
A Chapecoense pode se tornar nesta quarta-feira (28) o primeiro clube matematicamente rebaixado no Campeonato Brasileiro de 2026. Lanterna da competição, com apenas 21 pontos conquistados em 31 partidas, a equipe catarinense enfrenta o Red Bull Bragantino, às 19h30 (de Brasília), no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista. Uma derrota, combinada com resultados de concorrentes diretos, pode confirmar o retorno à Série B antes mesmo das últimas rodadas.
A situação é consequência de uma campanha marcada pela dificuldade em conquistar vitórias e pela fragilidade defensiva. Até aqui, a Chapecoense venceu apenas quatro partidas, empatou nove e sofreu 18 derrotas, somando aproveitamento de aproximadamente 22,6% dos pontos disputados. A equipe marcou 32 gols e sofreu 63, números que ajudam a explicar por que permaneceu na última colocação durante boa parte do campeonato. A distância para o Internacional, primeiro clube fora da zona de rebaixamento, é de 14 pontos.
Segundo os cálculos do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a probabilidade de rebaixamento da Chapecoense chegou a 99,98% após a 32ª rodada. Embora a queda ainda não esteja matematicamente confirmada, a equipe precisa de uma combinação cada vez mais improvável de resultados para permanecer na elite. Mesmo vencendo todos os sete compromissos restantes, incluindo uma partida atrasada contra o Vasco, alcançaria no máximo 42 pontos, pontuação que não assegura a permanência.
O cenário contrasta com a expectativa criada pelo retorno à Série A. Depois de passar quatro temporadas consecutivas na segunda divisão, entre 2022 e 2025, a Chapecoense conseguiu recuperar seu lugar na elite nacional. A classificação representou um avanço importante para um clube que vinha tentando reorganizar sua situação esportiva e financeira. Entretanto, a temporada de 2026 mostrou que conquistar o acesso e construir uma equipe capaz de permanecer na primeira divisão são desafios diferentes.
Uma campanha que não conseguiu encontrar regularidade
A Chapecoense começou o Campeonato Brasileiro tentando se adaptar novamente ao nível de exigência da Série A. O elenco precisava enfrentar adversários com maior capacidade de investimento e mais alternativas para suportar o calendário nacional, enquanto o clube buscava estabelecer uma formação competitiva. A vitória sobre o Santos por 4 a 2, na estreia, ofereceu um início positivo, mas não foi seguida por uma sequência de resultados que permitisse à equipe se afastar das últimas posições.
Ao longo das rodadas, os problemas defensivos se tornaram uma das principais dificuldades. A Chapecoense sofreu quatro gols em derrotas para o Vitória e para o Athletico-PR, além de apresentar dificuldades para reagir quando precisava buscar o resultado. Com média superior a dois gols sofridos por partida, o time frequentemente se viu obrigado a produzir ofensivamente mais do que conseguia para conquistar pontos.
As dificuldades também levaram a mudanças no comando técnico. Fábio Matias deixou a equipe em maio, e Rafael Lacerda foi contratado para tentar reorganizar o desempenho. O novo treinador assumiu em um momento no qual a Chapecoense já precisava recuperar pontos e encontrar maior equilíbrio entre defesa e ataque. Apesar de algumas vitórias importantes, a mudança não conseguiu produzir uma sequência suficientemente consistente para alterar a situação na classificação.
Os resultados positivos ficaram separados por períodos prolongados sem vitórias. A equipe conseguiu vencer o São Paulo na Arena Condá e surpreendeu o Corinthians fora de casa, mas continuou perdendo pontos em confrontos fundamentais. A dificuldade em transformar boas atuações isoladas em uma recuperação duradoura fez com que a distância para os adversários aumentasse progressivamente.
O problema se agravou porque os concorrentes diretos também conseguiram pontuar ao longo da competição. Internacional, Grêmio, Corinthians e outros clubes envolvidos na disputa contra o rebaixamento atravessaram momentos difíceis, mas encontraram resultados suficientes para permanecer acima da Chapecoense. Com isso, mesmo quando o clube catarinense conquistava uma vitória, a diferença na tabela não necessariamente diminuía de maneira significativa.
O triunfo mais recente aconteceu no último sábado (24), quando a Chapecoense derrotou o Fluminense por 2 a 1, na Arena Condá. Bolasie abriu o placar no primeiro tempo, Guga empatou para os visitantes e Giovanni Augusto marcou o gol da vitória na etapa final. O resultado encerrou uma sequência de seis partidas sem vencer e demonstrou que a equipe ainda conseguia competir contra adversários da parte superior da tabela, mas teve efeito limitado sobre suas possibilidades de permanência.
A vitória também evidenciou a dimensão do problema acumulado durante o campeonato. Mesmo depois de superar uma equipe que disputa as primeiras posições, a Chapecoense permaneceu na lanterna, com cinco pontos a menos que o Remo, penúltimo colocado, e 14 atrás do Internacional. O resultado ofereceu algum alívio imediato, mas não modificou substancialmente a situação construída nas 30 partidas anteriores.
