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Ancelotti diz que críticas não mudam plano da Seleção e reforça aposta em jovens

Técnico afirma que pressão após a Copa e o empate com a Austrália não altera o planejamento para 2030, admite que o grupo atual ainda está em formação e coloca a observação de jovens acima da necessidade de apresentar imediatamente uma equipe definitiva

Doentes por Futebol por Doentes por Futebol
28 de setembro de 2026
no Internacional
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Carlo Ancelotti aproveitou a coletiva desta segunda-feira, em Brisbane, para deixar mais claro como pretende conduzir a Seleção Brasileira neste início de trabalho depois da Copa do Mundo. Pressionado pela eliminação nas oitavas de final diante da Noruega e pela atuação ruim no empate por 1 a 1 com a Austrália, o treinador reafirmou que não pretende acelerar decisões apenas para responder ao ambiente externo. A prioridade, segundo ele, é utilizar os próximos períodos de Data Fifa para conhecer jogadores, ampliar as opções do elenco e construir gradualmente a equipe que deverá disputar a Copa América de 2028 e a Copa do Mundo de 2030.

As declarações foram reunidas em reportagem de Vitor Pajaro, colaboração para o UOL diretamente de Brisbane, na Austrália. Ancelotti foi questionado sobre o peso das críticas em um momento em que a Seleção ainda não conseguiu oferecer uma resposta convincente depois da Copa. A resposta foi direta e ajuda a entender a postura que o italiano pretende adotar nos próximos meses.

“Quanto a crítica pode afetar a ideia que tenho para o futuro? Zero!”

A frase não significa que o treinador considere o desempenho recente satisfatório. Depois do empate contra a Austrália, ele próprio reconheceu que o Brasil poderia ter jogado melhor e que algumas escolhas ainda precisam ser avaliadas. A diferença está no horizonte utilizado para fazer essa avaliação. Ancelotti não parece disposto a tratar cada amistoso como um julgamento sobre a continuidade do projeto, principalmente enquanto trabalha com uma convocação formada por muitos jogadores que ainda não tiveram sequência na Seleção.

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A renovação passou a ser a principal tarefa

Desde a primeira convocação após a Copa, Ancelotti vinha indicando que o objetivo desta Data Fifa seria diferente do período anterior ao Mundial. O Brasil não está mais tentando preparar uma equipe para uma competição que começa em poucos meses. Há quatro anos até a próxima Copa e quase dois até a Copa América, o que abre espaço para experiências que seriam mais difíceis de realizar em uma reta final de preparação.

A lista para os jogos contra Austrália e Índia refletiu essa escolha. Apenas uma parcela do elenco que esteve na Copa permaneceu, enquanto jogadores jovens e estreantes ganharam espaço. Ancelotti também deixou claro que alguns atletas experientes continuarão sendo importantes não apenas tecnicamente, mas para ajudar na transição entre gerações. Marquinhos, Bruno Guimarães, Vinicius Júnior e Raphinha estão entre os nomes que podem exercer essa função.

Na coletiva desta segunda-feira, o treinador resumiu novamente a direção que pretende seguir.

“A prioridade agora é buscar construir uma nova geração.”

O ponto mais interessante de sua explicação apareceu quando falou sobre os critérios de convocação. Ancelotti admitiu que os 26 jogadores chamados neste momento não precisam necessariamente representar uma lista dos 26 melhores brasileiros disponíveis. O objetivo é também antecipar a observação de atletas que possam estar em condições de assumir papéis importantes daqui a dois ou quatro anos.

Isso muda parcialmente uma lógica tradicional das convocações. Um jogador jovem com pouca utilização no clube pode continuar sendo chamado se a comissão técnica considerar que existe ali um potencial importante para o futuro da Seleção. Ancelotti citou justamente esse tipo de situação ao explicar que pretende acompanhar mais de perto jogadores que anteriormente poderiam ficar fora simplesmente por não terem uma sequência grande de minutos em seus clubes.

É uma decisão que naturalmente gera discussão. A Seleção sempre conviveu com o debate entre convocar quem está melhor naquele momento ou investir em jogadores considerados mais adequados a um projeto de longo prazo. Ancelotti indica que, neste começo de ciclo, dará peso maior à segunda possibilidade.

O empate com a Austrália entrou nessa lógica

A maneira como o treinador analisou o 1 a 1 de sexta-feira também está diretamente ligada a essa ideia. O Brasil fez uma partida abaixo do esperado, encontrou dificuldades para criar, sofreu com a compactação da Austrália e precisou de um gol de Rayan no fim para evitar a derrota. A repercussão foi ruim tanto no Brasil quanto fora dele, com críticas principalmente à organização ofensiva e à dificuldade de controlar o jogo.

