
O Campeonato Brasileiro passará a utilizar oficialmente o impedimento semiautomático a partir da 20ª rodada, que marca o início do segundo turno da competição. A estreia da tecnologia acontecerá no sábado, 25 de julho.
Os primeiros jogos com o novo sistema serão Athletico-PR x Internacional, na Arena da Baixada, e Santos x Chapecoense, na Vila Belmiro. As duas partidas começam às 18h30. Os outros oito confrontos da rodada também contarão com a ferramenta.
A decisão foi comunicada aos clubes pela CBF nesta terça-feira, 21 de julho. Com isso, a Série A entra definitivamente na era de uma tecnologia que já é utilizada em competições como a Copa do Mundo e a Premier League.
Como funciona o impedimento semiautomático
O sistema utiliza câmeras instaladas em diferentes pontos dos estádios para acompanhar os movimentos dos jogadores e da bola.
No modelo contratado pela CBF, cerca de 30 aparelhos de alta definição são distribuídos ao redor do campo. As imagens permitem que o sistema identifique pontos do corpo de cada atleta e determine o momento exato do passe.
Quando existe a possibilidade de impedimento, a tecnologia gera automaticamente uma linha e indica a posição dos jogadores. A informação é enviada para a equipe do VAR, que confere o lance antes de confirmar a decisão.
Por isso, o sistema é chamado de semiautomático, e não automático. A tecnologia realiza o rastreamento e apresenta a possível marcação, mas a decisão continua sob responsabilidade dos árbitros.
A ferramenta também pode produzir uma animação visual do lance. Nela, os jogadores aparecem como avatares, permitindo que o público veja com mais clareza qual parte do corpo estava ou não em posição irregular.
Objetivo é diminuir a demora do VAR
A expectativa da CBF é tornar as análises mais rápidas e precisas, especialmente nos lances em que a diferença entre atacante e defensor é de poucos centímetros.
Sem o sistema semiautomático, os operadores do VAR precisam escolher manualmente o momento do passe e posicionar as linhas sobre os jogadores. Esse processo pode provocar revisões longas e discussões sobre o ponto exato utilizado na análise.
Com a nova tecnologia, grande parte desse trabalho passa a ser realizada pelo sistema. A equipe de arbitragem ainda precisa verificar a participação do jogador na jogada e confirmar se houve uma infração, mas não terá de construir manualmente toda a imagem.
A CBF afirma que o impedimento semiautomático fornecerá decisões mais rápidas, precisas e eficientes.

Implementação levou oito meses
A implantação começou depois de a CBF assinar, em novembro de 2025, um contrato com a Genius Sports. O acordo prevê o uso da tecnologia no Brasileirão e na Copa do Brasil durante as temporadas de 2026 e 2027.
Inicialmente, a entidade pretendia utilizar o sistema desde a primeira rodada do Campeonato Brasileiro. O plano precisou ser adiado por causa das instalações nos estádios, da importação dos equipamentos e da necessidade de capacitar os profissionais responsáveis pela operação.
Ao todo, o processo levou cerca de oito meses. Técnicos da CBF e da Genius Sports visitaram 20 estádios, instalaram os aparelhos, fizeram a calibração das câmeras e testaram a conexão com a central do VAR.
Antes da liberação definitiva, o sistema foi avaliado em partidas das categorias de base e em jogos da própria Série A. Durante os testes, a tecnologia funcionou de maneira paralela, sem interferir nas decisões tomadas pelos árbitros.
Todos os estádios da Série A estão preparados
A CBF informou que os 19 estádios utilizados regularmente pelos clubes da primeira divisão estão preparados para operar a tecnologia. A Arena Barueri também recebeu os equipamentos e aparece como uma opção adicional.
A entidade determinou que partidas da Série A não poderão ser transferidas para estádios sem a estrutura necessária. Caso um clube não possa utilizar seu campo habitual, deverá escolher outra arena equipada com o sistema.
A medida afeta principalmente equipes que costumam levar jogos para outras cidades ou utilizar estádios alternativos.
Tecnologia também chegará à Copa do Brasil
O contrato da CBF prevê o uso do impedimento semiautomático também na Copa do Brasil. A entidade vinha avaliando a possibilidade de iniciar a operação a partir das quartas de final do torneio.
Antes de confirmar a utilização em outra competição, porém, a CBF poderá acompanhar o funcionamento do sistema durante as primeiras rodadas do segundo turno do Brasileirão.
A estreia representa uma das maiores mudanças tecnológicas na arbitragem brasileira desde a implantação do VAR em todas as partidas da Série A.
A ferramenta não eliminará as discussões sobre interpretação. Situações como interferência na jogada, disputa com um adversário ou participação de um atleta em posição irregular ainda precisarão ser avaliadas pelos árbitros.
Nos lances de posição, porém, o Brasileirão passa a contar com um sistema criado para reduzir o trabalho manual, acelerar as revisões e apresentar imagens mais claras ao público.




