
Há exatos 10 anos, em 20 de agosto de 2016, o futebol brasileiro exorcizava um de seus maiores fantasma. Em um Maracanã lotado e pulsante, a Seleção Brasileira, sob o comando de Rogério Micale e a liderança de Neymar, conquistava a inédita e tão sonhada medalha de ouro nos Jogos Olímpicos.
A vitória sobre a Alemanha, nos pênaltis, após um empate em 1 a 1 no tempo normal, lavou a alma do torcedor nacional, que dois anos antes viveram a decepção da queda em casa na semifinal da Copa do Mundo para a mesma Alemanha.
Aquele título, conquistado em casa, representou um momento de redenção e alegria, com momentos icônicos como a defesa de Weverton na disputa de pênaltis e o gol decisivo de Neymar, que selou a vitória.
Uma década depois, os caminhos daqueles jogadores tomaram rumos completamente distintos. O elenco contou com jogadores que viriam a defender o Brasil e serem pilares nas gerações seguintes nas Copa do Mundo, mas também viu algumas das promessas ali que não voltaram a figurar vestindo a Amarelinha no time principal.
Alguns se consolidaram no topo do futebol mundial, outros se tornaram ídolos em seus clubes aqui no Brasil, enquanto alguns tiveram suas carreiras abreviadas por lesões ou simplesmente seguiram por outras estradas.
Veja por onde andam os jogadores da conquista histórica do Brasil:
Weverton
Weverton foi uma surpresa naquela lista de jogadores como um dos três nomes acima dos 23 anos escolhidos por Micale. Herói improvável da conquista, ao defender a última cobrança da Alemanha, ele saiu do Athletico e se transferiu para o Palmeiras em 2018 e viveu o auge de sua carreira.
No clube paulista, tornou-se um dos maiores ídolos da história, conquistando múltiplos títulos, incluindo duas Libertadores e três Campeonatos Brasileiros. Em 2026, após uma longa e vitoriosa passagem, o goleiro acertou sua transferência para o Grêmio, onde atua hoje. Ele defendeu o Brasil nas Copas de 2022 e 2026.
Uilson
O goleiro reserva daquela seleção teve uma trajetória marcada por dificuldades após o ouro. Uma grave lesão no joelho em 2017, seguida por outra cirurgia em 2018, o deixou quase dois anos longe dos gramados. Após deixar o Atlético-MG em 2019, teve uma breve passagem pelo Coimbra e encerrou a carreira precocemente.
Hoje, Uilson se dedica a uma escola de goleiros em Contagem (MG) e dá testemunhos em igrejas evangélicas.
Zeca
Titular da lateral-esquerda na campanha, Zeca deixou o Santos em 2018 e iniciou uma carreira de andarilho. Passou por Internacional, Bahia e Vasco, antes de ter uma experiência no futebol dos Estados Unidos, atuando pelo Houston Dynamo. Depois, retornou ao Brasil onde jogou por Vitória, Mirassol e Coritiba. Hoje defende o Athletic, de Minas Gerais, que disputa a Série B.
Douglas Santos
Logo após a conquista olímpica, o lateral-esquerdo deixou o Atlético-MG e se transferiu para o Hamburgo, da Alemanha. Em 2019, foi contratado pelo Zenit, da Rússia, onde se encontrou. Há sete anos no clube, tornou-se um dos principais jogadores da equipe, capitão e uma referência no futebol russo. O auge da carreira veio este ano, quando foi titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.
William
O lateral-direito titular da equipe de Micale também rumou para a Alemanha após se destacar no Internacional, assinando com o Wolfsburg em 2017. Sua passagem pela Europa, no entanto, foi marcada por lesões que atrapalharam sua sequência.
Em 2023, retornou ao Brasil para defender o Cruzeiro, clube que representa até hoje. William chegou a ser cogitado como um dos possíveis nomes para o Mundial deste ano, porém ficou de fora da lista de Carlo Ancelotti.
Marquinhos
Um dos pilares da defesa, Marquinhos já era jogador do Paris Saint-Germain em 2016 e lá permaneceu. Uma década depois, o zagueiro se consolidou como um dos maiores ídolos da história do clube francês, assumindo a faixa de capitão e empilhando títulos nacionais e internacionais.
Segue como um dos líderes da Seleção Brasileira principal, sendo o capitão da Amarelinha e, recentemente, teve confirmado seu nome por Carlo Ancelotti como um dos veteranos que deverão ficar para o próximo ciclo, rumo à Copa de 2030.
Rodrigo Caio
Após o ouro, Rodrigo Caio trocou o São Paulo pelo Flamengo em 2019, onde se tornou um multicampeão, vencendo duas Libertadores e dois Brasileiros. Sua passagem, no entanto, foi marcada por uma dura sequência de lesões. Ele se aposentou em 2024 e iniciou uma carreira do lado de fora dos gramados, sendo auxiliar de Filipe Luís no Flamengo na temporada vitoriosa de 2025.
Em 2026, ele deixou o clube após a demissão de Filipe Luís e, no mesmo ano, iniciou uma nova carreira como comentarista, sendo contratado pela CazéTV para a cobertura da Copa do Mundo.