Ancelotti, no entanto, evitou transformar o resultado em ponto central da avaliação. Para ele, o primeiro confronto serviu para observar jogadores e experimentar uma formação com quatro atacantes. O treinador reconheceu problemas na atuação, mas considerou que a partida cumpriu parte de seu objetivo porque ofereceu minutos a atletas que ainda estão sendo avaliados.

Há uma diferença importante entre minimizar um resultado e ignorar uma atuação. Ancelotti não afirmou que o Brasil jogou bem. O argumento apresentado por ele é que vencer agora não é mais importante do que entender quais jogadores poderão fazer parte da Seleção quando as competições oficiais começarem.

Esse raciocínio explica também por que o segundo confronto contra a Austrália deve ter várias mudanças. No treinamento realizado em Brisbane, o técnico trabalhou com sete alterações em relação à equipe que iniciou a primeira partida e também modificou a estrutura do meio-campo. O desenho testado foi um 4-3-3, deixando para trás, pelo menos inicialmente, a formação muito ofensiva utilizada em Townsville.

O time treinado teve Otávio; Vanderson, Jair, Gabriel Magalhães e Mauro Júnior; Danilo Santos, Bruno Guimarães e Gabriel Bontempo; Rayan, Raphinha e Vinicius Júnior. Raphinha apareceu como jogador mais centralizado no ataque, enquanto Bontempo recebeu uma oportunidade desde o início no meio.

A escolha chama atenção porque responde justamente a uma das principais críticas feitas após o primeiro amistoso. Com Bruno Guimarães e Danilo praticamente sozinhos no centro e quatro jogadores ofensivos à frente, o Brasil teve dificuldade para estabelecer uma construção mais organizada. A entrada de um terceiro meio-campista pode ajudar a aproximar os setores e dar ao time maior controle da posse.

Ancelotti também está avaliando nomes que conhecia pouco

Outro aspecto interessante da coletiva foi a maneira como o treinador falou sobre os jogadores que estão tendo o primeiro contato com a Seleção. Breno Bidon, Gabriel Bontempo, Jair e Arthur Dias foram mencionados positivamente, assim como alguns dos goleiros convocados. Ancelotti reconheceu inclusive que havia atletas que conhecia pouco antes de observá-los de perto durante os treinamentos na Austrália.

Esse é um dos objetivos mais concretos desta convocação. Assistir a um jogador no Campeonato Brasileiro, na Premier League ou em qualquer outra competição oferece informações importantes, mas trabalhar diariamente com ele permite avaliar características que aparecem menos durante uma partida. Comportamento tático, capacidade de adaptação, entendimento das orientações e convivência dentro do grupo também influenciam decisões futuras.

Gabriel Bontempo é um exemplo desse processo. Aos 21 anos, o meio-campista do Santos está em sua primeira convocação e foi testado entre os titulares para o segundo jogo contra a Austrália. Breno Bidon, do Corinthians, também foi elogiado diretamente por Ancelotti depois do período de treinamentos.

A presença desses jogadores não significa que todos permanecerão nas próximas listas. O próprio sentido da renovação defendida pelo treinador pressupõe mudanças frequentes durante os primeiros meses. Alguns nomes poderão se consolidar, outros voltarão aos clubes e novas opções aparecerão. O importante para a comissão técnica, neste momento, parece ser aumentar o número de jogadores conhecidos antes de começar a reduzir novamente o grupo.

A pressão continua existindo

Ao mesmo tempo em que pede tempo, Ancelotti sabe que a Seleção Brasileira dificilmente terá um período completamente protegido de cobrança. O próprio treinador reconheceu que a expectativa em torno de seu trabalho permanece alta e que isso faz parte da função. Sua carreira em clubes como Real Madrid, Milan, Bayern de Munique, Chelsea e Paris Saint-Germain foi construída em ambientes nos quais resultados ruins produzem questionamentos rapidamente.

Na Seleção, essa pressão ganha outra dimensão. A eliminação diante da Noruega na Copa de 2026 ainda está muito próxima, e a expectativa criada quando Ancelotti assumiu o comando não desapareceu com o início de um novo ciclo. O empate com a Austrália também não ajudou a reduzir a desconfiança, principalmente porque alguns problemas apresentados durante o Mundial voltaram a aparecer.

Uma análise do ge após a primeira partida destacou justamente essa dificuldade. O Brasil voltou a apresentar problemas para transformar posse em controle real do jogo, teve dificuldade para pressionar a saída australiana e não conseguiu criar com regularidade diante de um adversário que defendia de maneira compacta. A renovação do elenco, portanto, não resolve automaticamente questões coletivas que já existiam antes da troca de nomes.

É nesse ponto que o discurso de Ancelotti será colocado à prova. Dar minutos a jovens é uma escolha compreensível em setembro de 2026, mas o desenvolvimento desses jogadores precisará acontecer ao mesmo tempo em que a comissão técnica constrói uma ideia de jogo mais reconhecível. Caso contrário, a Seleção poderá trocar jogadores sem necessariamente corrigir os problemas que apareceram na Copa.

