Em uma medida drástica e carregada de simbolismo, o Sport Club Internacional recorreu ao seu maior comandante para a missão mais delicada dos últimos anos: evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Aos 73 anos e aposentado há três, Abel Braga atendeu a uma “convocação” do clube do coração e assumiu no último domingo (30) para sua oitava passagem, com a tarefa de comandar a equipe nas duas últimas e decisivas rodadas da competição.
A situação é crítica. O Inter ocupa a 17ª posição, abrindo a zona do rebaixamento com 41 pontos. A missão de Abel começa hoje, quarta-feira (3). Para escapar da queda, Abelão terá apenas dois jogos: contra o São Paulo, fora de casa, e contra o Red Bull Bragantino, no Beira-Rio. A missão é vencer e torcer por tropeços dos adversários diretos.
O retorno do ídolo, que é o treinador com mais jogos na história do clube (340), é a última cartada da diretoria para tentar salvar a temporada do desastre. “Só o Inter para fazer isso comigo!”, declarou o técnico ao desembarcar em Porto Alegre. A história de Abel com o Inter é longa e repleta de glórias e reviravoltas, com passagens marcantes e outras que ficou longe de obter o sucesso esperado.

Relembre, em tópicos, cada uma de suas passagens pelo Colorado:
A Primeira Passagem (1988-1989): O Gre-Nal do Século
Logo em sua primeira vez no Beira-Rio, Abel mostrou que estava predestinado a fazer história. Foi o comandante na vitória épica de virada sobre o Grêmio, por 2 a 1, na semifinal do Brasileirão de 1988, partida que ficou eternizada como o “Gre-Nal do Século”. Apesar da classificação heroica, amargou o vice-campeonato nacional ao perder a final para o Bahia.
As Passagens Curtas dos Anos 90 (1991 e 1995)
Abel teve duas passagens breves e sem grande brilho pelo clube na década de 90. Em 1991, substituiu o lendário Ênio Andrade, mas foi demitido após uma derrota em um Gre-Nal. Quatro anos depois, em 1995, retornou ao clube, mas novamente não conseguiu resultados expressivos e deixou o cargo com poucos meses de trabalho.
A Era de Ouro (2006-2008): Libertadores e Mundial
Sem dúvida, a passagem mais emblemática. Em 2006, Abel Braga conduziu o Internacional às suas maiores conquistas. Primeiro, venceu a tão sonhada CONMEBOL Libertadores e, em dezembro, chocou o mundo ao derrotar o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho na final do Mundial de Clubes, com o gol histórico do predestinado Adriano Gabiru. Após uma breve saída em 2007, retornou para conquistar o Gauchão de 2008 antes de se transferir para o futebol dos Emirados Árabes.

O Retorno ao Beira-Rio Remodelado (2014)
Em sua sexta passagem, Abel teve a honra de ser o primeiro treinador a comandar o Inter no remodelado Beira-Rio, preparado para a Copa do Mundo. Naquela temporada, conquistou mais um título gaúcho e liderou a equipe a uma boa campanha no Brasileirão, terminando na terceira colocação e garantindo o retorno do clube à Libertadores.
O Quase Título e o Recorde (2020-2021)
Na sua penúltima passagem, Abel Braga assumiu o time na reta final de 2020 e quase levou o Inter ao título brasileiro. A equipe engatou uma sequência recorde de nove vitórias seguidas na era dos pontos corridos e disputou o troféu até a última rodada, terminando com o vice-campeonato, em título conquistado pelo Flamengo. Foi nesta passagem que ele se tornou o técnico que mais vezes dirigiu o Colorado, superando a marca de Teté.





