformação que havia sido apresentada como solução para os problemas históricos do clube. A partir daquele momento, a diretoria ligada ao associativo reassumiu a condução do futebol, enquanto a organização societária e financeira voltava a depender de negociações e medidas judiciais.
O processo de recuperação também passou a envolver o endividamento da instituição. Em 2025, a SAF e o clube associativo avançaram em um procedimento de recuperação judicial para reorganizar suas obrigações. Já em setembro de 2026, Vasco e 777 chegaram a um acordo para solucionar disputas entre as partes, abrindo caminho para uma possível reorganização do controle societário e a busca por novos investidores.
A experiência com a SAF demonstra uma dificuldade que acompanhou o Vasco durante boa parte dos últimos 15 anos: a distância entre a necessidade de reconstruir o clube e a capacidade de sustentar essa reconstrução ao longo de várias temporadas. A venda do futebol criou condições para uma mudança importante, mas também trouxe problemas que passaram a consumir tempo, recursos e atenção. Mesmo com avanços esportivos posteriores, a estabilidade administrativa continuou sendo uma questão aberta.
2024–2026 — O Vasco volta a chegar perto
Embora o cenário financeiro e administrativo permanecesse complicado, o Vasco voltou a disputar fases avançadas de competições nacionais a partir de 2024. Naquele ano, a equipe chegou à semifinal da Copa do Brasil e enfrentou o Atlético-MG por uma vaga na decisão. A eliminação aconteceu depois de uma derrota por 2 a 1 em Belo Horizonte e um empate por 1 a 1 em São Januário, partida na qual o Vasco chegou a abrir o placar com Vegetti antes de sofrer o empate marcado por Hulk.
A campanha representou um avanço importante em relação aos anos anteriores. Depois de temporadas nas quais permanecer na Série A já exigia um esforço considerável, o clube voltou a disputar uma semifinal nacional e esteve próximo de alcançar uma decisão. A eliminação foi frustrante, mas o desempenho ofereceu uma perspectiva diferente daquela que predominou durante a década anterior.
Em 2025, o Vasco conseguiu avançar mais uma etapa. A equipe chegou à final da Copa do Brasil, enfrentando o Corinthians em busca do primeiro grande título desde 2011. O empate sem gols na Neo Química Arena deixou a disputa aberta para o segundo jogo, no Maracanã, mas os paulistas venceram por 2 a 1 e ficaram com a taça. Yuri Alberto e Memphis Depay marcaram para o Corinthians, enquanto Nuno Moreira fez o gol vascaíno.
O vice-campeonato teve um significado especial. Pela primeira vez em 14 anos, o Vasco havia chegado à decisão de uma competição nacional de grande importância. O desempenho demonstrou que o clube voltava a ter condições de competir em confrontos eliminatórios contra adversários fortes, embora o desfecho também tenha ampliado a frustração por mais uma oportunidade perdida de conquistar um título.
A sequência teve continuidade em 2026, desta vez no cenário internacional. O Vasco chegou à semifinal da Copa Sul-Americana e encontrou o Boca Juniors, um adversário com enorme tradição continental. A vitória por 1 a 0 na Bombonera colocou a equipe carioca em uma posição favorável para a partida de volta. Além de representar um resultado expressivo fora de casa, o triunfo aproximou o clube de sua primeira final internacional desde a Mercosul de 2000, conquistada sobre o Palmeiras.
O retorno ao Maracanã criou uma expectativa compreensível. O Vasco havia vencido na Argentina, contava com o apoio de sua torcida e precisava apenas de um empate para avançar. No entanto, a equipe sofreu dois gols ainda no primeiro tempo e viu a vantagem desaparecer rapidamente. O gol de Puma Rodríguez, na segunda etapa, voltou a deixar a possibilidade de classificação ao alcance, até que Paredes marcou o terceiro gol argentino nos minutos finais.
A participação na Sul-Americana reforçou a evolução do Vasco em confrontos eliminatórios, mas também mostrou que os bons resultados obtidos nessas competições ainda não se traduzem em estabilidade durante toda a temporada. Em outubro de 2026, o clube ocupa a 15ª colocação do Campeonato Brasileiro, com 35 pontos, e continua ameaçado pelo rebaixamento. Ao mesmo tempo em que chegou a uma semifinal continental, precisa disputar pontos fundamentais para assegurar sua permanência na primeira divisão.
Essa diferença de rendimento impede uma avaliação simples do momento vascaíno. O time voltou a alcançar fases que pareciam distantes durante boa parte da década anterior, mas ainda não conseguiu transformar essa melhora em regularidade. As campanhas nas copas merecem reconhecimento, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelo clube, porém não eliminam as preocupações com o desempenho no Campeonato Brasileiro.
O Vasco ainda tem uma oportunidade importante em 2026. A equipe está classificada para a semifinal da Copa do Brasil, na qual enfrentará o Palmeiras, com o primeiro jogo previsto para novembro. A competição mantém aberta a possibilidade de encerrar o jejum de títulos nacionais, embora o desafio seja considerável e aconteça em meio à necessidade de melhorar sua situação no Brasileirão.