Resultado e desempenho ocupam lugares diferentes neste momento

Ancelotti também deixou uma distinção importante em suas declarações. Ele afirmou que o resultado do primeiro confronto não era a prioridade, porque o momento exige experiências, mas continua rejeitando a ideia de que a Seleção dispute partidas sem responsabilidade competitiva.

Antes do primeiro jogo, ele já havia resumido essa visão:

“Para o Brasil, nunca é um amistoso.”

As duas ideias parecem contraditórias apenas à primeira vista. O treinador pode considerar secundário vencer um amistoso específico e, ao mesmo tempo, exigir que os jogadores entrem em campo com a responsabilidade de representar a Seleção. O que muda é o peso dado ao resultado dentro da avaliação final.

Uma vitória sobre a Austrália não garantiria que determinado esquema estivesse pronto para 2030. Da mesma maneira, um empate não significa necessariamente que uma experiência deva ser abandonada. Ancelotti quer utilizar esses jogos como fonte de informação antes de entrar em uma fase em que resultados voltarão a ter consequências competitivas diretas.

Ainda assim, desempenho importa. A própria decisão de mudar o desenho do meio-campo para o segundo amistoso indica que a comissão técnica retirou conclusões do primeiro jogo. O 4-2-4 ofereceu presença ofensiva, mas deixou o Brasil com poucas soluções para circular a bola em determinadas zonas. O teste seguinte permitirá observar se três meio-campistas conseguem oferecer mais equilíbrio sem diminuir demais a capacidade de atacar.

O segundo jogo passa a ter um interesse diferente

Brasil e Austrália voltam a se enfrentar nesta terça-feira, às 7h de Brasília, no Suncorp Stadium, em Brisbane. O resultado continuará sendo relevante, mas talvez o principal ponto de observação esteja nas mudanças feitas por Ancelotti entre uma partida e outra.

Sete alterações significam que praticamente outra equipe estará sendo avaliada. Jair, Mauro Júnior, Gabriel Bontempo e Otávio estão entre os jogadores que podem ganhar uma oportunidade importante. Rayan, autor do gol de empate no primeiro confronto, também aparece no time testado como titular.

Raphinha deverá assumir uma função diferente, mais próximo da área, enquanto Vinicius Júnior permanece pelo lado esquerdo. O atacante do Real Madrid teve participação discreta na primeira partida e é um dos jogadores experientes dos quais Ancelotti espera liderança durante essa transição. Sua permanência entre os titulares, mesmo com tantas mudanças ao redor, indica que o treinador pretende dar sequência a alguns nomes enquanto gira outras posições.

O segundo encontro também permitirá uma comparação direta entre as duas estruturas utilizadas. No primeiro, quatro atacantes atuaram com apenas dois meio-campistas de origem. No segundo, a tendência é de três jogadores no meio e três no ataque. Para uma comissão técnica que afirma estar fazendo testes, poucas situações seriam tão úteis quanto enfrentar o mesmo adversário em poucos dias utilizando ideias diferentes.

O projeto ainda está no começo, mas a cobrança não vai esperar

A postura de Ancelotti é coerente com o momento do calendário. Setembro de 2026 é cedo para definir quem estará na Copa de 2030, e boa parte dos jogadores que chegarão ao próximo Mundial pode sequer ter espaço consolidado na Seleção atualmente. A escolha por ampliar observações agora reduz a necessidade de experimentar em momentos mais próximos das competições oficiais.

Ao mesmo tempo, a paciência solicitada pelo treinador não será ilimitada. A Seleção ainda carrega o impacto de uma Copa frustrante e atravessa um período no qual resultados e atuações têm aumentado a desconfiança do torcedor. Ancelotti parece compreender essa pressão, mas deixou claro que não pretende permitir que ela altere seu planejamento.

A coletiva em Brisbane serviu, portanto, menos para responder ao empate com a Austrália e mais para explicar a lógica do próximo período. O treinador quer testar jogadores, aceitar algum grau de instabilidade e chegar às competições oficiais com um conhecimento maior sobre as opções disponíveis. Os próximos amistosos mostrarão se esse processo também será acompanhado por uma evolução coletiva da equipe.

As declarações utilizadas neste artigo foram dadas por Carlo Ancelotti em entrevista coletiva em Brisbane e reunidas em reportagem de Vitor Pajaro, colaboração para o UOL na Austrália.

Confira a coletiva completa no video a seguir:

Tags: AustráliaBrasilBruno GuimarãesCarlo AncelottiCopa do Mundo 2030destaqueFutebol BrasileiroRaphinhaRayanRenovação da SeleçãoSeleção BrasileiraVinicius Junior

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