O desempenho em casa também não foi suficiente para sustentar a campanha. A Arena Condá, tradicionalmente importante para a Chapecoense, recebeu partidas nas quais o clube perdeu pontos fundamentais. A derrota por 4 a 1 para o Athletico-PR, por exemplo, ocorreu diante de sua torcida e ampliou a pressão em um momento em que a equipe já precisava de vitórias para continuar com possibilidades de reação.
A situação mostra como a permanência na primeira divisão depende da capacidade de acumular resultados ao longo de vários meses. A Chapecoense conseguiu vitórias expressivas contra alguns adversários, mas não encontrou regularidade suficiente para competir em um campeonato de 38 rodadas. Os quatro triunfos registrados até agora representam pouco mais de uma vitória a cada sete partidas, uma frequência insuficiente para acompanhar os clubes que disputam a permanência na Série A.
O que precisa acontecer para a Chapecoense ser rebaixada?
A confirmação matemática da queda pode acontecer já nesta quarta-feira. Caso a Chapecoense perca para o Red Bull Bragantino, um empate entre Internacional e Fluminense, no Maracanã, será suficiente para decretar o rebaixamento. A combinação impediria que o clube catarinense alcançasse pontuação suficiente para ultrapassar o primeiro time fora da zona.
Outros resultados ao longo da 33ª rodada também podem confirmar a queda. Vitórias de Grêmio ou Corinthians em seus respectivos compromissos eliminariam possibilidades de recuperação, dependendo da pontuação alcançada pelos concorrentes. O Grêmio enfrenta o Athletico-PR na quinta-feira (29), enquanto o Corinthians joga contra o Mirassol na sexta-feira (30).
Mesmo que consiga adiar a confirmação, a Chapecoense precisará vencer praticamente todos os compromissos restantes e acompanhar tropeços de diferentes adversários. A diferença de 14 pontos para o Internacional, somada ao baixo número de vitórias e ao saldo negativo de 31 gols, deixa pouco espaço para uma recuperação.
O cálculo de 99,98% de risco de queda traduz essa dificuldade, mas não deve ser confundido com uma eliminação matemática já consumada. A Chapecoense ainda possui partidas suficientes para alcançar 42 pontos e, dependendo da combinação de resultados, pode terminar fora da zona de rebaixamento. O problema é que isso exigiria uma sequência de vitórias completamente diferente daquela apresentada durante a temporada.
A eventual confirmação do descenso também colocará o clube diante de uma nova necessidade de reconstrução. Depois de quatro anos na Série B, a Chapecoense conseguiu o acesso em 2025, mas não encontrou condições esportivas para se consolidar na elite. Caso retorne à segunda divisão, precisará avaliar a montagem do elenco, as escolhas realizadas durante o campeonato e a capacidade de manter um planejamento que permita buscar outro acesso.
O impacto financeiro também será relevante. A participação na Série A representa receitas de transmissão e oportunidades comerciais diferentes das encontradas na segunda divisão. Para um clube que já precisou reorganizar suas estruturas nos últimos anos, a redução dessas receitas pode limitar investimentos e exigir novas adaptações no planejamento esportivo.
A experiência de 2026 reforça uma dificuldade enfrentada por diferentes equipes que retornam à primeira divisão. A conquista do acesso permite recuperar espaço no cenário nacional, mas não garante que o elenco responsável pela promoção consiga competir nas mesmas condições contra adversários mais estruturados. Para permanecer na elite, é necessário adaptar o planejamento, reforçar posições e encontrar resultados com regularidade desde as primeiras rodadas.
No caso da Chapecoense, a reação não aconteceu no tempo necessário. A equipe chega à 33ª rodada ainda tentando evitar o primeiro rebaixamento da competição, depois de passar praticamente toda a temporada próxima da última colocação. O confronto com o Bragantino pode definir matematicamente uma situação que se agravou durante meses, especialmente pelos problemas defensivos e pela dificuldade de conquistar vitórias consecutivas.
Mesmo que consiga prolongar a disputa por mais algumas rodadas, o clube já terá de analisar as razões de uma campanha tão distante do necessário para permanecer na Série A. A vitória recente contra o Fluminense mostrou que havia capacidade para competir em determinados confrontos, mas os resultados ao longo do campeonato não permitiram transformar essas atuações em uma situação mais favorável.
A Chapecoense entra em campo nesta quarta-feira ainda com chances matemáticas de permanência, mas dependendo de resultados próprios e de diversos adversários. O possível rebaixamento não será consequência apenas do confronto com o Red Bull Bragantino. Será o desfecho de uma temporada em que o clube voltou à primeira divisão, mas não conseguiu encontrar a consistência necessária para permanecer nela.
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