
O River Plate atravessa sua primeira grande crise sob o comando de Eduardo Coudet. A derrota por 1 a 0 para o Rosario Central, no domingo (2), representou o quarto revés consecutivo da equipe desde a retomada das competições após a Copa do Mundo e aumentou as dúvidas sobre a permanência do treinador.
O único gol da partida disputada no Monumental de Núñez foi marcado contra por Nicolás Otamendi, aos 26 minutos do primeiro tempo. Mesmo atuando diante de sua torcida, o River não conseguiu reagir e encerrou o terceiro jogo do Torneio Clausura sem pontuar ou marcar gols.
Depois da partida, Coudet conversou com os jogadores e se reuniu com o presidente Stéfano Di Carlo no vestiário. A direção não anunciou qualquer mudança, e o argentino permanece no cargo. A falta de entrevista coletiva do treinador, porém, aumentou as especulações sobre seu futuro.
River perdeu quatro partidas desde a retomada
A sequência negativa começou com a eliminação para o Aldosivi na Copa da Argentina. O River foi derrotado por 3 a 1 dentro de casa e deixou a competição de maneira inesperada.
Na sequência, o time começou o Clausura com três derrotas consecutivas por 1 a 0:
- Barracas Central;
- Gimnasia La Plata;
- Rosario Central.
Assim, são quatro derrotas nos quatro jogos disputados desde o fim da Copa do Mundo. O River sofreu seis gols durante o período e marcou apenas uma vez, justamente diante do Aldosivi. No Campeonato Argentino, ainda não balançou as redes.
Existe uma diferença na contagem divulgada por alguns veículos argentinos e espanhóis. Ao incluir a derrota por 3 a 2 para o Belgrano na final do Torneio Apertura, em 24 de maio, o River acumula cinco derrotas oficiais consecutivas. A partida aconteceu antes da pausa para a Copa do Mundo, mas foi o compromisso anterior à eliminação para o Aldosivi.
Portanto, o clube perdeu quatro partidas seguidas desde a retomada e cinco considerando também a final do primeiro semestre.
Torcida protesta antes, durante e depois do jogo
O clima de insatisfação já era evidente antes do início da partida. Coudet foi vaiado quando seu nome apareceu no sistema de som do Monumental.
Durante o jogo, os torcedores protestaram contra jogadores, comissão técnica e dirigentes. Um dos cânticos pedia a saída de todos os envolvidos no departamento de futebol. Parte da arquibancada também mencionou Ramón Díaz, solicitando o retorno do antigo treinador.
O resultado ampliou a revolta. O River teve dificuldades para encontrar espaços e voltou a demonstrar pouca capacidade ofensiva. A equipe buscou o ataque depois do gol contra de Otamendi, mas não conseguiu transformar a posse de bola em oportunidades suficientes para evitar a derrota.
Após o apito final, as vaias continuaram. Coudet reuniu o elenco no vestiário e afirmou aos jogadores que ainda acredita na recuperação. Depois, encontrou-se com Di Carlo para discutir o momento esportivo.
Coudet permanece, mas pressão aumenta
A conversa com o presidente não terminou em demissão. Coudet continuará preparando a equipe enquanto a diretoria acompanha a resposta dos jogadores nos próximos compromissos.
A situação, entretanto, tornou-se instável. A sequência de derrotas, a falta de gols e a reação dos torcedores colocaram o trabalho sob avaliação. A ausência do treinador na entrevista coletiva também foi interpretada como um sinal do tamanho da crise.
O técnico chegou ao River em março, depois da saída de Marcelo Gallardo. Sua contratação foi confirmada pelo próprio Di Carlo, que apostou na identificação do antigo meio-campista com o clube e em sua experiência por equipes como Racing, Rosario Central, Internacional, Atlético-MG e Celta de Vigo.
O começo foi promissor. Coudet venceu seus quatro primeiros jogos e igualou uma marca alcançada por poucos treinadores na história do River. A equipe também chegou à final do Apertura, mas sofreu dois gols nos minutos finais e perdeu o título para o Belgrano por 3 a 2.
A derrota na decisão mudou o ambiente. Após a paralisação, o River ainda não conseguiu recuperar o rendimento apresentado durante os primeiros meses do trabalho.
River ainda não marcou no Clausura
O problema mais evidente está no ataque. O River perdeu seus três jogos no Clausura pelo placar de 1 a 0 e ocupa a última colocação de seu grupo, sem pontos.
