Estudiantes e Flamengo começam nesta quinta-feira (15) a disputar uma vaga na final da Copa Libertadores. O primeiro encontro acontece às 21h30 (de Brasília), no Estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, na Argentina. As equipes já se enfrentaram duas vezes na fase de grupos da competição e agora voltam a medir forças em um cenário de maior pressão, com a classificação para a decisão em jogo.
O Flamengo chega à semifinal em um momento bastante favorável. A equipe comandada por Leonardo Jardim lidera o Campeonato Brasileiro, está invicta na Libertadores e acumula sete partidas sem derrota, com seis vitórias e um empate. Do outro lado, o Estudiantes atravessa uma fase de instabilidade, mas terá a oportunidade de jogar diante de sua torcida antes de decidir a classificação no Maracanã, no dia 22 de outubro.
Os dois clubes estiveram no Grupo A da Libertadores. O Flamengo terminou na liderança, com 16 pontos, enquanto o Estudiantes avançou na segunda posição, com nove. No confronto realizado na Argentina, houve empate, e o Rubro-Negro venceu o encontro disputado no Rio de Janeiro. O retrospecto recente favorece os brasileiros, embora as circunstâncias de uma semifinal sejam diferentes das encontradas na primeira fase.
A classificação também colocará o vencedor diante de outro brasileiro na decisão. Palmeiras e Fluminense disputam a outra semifinal, abrindo a possibilidade de uma final inteiramente nacional.
Flamengo chega embalado, mas precisa superar ausências importantes
Leonardo Jardim conseguiu levar o Flamengo à reta decisiva da temporada em condições favoráveis. Além da liderança do Brasileirão, o time mantém uma campanha invicta na Libertadores e demonstrou capacidade para enfrentar adversários de características diferentes durante o mata-mata. Cruzeiro, nas oitavas de final, e Independiente del Valle, nas quartas, ficaram pelo caminho.
A vitória sobre o Fluminense no clássico do último fim de semana ampliou a sequência positiva para sete partidas. O resultado também ajudou a manter a confiança de um elenco que disputa simultaneamente a liderança nacional e uma vaga em mais uma final continental. O desafio agora será transportar esse bom momento para um ambiente tradicionalmente complicado, diante de um adversário que precisa aproveitar o mando de campo.
Apesar da boa fase, o Flamengo terá cinco desfalques. A ausência mais significativa no setor de criação é Arrascaeta, que se recupera de uma fratura no punho esquerdo. O uruguaio é um dos jogadores mais importantes na organização ofensiva da equipe, principalmente pela capacidade de encontrar espaços entre as linhas adversárias e participar das jogadas próximas à área. Sem ele, Jardim precisará distribuir essas responsabilidades entre outros jogadores.
Lucas Paquetá deve ter papel importante nessa reorganização. O meia aparece na provável escalação ao lado de Pulgar e Saúl, que é o favorito para substituir Jorginho. O volante está suspenso depois de ter sido expulso nas quartas de final e deixa uma ausência relevante na construção das jogadas. Saúl oferece experiência, movimentação e participação na marcação, mas a mudança exige ajustes no funcionamento do meio-campo.
A provável escalação tem Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Saúl e Paquetá; Carrascal, Samuel Lino e Bruno Henrique.
Na frente, Bruno Henrique deve voltar ao time titular, assim como Emerson Royal na lateral direita. O atacante oferece uma alternativa importante para explorar os espaços atrás da defesa, especialmente em uma partida na qual o Estudiantes pode tentar pressionar nos primeiros minutos. Carrascal e Samuel Lino também serão importantes para dar mobilidade ao ataque e impedir que a equipe argentina concentre toda a marcação na região central.
A presença de Paquetá pode ajudar o Flamengo a compensar parte da ausência de Arrascaeta, mas será necessário encontrar equilíbrio. Com Jorginho fora, Pulgar assume ainda mais responsabilidade na proteção da defesa e na saída de bola. Se o Estudiantes conseguir pressionar a construção rubro-negra, o posicionamento dos meias será fundamental para oferecer opções de passe e evitar perdas de posse em regiões perigosas.