Luan Garcia
O zagueiro, que na época defendia o Vasco, foi para o Palmeiras em 2020, onde formou uma dupla de zaga longeva com Gustavo Gómez e conquistou inúmeros títulos no clube, apesar de viver altos e baixos com a torcida alviverde. Em 2026, foi negociado com o Toluca, do México, onde atua.
Apesar de estar no exterior, o jogador já declarou que planeja um futuro no Palmeiras mesmo após pendurar as chuteiras.
Rodrigo Dourado
Capitão do Internacional por anos, o volante deixou o clube gaúcho em 2022 para jogar no Atlético San Luis, do México. Após um bom início, conviveu com a reserva. No início de 2026 se transferiu para o América do México, porém lá também não se firmou.
Seu nome foi especulado em alguns clubes brasileiros durante o mercado de transferência após a Copa do Mundo, mas no final de julho, ele foi anunciado pelo Juárez, também do México.
Thiago Maia
Vendido pelo Santos ao Lille, da França, em 2017, Thiago Maia retornou ao Brasil em 2020 para defender o Flamengo, onde foi campeão da Libertadores e do Brasileiro. Em 2024, transferiu-se para o Internacional.
Após um período afastado por lesão, retornou aos gramados em 2026 e segue como peça importante no meio-campo do clube gaúcho.
Walace
O volante deixou o Grêmio logo após as Olimpíadas para jogar no Hamburgo, da Alemanha. Passou também pelo Hannover 96 antes de se transferir para a Udinese, da Itália, em 2019, onde se firmou e atuou por cinco temporadas.
Em 2024, foi contratado pelo Cruzeiro e, em junho de 2026, foi emprestado ao Vitória.
Felipe Anderson
O meia-atacante, que pertencia à Lazio em 2016, foi vendido ao West Ham, da Inglaterra, em 2018. Após uma passagem pelo Porto, retornou à Lazio em 2021. Em 2024, surpreendeu ao acertar sua volta ao Brasil para defender o Palmeiras, onde começou como titular, mas atualmente oscila entre os 11 principais e os reservas de Abel Ferreira.
Rafinha Alcântara
Filho de Mazinho, o meia pertencia ao Barcelona em 2016. Sua carreira, no entanto, foi duramente afetada por graves lesões. Após passagens por Inter de Milão, Celta de Vigo, PSG e Real Sociedad, foi para o Al-Arabi, do Catar.
Em 2025, aos 32 anos, anunciou sua aposentadoria do futebol.
Renato Augusto
Um dos três jogadores acima da idade olímpica, Renato Augusto era jogador do Beijing Guoan, da China. Em 2021, retornou ao Corinthians para uma segunda passagem de idolatria. Após sair do time alvinegro, defendeu o Fluminense, porém sem o mesmo sucesso que vivenciou no clube paulista.
Em setembro de 2025, anunciou sua aposentadoria como jogador e, poucos meses depois, foi contratado pela Globo para atuar como comentarista.
Gabriel Barbosa (Gabigol)
Após o ouro, Gabigol foi vendido pelo Santos à Inter de Milão, mas não teve sucesso na Europa onde também atuou pelo Benfica. Retornou ao Brasil em 2019 para defender o Flamengo e se tornou um dos maiores ídolos da história do clube, marcando gols decisivos nos títulos das Libertadores de 2019 e 2022.
Em 2025, ele deixou o clube rubro-negro como um dos principais reforços do Cruzeiro para a temporada. No clube celeste, acabou não conseguindo se firmar no time titular. Ele acertou sua volta ao Santos por empréstimo, onde, em 2026, vive uma grande fase, sendo o artilheiro do time na temporada.
Gabriel Jesus
Vendido pelo Palmeiras ao Manchester City logo após os Jogos, Gabriel Jesus teve sucesso na Inglaterra com a camisa do Manchester City antes de se transferir para o Arsenal em 2022.
No clube londrino, tornou-se uma das principais referências do ataque, porém sofreu nas últimas temporadas com lesões. Apesar disso ele segue como um dos principais centroavantes brasileiros na Europa, sendo especulado por grandes times do Continente para esta janela de transferências.
O centroavante foi um dos jogadores que conquistaram o ouro olímpico e seguiram carreira na Seleção principal, disputando as Copas do Mundo de 2018 e 2022.
Luan
Eleito “Rei da América” em 2017 após o título da Libertadores com o Grêmio, Luan viveu o auge de sua carreira. No entanto, sua transferência para o Corinthians em 2020 marcou o início de um declínio. Sem sucesso no Timão, teve passagens apagadas por Santos e Vitória.
Em 2026, aos 33 anos, deixou o futebol silenciosamente e não atua mais profissionalmente desde então.
Neymar
A grande estrela da companhia e autor do gol do título, Neymar protagonizou a transferência mais cara da história em 2017, ao trocar o Barcelona pelo PSG. Em 2023, foi para o Al-Hilal, da Arábia Saudita. Uma década após o ouro, é o principal nome do Santos, clube que retornou em 2025 e foi o camisa 10 da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.
Porém, diferente do protagonismo visto nas edições anteriores do Mundial, ficou de fora das primeiras partidas da Seleção no torneio por conta de uma lesão e acabou jogando pouco minutos nos Estados Unidos.