Na derrota anterior, contra o Gimnasia, a equipe teve 74% de posse de bola, mas terminou a partida com apenas 0,3 gol esperado e sem criar uma oportunidade considerada clara. O domínio territorial não se transformou em ameaça real ao adversário.
A dificuldade voltou a aparecer contra o Rosario Central. Facundo Colidio e Rafael Borré começaram no ataque, enquanto Lucas Beltrán entrou durante o segundo tempo. Mesmo com diferentes opções ofensivas, o time não encontrou o gol.
Coudet também enfrenta problemas físicos no elenco. Ángel Correa ficou fora do último jogo, enquanto Marcos Acuña e Mauro Arambarri precisaram ser substituídos durante a derrota para o Gimnasia.
Investimento de R$ 170 milhões aumenta cobrança
A crise acontece depois de uma janela com investimento elevado.
O River já desembolsou aproximadamente 28,92 milhões de euros, cerca de R$ 170 milhões, em reforços. O clube contratou nomes como Ángel Correa, Lucas Beltrán, Rafael Borré, Mauro Arambarri, Giovanni González e Tobias Andrada. Nicolás Otamendi chegou sem custos de transferência.
A presença de jogadores experientes aumentou a expectativa de uma resposta imediata. Correa foi o principal investimento, enquanto Borré e Beltrán retornaram ao clube para aumentar a força ofensiva.
Mesmo com as contratações, o River ainda não marcou no Clausura. Otamendi, um dos símbolos da reformulação, acabou sendo o responsável pelo gol contra que decidiu a partida com o Rosario Central.
A diretoria ainda tenta concluir a contratação de Thiago Almada, do Atlético de Madrid. O argentino também é negociado pelo Flamengo, mas demonstrou preferência por retornar ao seu país.
Mudanças no elenco também provocaram desgaste
Coudet enfrentou problemas de relacionamento com jogadores durante a reformulação.
Recentemente, um atleta identificado com o River deixou o clube depois de criticar publicamente decisões do treinador. O episódio aumentou os questionamentos sobre a forma como o técnico conduziu as mudanças internas e afastou nomes que não fariam parte de seu planejamento.
A direção havia prometido uma renovação profunda depois da saída de Gallardo. O objetivo era reduzir o elenco, contratar jogadores mais adequados ao estilo de Coudet e recuperar a competitividade.
Os resultados iniciais pareciam confirmar o planejamento. A queda na final do Apertura e as quatro derrotas após a pausa, porém, transformaram a reformulação em mais uma fonte de pressão.
Copa Sul-Americana pode definir futuro
A Copa Sul-Americana passou a ser a principal oportunidade de recuperação do River na temporada.
O clube enfrentará o Independiente Santa Fe pelas oitavas de final. A primeira partida está prevista para 12 de agosto, em Bogotá. O confronto decisivo será realizado em 19 de agosto, no Monumental.
O Santa Fe avançou após eliminar o Caracas com duas vitórias e um placar agregado de 5 a 0. A equipe colombiana ganhou por 2 a 0 em casa e por 3 a 0 na Venezuela.
A competição continental ganhou ainda mais peso porque o River já foi eliminado da Copa da Argentina e começou mal o Clausura. Uma queda nas oitavas deixaria o clube com poucas perspectivas esportivas para o restante do ano.
Por isso, os jogos anteriores à Sul-Americana serão tratados como testes para Coudet. A diretoria espera uma reação imediata, enquanto a torcida já demonstrou que perdeu a paciência com o desempenho apresentado.
Situação ainda não é definitiva
Apesar da pressão, não existe confirmação de que a diretoria tenha decidido demitir Eduardo Coudet.
O treinador continua no cargo e recebeu a oportunidade de conduzir a recuperação. A conversa com o presidente no vestiário serviu para analisar o momento e estabelecer os próximos passos, mas não resultou em uma ruptura.
A continuidade, porém, dependerá dos resultados e da resposta do elenco. O River precisa voltar a marcar, interromper a sequência de derrotas e chegar em melhores condições ao confronto com o Independiente Santa Fe.
Coudet iniciou sua passagem com quatro vitórias consecutivas. Poucos meses depois, enfrenta uma sequência inversa, protestos no Monumental e a maior pressão desde que retornou ao clube.