Na defesa, Jardim mantém a dupla formada por Léo Ortiz e Léo Pereira, com Rossi no gol. O Flamengo também terá de administrar os desfalques de Danilo, que trata fraturas na mandíbula, e de Ayrton Lucas e Evertton Araújo, que estão em transição física após lesões. Mesmo com essas ausências, o treinador dispõe de uma formação competitiva para tentar controlar o confronto fora de casa.
A vantagem rubro-negra está principalmente na continuidade do trabalho e na confiança acumulada nas últimas semanas. O Flamengo não precisa resolver a classificação na Argentina, mas chegar ao Maracanã em boas condições pode ser decisivo. Para isso, será importante evitar que o ambiente de La Plata transforme a partida em um confronto excessivamente aberto.
Estudiantes tenta recuperar a confiança e sofre com problemas na defesa
O Estudiantes chega à semifinal em uma situação bastante diferente da vivida pelo Flamengo. Depois de um início de temporada positivo, quando terminou na liderança de seu grupo no Torneio Apertura, a equipe perdeu rendimento e atualmente ocupa a nona colocação no Clausura argentino, fora da zona de classificação para a fase eliminatória.
Desde a classificação sobre o Corinthians nas quartas de final da Libertadores, o clube venceu apenas uma vez em cinco partidas. Foram três derrotas e um empate no período, que também incluiu a derrota na Supercopa e a eliminação na Copa Argentina. Os resultados aumentaram a pressão sobre o técnico Alexander Medina, que precisa encontrar uma resposta justamente no compromisso mais importante do calendário continental.
A possibilidade de disputar uma final de Libertadores oferece ao Estudiantes uma oportunidade de mudar o rumo da temporada. O clube tem uma relação histórica com a competição e conta com quatro títulos, conquistados em 1968, 1969, 1970 e 2009. Jogar em La Plata representa uma vantagem relevante, principalmente pela proximidade da torcida com o gramado e pela atmosfera que costuma acompanhar partidas eliminatórias.
O principal problema de Medina está na defesa. Tomás Palacios e Leandro González Pirez, dois jogadores que vinham ocupando posições importantes no setor, estão suspensos pelo acúmulo de cartões amarelos. O treinador também não contará com o volante Gabriel Neves, lesionado, o que reduz suas alternativas para proteger a linha defensiva.
Diante dessas dificuldades, o Estudiantes recorreu ao mercado e contratou Marcos Rojo, zagueiro experiente e com passagens pelo futebol europeu e pela seleção argentina. A tendência é que ele comece jogando ao lado de Santiago Núñez, formando uma dupla que terá a responsabilidade de enfrentar um ataque rubro-negro com bastante velocidade e movimentação.
A provável escalação tem Muslera; Mancuso, Santiago Núñez, Rojo e Benedetti; Piovi, Castro e Rodríguez; Tiago Palacios, Guido Carrillo e Joaquín Tobio Burgos, com Edwuin Cetré também disputando uma vaga.
No ataque, Guido Carrillo deve ser uma das principais referências. O centroavante oferece presença física dentro da área e pode ser importante para disputar bolas aéreas e dar sequência às jogadas ofensivas. Tiago Palacios, recuperado de lesão, volta a ficar à disposição e representa outra alternativa para Medina, especialmente na criação de oportunidades pelos lados.
Joaquín Correa também está recuperado do problema físico sofrido contra o Corinthians, mas a expectativa é que comece no banco. O ex-jogador do Botafogo pode se tornar uma opção durante o segundo tempo, quando o desgaste físico tende a aumentar e a partida pode oferecer mais espaços para jogadores que entram descansados.
O Estudiantes poupou seus principais jogadores no compromisso anterior, deixando clara a prioridade dada à Libertadores. A decisão permite que Medina utilize uma equipe fisicamente mais preparada, embora o descanso não elimine as dificuldades apresentadas nas últimas semanas.
Para os argentinos, o desafio será conciliar a necessidade de buscar uma vantagem com a obrigação de proteger uma defesa modificada. O Flamengo possui jogadores capazes de aproveitar espaços em transições rápidas, e uma postura excessivamente agressiva pode acabar favorecendo justamente as principais características ofensivas do adversário.
Flamengo tem o melhor momento, mas a semifinal exige atenção
O cenário das duas equipes aponta para um favoritismo inicial do Flamengo. O time brasileiro apresenta maior regularidade, vem conseguindo bons resultados e possui uma estrutura de jogo que se manteve competitiva mesmo diante dos desfalques. O Estudiantes, por outro lado, precisa lidar com a sequência negativa e com mudanças importantes em sua defesa.
