
Um momento de desrespeito e vergonha alheia. Foi isso que a plateia, Carlo Ancelotti e todos nós presenciamos ao ver as falas de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira no 2° Fórum Brasileiro de Treinadores, realizado nesta terça-feira (4) em plena sede da CBF. Beira o inacreditável. Por alguns segundos parecia uma esquete do Porta dos Fundos.
São tantas camadas que é difícil saber por onde começar. Não é de hoje que técnicos brasileiros são contra a presença dos estrangeiros aqui no Brasil. De uns anos pra cá, com o aumento de treinadores de fora em nossos clubes, as declarações se intensificaram, na quantidade e no tom.
É claro que nem todo técnico gringo é bom. Vários vieram e fracassaram. Mas, ao mesmo tempo, é inegável que os trabalhos mais impressionantes e vencedores que vimos por aqui nos últimos anos foram capitaneados por treinadores internacionais. Natural que essa tendência chegasse até a Seleção, especialmente depois do Brasil não conseguir achar um rumo após a saída de Tite. Se nos clubes já havia reclamação, imagina na Canarinho.
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Para muitos, é um absurdo a Pentacampeã Mundial ter um técnico que não seja brasileiro, ainda que seja um dos melhores e mais vencedores da história do futebol mundial. Esses mesmos técnicos cansaram de treinar clubes e seleções, normalmente de mercados periféricos. Leão e Oswaldo trabalharam no Japão e Catar, por exemplo.
Mas o futebol evoluiu, globalizou e a maioria dos treinadores brasileiros, pra não dizer todos, ficou estagnada, se agarrando ao fato de pertencer ao “país do futebol” e “único pentacampeão mundial”, que não precisa “aprender nada com ninguém”.
Fora a zona de conforto. A constante troca de treinadores no futebol brasileiro é péssima, mas pro bolso dos treinadores é excelente. Altos salários, altas rescisões e um eterno ciclo rodando por times da Série A.
Por que trocar isso por um ano sabático, realizar cursos na Argentina ou em Portugal, duas escolas que conseguem colocar treinadores em grandes ligas europeias, se especializar e alcançar novos patamares na carreira? Não. Eles preferem ficar aqui garantindo a reserva de mercado e os altos salários que foram crescendo a medida que o faturamento dos clubes também aumentava.
Mas o bonde passou. Praticamente ninguém subiu e agora estão vendo cada vez mais estrangeiros serem a solução pros clubes do Brasil. E pra Seleção.
Um episódio triste e lamentável pro futebol brasileiro, que mostra que alguns técnicos não ficaram pra trás somente nos aspectos do campo e bola, mas da educação também.