Os resultados recentes também provocaram uma mudança na maneira como o trabalho esportivo pode ser avaliado. Em 2024, alcançar uma semifinal da Copa do Brasil representou um avanço expressivo. Em 2025, chegar à final mostrou que aquele resultado não precisava ser um acontecimento isolado. Agora, depois de outra semifinal internacional, existe uma cobrança cada vez maior para que o clube consiga completar essas campanhas com uma conquista.
Isso não significa desconsiderar o processo de recuperação. O Vasco ainda convive com limitações financeiras e problemas administrativos que dificultam a formação de um elenco competitivo durante toda a temporada. Entretanto, as participações recentes em fases decisivas indicam que o clube já demonstrou capacidade de enfrentar adversários importantes. A repetição dessas campanhas torna natural que a cobrança avance para além da satisfação por simplesmente chegar perto.
Quinze anos depois, o que representa o sucesso para o Vasco?
A história do Vasco desde 2011 mostra como uma sequência prolongada de dificuldades pode modificar as expectativas de um clube. O rebaixamento de 2013 foi tratado como uma crise profunda; o de 2015, como a confirmação de problemas que continuavam sem solução. Em 2020, a terceira queda nesse intervalo já acontecia em um ambiente marcado pela instabilidade, e a permanência na Série B em 2021 demonstrou que o retorno à elite também havia se tornado uma tarefa difícil.
Durante esses anos, o Vasco precisou comemorar resultados que, em outros períodos de sua história, seriam considerados etapas normais de uma temporada. Acessos à primeira divisão, classificações para competições continentais e campanhas que garantiam a permanência na Série A passaram a ter um peso maior. Não porque faltasse ambição aos torcedores, mas porque os resultados obrigaram o clube a concentrar esforços em necessidades mais imediatas.
Os Campeonatos Cariocas de 2015 e 2016 permanecem como as únicas conquistas oficiais de maior expressão do futebol profissional masculino do Vasco depois de 2011. São títulos que fazem parte da história do clube e tiveram importância em seus respectivos momentos. Ainda assim, não substituíram a conquista de um campeonato nacional ou internacional, especialmente para uma instituição que já venceu quatro vezes o Campeonato Brasileiro, conquistou a Libertadores de 1998 e levantou a Copa Mercosul de 2000.
A recuperação recente precisa ser analisada dentro dessa trajetória. Três temporadas consecutivas alcançando semifinais ou finais de competições relevantes representam um progresso em comparação com os anos de rebaixamentos e eliminações precoces. O Vasco voltou a disputar partidas que mobilizam sua torcida e oferecem possibilidades concretas de conquistar títulos. Entretanto, essa evolução também torna mais difícil aceitar que a presença nessas fases seja suficiente para definir uma temporada como bem-sucedida.
O desafio do clube não é apenas vencer uma final. É construir condições para que disputar títulos deixe de ser uma exceção e volte a fazer parte de seu planejamento. Isso exige estabilidade administrativa, equilíbrio financeiro, continuidade no trabalho esportivo e um elenco capaz de sustentar boas campanhas em diferentes competições. As dificuldades recentes no Campeonato Brasileiro mostram que ainda existe uma distância importante entre o desempenho nas copas e a regularidade necessária para recuperar o protagonismo nacional.
A eliminação diante do Boca Juniors acrescentou mais uma frustração a essa trajetória, especialmente porque a vaga na final esteve próxima. Ao mesmo tempo, a campanha internacional não pode ser analisada da mesma maneira que as temporadas em que o Vasco disputava apenas a permanência na Série A. Há uma diferença concreta entre os dois momentos, e reconhecer essa diferença é necessário para compreender o estágio atual da reconstrução.
Quinze anos depois da conquista da Copa do Brasil, o Vasco ainda procura um novo título nacional ou internacional. Os resultados recentes indicam que o clube está mais próximo de voltar a disputar essas conquistas do que esteve durante boa parte desse período. A questão, agora, é conseguir transformar essa aproximação em algo duradouro, sem repetir os problemas que interromperam outras tentativas de recuperação.
A campanha na Copa do Brasil de 2026 oferece outra oportunidade para isso. Independentemente do desfecho, porém, a recuperação vascaína precisará ser medida também pela capacidade de atravessar temporadas sem conviver com a ameaça constante de rebaixamento. Um clube que deseja voltar a disputar títulos regularmente não pode depender apenas de boas campanhas eliminatórias para compensar dificuldades no restante do calendário.
O Vasco mudou muito desde 2011, tanto em sua estrutura quanto em suas condições esportivas. Os últimos resultados mostram que há espaço para recuperar parte do protagonismo perdido, mas também deixam claro que a reconstrução continua incompleta. Depois de tantos anos em que a sobrevivência ocupou o lugar das grandes ambições, chegar às fases decisivas voltou a ser possível. O próximo passo será fazer com que isso deixe de representar uma conquista por si só.