Isso não significa que o confronto será simples. Os argentinos conhecem o adversário por terem dividido o mesmo grupo na primeira fase e terão a oportunidade de enfrentar o Flamengo diante de sua torcida. O empate registrado em La Plata também demonstra que o Rubro-Negro não encontrou facilidade absoluta quando visitou o Estudiantes anteriormente.
Uma das disputas mais importantes deve acontecer no meio-campo. Sem Jorginho e Arrascaeta, o Flamengo terá de encontrar uma distribuição diferente das funções de construção e criação. Paquetá e Saúl precisam oferecer aproximação e qualidade na circulação, enquanto Pulgar terá responsabilidade para organizar a equipe sem comprometer a proteção defensiva.
O Estudiantes pode tentar aproveitar justamente esse período de adaptação. Uma pressão mais intensa sobre a saída de bola seria uma maneira de dificultar a progressão rubro-negra e empurrar o Flamengo para seu próprio campo. No entanto, a equipe argentina precisará ter cuidado com os espaços deixados para Samuel Lino, Carrascal e Bruno Henrique.
Outro ponto relevante é a utilização das laterais. Emerson Royal e Alex Sandro podem ajudar o Flamengo a ampliar o campo e criar superioridade pelos corredores, mas seus avanços exigirão cobertura dos volantes. O Estudiantes tem condições de explorar essas regiões caso consiga recuperar a bola e acelerar a transição ofensiva, especialmente buscando Carrillo como referência.
A experiência também será um componente importante. Muslera e Rojo oferecem ao Estudiantes jogadores acostumados a partidas de grande pressão, enquanto Rossi, Alex Sandro, Bruno Henrique e outros nomes do Flamengo possuem vivência em decisões. Em um confronto de 180 minutos, administrar os momentos de dificuldade pode ser tão importante quanto aproveitar os períodos de superioridade.
O mando de campo aumenta a responsabilidade do Estudiantes neste primeiro encontro. Como a partida de volta será disputada no Maracanã, a equipe argentina sabe que deixar La Plata sem vantagem pode tornar a missão consideravelmente mais complicada. Para o Flamengo, por outro lado, um resultado positivo fora de casa ampliaria a possibilidade de controlar a eliminatória diante de sua torcida.
A tendência é de um duelo no qual o Estudiantes procure iniciar com intensidade, enquanto o Flamengo tente utilizar sua qualidade técnica para controlar a posse e encontrar os espaços deixados pelo adversário. O time de Leonardo Jardim chega em melhores condições, mas precisará demonstrar maturidade para não transformar a vantagem de momento em excesso de confiança.
A semifinal começa nesta quinta-feira e terá sua definição apenas na semana seguinte. O resultado em La Plata pode alterar bastante o cenário do confronto, especialmente para um Estudiantes que precisa reagir e para um Flamengo que tenta transformar sua boa fase em mais uma presença na decisão da Libertadores.
Estudiantes x Flamengo
Competição: Copa Libertadores, semifinal, jogo de ida
Data: quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Horário: 21h30 (de Brasília)
Local: Estádio Jorge Luis Hirschi (Uno), La Plata, Argentina
Onde assistir: ESPN e Disney+
Estudiantes provável: Muslera; Mancuso, Santiago Núñez, Rojo e Benedetti; Piovi, Castro e Rodríguez; Tiago Palacios, Guido Carrillo e Joaquín Tobio Burgos (Edwuin Cetré).
Flamengo provável: Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Saúl e Paquetá; Carrascal, Samuel Lino e Bruno Henrique.
Desfalques do Estudiantes: Gabriel Neves, lesionado; Tomás Palacios e Leandro González Pirez, suspensos.
Desfalques do Flamengo: Evertton Araújo e Ayrton Lucas, em transição física; Danilo, com fraturas na mandíbula; Arrascaeta, com fratura no punho esquerdo; e Jorginho, suspenso.
Árbitro: Juan Gabriel Benítez (Paraguai)
Assistentes: Eduardo Cardozo e Milciades Saldivar (Paraguai)
VAR: Ulises Mereles (Paraguai)
Jogo de volta: quinta-feira, 22 de outubro, no Maracanã.




