
Abel Ferreira pode ficar fora de até seis partidas do Palmeiras depois de ser denunciado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva por chutar um microfone durante o empate por 1 a 1 com o Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro. O treinador será julgado nesta sexta-feira (4), a partir das 10h, pela Terceira Comissão Disciplinar do STJD.
A Procuradoria enquadrou Abel no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, utilizado para condutas consideradas contrárias à disciplina ou à ética esportiva que não tenham uma tipificação mais específica. A pena prevista varia de uma a seis partidas de suspensão. O próprio código permite substituir a suspensão por advertência quando a infração for considerada de pequena gravidade.
O episódio aconteceu na reta final de Mirassol x Palmeiras. Irritado durante a partida, Abel acertou um chute em um equipamento de captação de áudio instalado próximo à área técnica. Para a Procuradoria, a atitude não foi resultado de um contato acidental, mas uma ação voluntária que demonstraria destempero e inconformismo.
Depois da classificação do Palmeiras para as semifinais da Copa do Brasil, conquistada diante do Santos, Abel foi questionado sobre o novo processo e respondeu com um desabafo.
“Eu não matei ninguém. Eu vivo o futebol intensamente. Me chamo Abel Ferreira e sou ser humano.”
O treinador reconheceu que errou ao chutar o equipamento, mas demonstrou incômodo com a possibilidade de receber uma nova suspensão. Ele lembrou que protagonizou um episódio semelhante recentemente na Libertadores e recebeu uma punição diferente da Conmebol.
Abel compara STJD com punição da Conmebol
Na Libertadores, Abel também chutou um microfone durante uma partida contra o Cerro Porteño. Naquele caso, a Conmebol aplicou multa de US$ 10 mil, aproximadamente R$ 51 mil, além de determinar o reembolso de US$ 1.832,60 pelo equipamento danificado. Não houve suspensão.
Foi justamente essa diferença que o treinador utilizou para defender seu ponto de vista. Abel argumentou que reconhece o caráter antidesportivo da ação e aceita uma punição, mas questiona a possibilidade de ser impedido de exercer sua função à beira do campo.
O caso brasileiro, porém, é independente do julgamento realizado pela Conmebol. O STJD utiliza o CBJD e analisa exclusivamente o episódio ocorrido em Mirassol x Palmeiras. Além disso, o histórico disciplinar do treinador pode pesar na análise dos auditores.
Reincidência pode pesar contra Abel
Abel não é réu primário no tribunal esportivo. Segundo levantamento do UOL, o treinador acumula uma longa sequência de processos relacionados principalmente a protestos e confrontos com a arbitragem desde que chegou ao Palmeiras, em 2020.
Em 2026, o português já recebeu uma punição especialmente pesada. Em processos relacionados a expulsões, foi suspenso por um total de oito partidas, seis em um caso e duas em outro. O histórico fica registrado na ficha disciplinar e pode ser considerado em novos julgamentos.
Isso não significa que Abel necessariamente receberá a pena máxima agora. A faixa prevista no artigo utilizado pela Procuradoria vai de uma a seis partidas, e os auditores poderão inclusive entender que o episódio merece punição menor.
A possibilidade de seis jogos representa, portanto, o teto previsto no artigo, e não uma suspensão já definida.
Arbitragem também será julgada
O processo não envolve apenas o treinador do Palmeiras. O árbitro João Vitor Gobi, o quarto árbitro Roger Goulart e o responsável pelo VAR Ilbert Estevam da Silva também foram denunciados pelo STJD.
A Procuradoria quer esclarecimentos sobre a decisão da equipe de arbitragem de não expulsar Abel depois do chute no microfone. Os oficiais foram enquadrados em artigos relacionados a omissão e descumprimento das regras de arbitragem e também estarão na pauta do julgamento desta sexta-feira.
O Palmeiras já demonstrou incômodo com a atuação do tribunal em casos recentes. Internamente, o clube entende que determinadas situações resolvidas pela arbitragem dentro de campo acabam sendo novamente avaliadas pelo STJD, criando uma espécie de segunda instância disciplinar baseada nas imagens da televisão.
No caso do microfone, porém, a Procuradoria entende que existe material suficiente para analisar a atitude separadamente da punição aplicada pelo árbitro durante a partida.
Suspensão chegaria em momento decisivo da temporada
Uma eventual punição acontece justamente quando o calendário do Palmeiras entra em sua fase mais importante. O clube disputa diretamente o título do Brasileirão, está nas quartas de final da Libertadores e acaba de garantir classificação para a semifinal da Copa do Brasil.
O próximo compromisso será contra o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro. Na sequência, o Palmeiras enfrenta a LDU, pela Libertadores. As semifinais da Copa do Brasil contra o Vasco estão previstas para novembro.
Até o julgamento, Abel segue normalmente no comando da equipe. Somente depois da decisão dos auditores será possível saber se haverá suspensão, quantas partidas seriam aplicadas e quais possibilidades de recurso estarão disponíveis ao Palmeiras.
A discussão desta sexta-feira, portanto, não será apenas sobre um chute em um microfone. O histórico recente do treinador, a reincidência e o entendimento do STJD sobre os limites de comportamento dentro da área técnica podem definir se Abel estará ou não à beira do campo durante uma sequência decisiva da temporada palmeirense.





